O PLANO

A Nova Zelândia, conhecida como os All Whites, está de regresso ao Campeonato do Mundo, apenas pela terceira vez na sua história, graças à conquista da única vaga de qualificação da região da Oceânia. Desde a sua última presença no Mundial, em 2010, os neozelandeses evoluíram de atletas semiprofissionais para profissionais, existindo agora a crença de que possuem a capacidade e a experiência necessárias para alcançar as eliminatórias pela primeira vez.

A tarefa, contudo, é hercúlea: a Nova Zelândia, no 85.º posto do ranking, é a seleção pior classificada entre os apurados para o torneio e está inserida no Grupo G, juntamente com a Bélgica (9.ª), o Egito (29.º) e o Irão (21.º). O prestigiado comentador Paul Ifill afirma que o atual plantel é «milhas melhor» do que aquele que viajou para a África do Sul, onde terminou a prova invicto com três empates. Após o anúncio dos convocados, o selecionador, Darren Bazeley, concordou que a equipa se encontra num bom momento: «É uma mistura de jovens talentos entusiasmantes e jogadores experientes para maximizar as nossas hipóteses de vencer jogos e passar a fase de grupos.»

Bazeley privilegia o futebol de posse, algo que funcionou nos jogos de qualificação, mas que será um desafio muito maior contra adversários dotados de outros argumentos técnicos. Desde que carimbaram o passaporte, os seus 10 jogos particulares incluíram um empate diante da Noruega (que não contou com Erling Haaland) e sete derrotas, duas das quais contra a Austrália. Os jogos de preparação em março trouxeram sinais mistos: a uma exibição cinzenta que resultou numa derrota por 2-0 frente à Finlândia, seguiu-se, dias depois, uma vitória brilhante por 4-1 sobre o Chile. Foi o primeiro triunfo de sempre da Nova Zelândia contra uma seleção sul-americana.

O capitão Chris Wood (Nottingham Forest) é um dos dois sobreviventes da última campanha e muito dependerá da sua condição física. O avançado esteve na corrida pelo estatuto de melhor marcador da Premier League na temporada 2024/25, mas uma grave lesão no joelho no final do ano passado afastou-o dos relvados durante vários meses.

«A Nova Zelândia precisará de ser capaz de defender sem bola e, depois, descobrir uma forma de ferir os adversários quando a recuperar. Muito vai depender de Wood estar totalmente apto», sublinha Ifill. A campanha de qualificação — selada com uma vitória sobre a Nova Caledónia em março de 2025 — foi um «trabalho fácil» para os All Whites contra as nações mais pequenas do Pacífico, referiu o comentador Mathew Nash. «O fosso entre a Nova Zelândia e as outras nações da OFC agravou-se para um abismo nos anos recentes, como é evidente nos últimos 15 jogos dos All Whites contra os rivais da federação: 14 vitórias, um empate, quatro golos sofridos e 64 golos marcados», declarou à RNZ.

O SELECIONADOR

Darren Bazeley, selecionador da Nova Zelândia

Nascido em Northampton, Darren Bazeley cresceu no cargo e colocou a equipa a jogar a um nível tal que a torna capaz de atingir a fase a eliminar. Bazeley alcançará um feito inédito em Los Angeles: ser o primeiro homem na história da FIFA a ter treinado a nível de Jogos Olímpicos, Mundiais de sub-17, sub-20 e pela seleção AA. Como defesa, somou mais de 450 partidas por Watford, Wolves e Walsall, antes de iniciar a carreira de treinador na A-League e na MLS, nos Estados Unidos. Porém, o grosso da sua experiência desenvolveu-se na Nova Zelândia, onde o seu envolvimento nos escalões de formação o levou a trabalhar com todo o atual plantel sénior. São estes os jogadores em quem manteve a confiança para o Campeonato do Mundo.

A ESTRELA

Chris Wood, Nova Zelândia (IMAGO)
Chris Wood, Nova Zelândia (IMAGO)

Chris Wood — com 88 internacionalizações e 45 golos pela seleção nacional à data em que este texto foi escrito — desempenha um papel semelhante ao de Cristiano Ronaldo em Portugal ou ao de Kylian Mbappé em França: capitão, melhor marcador da história do país e uma inspiração para os companheiros. «Ele entrega-se imenso quando joga pela Nova Zelândia, aparece sempre e faz tudo o que é preciso fora das quatro linhas», elogia Bazeley. Tendo chegado a Inglaterra e ao West Bromwich em 2009, somou seis empréstimos em três anos pelo clube, antes de representar Leicester, Leeds, Burnley e Newcastle, acabando por elevar o seu jogo para outro patamar ao serviço do Nottingham Forest.

JOGADOR A SEGUIR

Eli Just, Nova Zelândia (IMAGO)
Eli Just, Nova Zelândia (IMAGO)

O médio-ofensivo de 26 anos Eli Just brilhou na temporada 2025/26 da liga escocesa. Foi eleito o Jogador do Ano do Motherwell, Jogador do Ano para a PFA e integrou também a Equipa do Ano da Premiership escocesa para a PFA. O capitão do Motherwell, Paul McGinn, classifica o franzino neozelandês como «absolutamente brilhante». «Ele é muito lesto. É um futebolista inteligentíssimo. Sabe onde deve estar e quando deve estar lá», afirmou McGinn ao portal Stuff. O antigo internacional neozelandês Noel Barkley é também um admirador confesso e prevê que Just acabe num clube de maior dimensão em breve: «É um rapaz calmo, um neozelandês humilde e o futebolista mais modesto que alguma vez vão conhecer.»

HERÓI DISCRETO

Joe Bell, Nova Zelândia - IMAGO
Joe Bell, Nova Zelândia - IMAGO

O médio-centro Joe Bell sente-se perfeitamente confortável a desempenhar um papel na sombra. «Não gosto de estar na ribalta», confessa, embora isso não signifique esquivar-se às suas responsabilidades, tanto a atacar como a defender. Sendo muito elogiado na Noruega, onde joga a nível de clubes pelo Viking, pela sua eficácia nos duelos e pela confiança que demonstra com a bola nos pés, Bell — que conta com 29 internacionalizações à data em que este texto foi escrito — já teve a oportunidade de envergar a braçadeira de capitão em algumas ocasiões na ausência de Chris Wood.

XI PROVÁVEL

4x2x3x1: Paulsen - Cacace, Surman, Boxall, Payne - Stamenic, Bell - Just, Singh, Old – Wood.

O QUE ESPERAR DOS ADEPTOS

Com os Estados Unidos à distância de uma longa viagem e os preços proibitivos para muitas carteiras, a Nova Zelândia será provavelmente superada em número pelos adeptos adversários nos três jogos do grupo, mas o grupo de apoiantes «The Flying Kiwis» marcará presença. Quase 500 deles estarão nas bancadas durante a fase de grupos, sendo Barkley um dos elementos, prometendo que vão «fazer barulho». Matt Fejos, membro dos Flying Kiwis desde 2009, referiu ao portal 1news.co.nz: «As pessoas olham para nós como o país do rugby, e provavelmente como hobbits, mas isso permite-nos avançar com aquela mentalidade de total desfavorecido, sem medos. Queremos deixar a nossa marca e mostrar-lhes algo diferente.»

RELAÇÃO COM OS EUA/TRUMP

O presidente norte-americano inaugurou o seu segundo mandato afirmando que o seu país tinha cindido o átomo pela primeira vez. Verificação de factos: foi o neozelandês Sir Ernest Rutherford quem alcançou o feito histórico em 1917, na Victoria University of Manchester, em Inglaterra. Nick Smith, presidente do município de Nelson, cidade próxima de onde Rutherford cresceu, afirmou que iria convidar o embaixador dos EUA na Nova Zelândia a «visitar o memorial de Lord Rutherford em Brightwater». «Para que possamos manter o registo histórico correto sobre quem cindiu o átomo primeiro». Sem surpresa, registaram-se também ameaças de aplicação de tarifas alfandegárias caso a Nova Zelândia não assine um acordo para fornecer minerais aos Estados Unidos. As conversações prosseguem.

Textos de Maree Mahony, do RNZ. Estes textos foram escritos no âmbito da Guardian Experts' Network, a rede de troca de conteúdos para o Mundial 2026, liderada pelo jornal inglês The Guardian e que tem A BOLA como representante português, e foram traduzidos com recurso a Inteligência Artificial.

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