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Mundial 2026: o guia da Costa do Marfim
O PLANO
A Costa do Marfim regressa ao palco mundial pela primeira vez desde os anos dourados do início da década de 2010. Não têm propriamente o poder de estrela de outros tempos, mas a sua convocatória está repleta de rostos bem conhecidos dos adeptos das principais ligas europeias. Os vencedores da Taça das Nações Africanas (CAN) de 2023, conquistada em solo pátrio, jogam habitualmente em 4x3x3, embora existam dúvidas sobre quem jogará naquela que é porventura a posição mais importante: a de trinco. Jean Michaël Seri, o antigo médio de Fulham e Hull City, de 34 anos, era dono do lugar, mas não voltou a ser o mesmo desde que esteve um ano afastado dos relvados devido a uma lesão no tornozelo. Espera-se que Ibrahim Sangaré, do Nottingham Forest, assuma a responsabilidade.
O selecionador, Emerse Faé, prefere um estilo de jogo que privilegia a solidez defensiva e confia nas qualidades individuais dos extremos para o contra-ataque. Les Éléphants não sofreram um único golo nos 10 jogos de qualificação para aqui chegarem. A sua defesa, que por vezes evolui para uma linha de três centrais, é liderada por Evan N’Dicka, da Roma, cujos parceiros no eixo têm rodado entre Odilon Kossounou, da Atalanta, e Emmanuel Agbadou, do Reims. Franck Kessié, antigo jogador de Barcelona e Milan, continua a mandar no meio-campo e ostenta a braçadeira de capitão. Depois, Faé tem uma panóplia de opções no ataque, tais como Nicolas Pépé, Amad Diallo e Yan Diomandé. Evann Guessand poderá carregar o peso das expectativas perante a ausência de uma figura de área do tipo Didier Drogba.
Ausente em 2018 e 2022, a Costa do Marfim quer aproveitar ao máximo este regresso à alta roda e o presidente da federação definiu a fasquia bem alta. «O objetivo fixado é jogar pelo menos seis jogos, o que significa chegar aos quartos de final», afirmou Yacine Idriss Diallo. O dirigente quererá virar a página após a dececionante defesa do título na CAN em janeiro, com a eliminação frente ao Egito nos quartos de final, em Marrocos. As vitórias nos amigáveis de março (1-0 à Escócia e 4-0 à Coreia do Sul) deixaram sinais de promessa.
O SELECIONADOR
«Não vou para os Estados Unidos de férias», avisou Emerse Faé. «Sou um competidor e o meu objetivo é ir o mais longe possível. Porque não vencer?». O antigo médio faz parte da equipa técnica desde 2022, inicialmente como adjunto de Jean-Louis Gasset. Após o despedimento de Gasset, curiosamente a meio do torneio na CAN de 2024 jogada em casa, Faé assumiu o comando e guiou os anfitriões ao seu terceiro título continental. Este tem sido o primeiro trabalho do técnico de 42 anos como treinador principal, após passagens pelas camadas jovens do Nice e do Clermont, em França. Esta é a sua segunda experiência em Mundiais, tendo jogado pela Costa do Marfim na estreia do país em 2006.
A ESTRELA
Nicolas Pépé chega ao Campeonato do Mundo na forma perfeita para liderar a Costa do Marfim a partir da frente. O antigo extremo do Arsenal foi nomeado para o prémio de jogador da época na La Liga, após uma excelente campanha ao serviço do Villarreal (3.º classificado), que incluiu oito golos e oito assistências. O canhoto destaca-se a fletir da ala direita para o centro, mas também pode atuar como segundo avançado. As suas principais qualidades residem no drible, mas não se coíbe de desferir o remate logo que está ao alcance da baliza. Ausente da CAN em Marrocos por motivos pessoais, este é o primeiro, e provavelmente o último Mundial para 'Nico', dez anos após a sua primeira internacionalização. «Tenho 30 anos agora e não me vejo a continuar na seleção até aos 34 para jogar o próximo Mundial», admitiu.
JOGADOR A SEGUIR
Christ Inao é o presente e o futuro da seleção da Costa do Marfim. O médio de 19 anos é um jogador que gosta de arriscar e que desfrutou de uma temporada de afirmação no futebol sénior ao serviço do Trabzonspor, na Turquia. Estreou-se na seleção em novembro passado e conquistou o seu espaço no onze inicial durante a Taça das Nações Africanas, em Marrocos. Depois de impressionar na Super Lig e de vencer a Taça da Turquia, o Trabzonspor espera obter uma mais-valia avultada numa futura venda de Inao. Algumas exibições de destaque este verão poderão inflacionar essa margem.
HERÓI DISCRETO
Franck Kessié é internacional pela Costa do Marfim desde 2014, tendo-se estreado poucos meses após a última presença do país num Mundial, no Brasil. Agora, aos 29 anos, é o capitão e, mesmo assim, continua a passar despercebido. O médio box-to-box confere o muito necessário equilíbrio à equipa de Emerse Faé e dá o litro no trabalho sujo. Trocou o Barcelona pelo Al-Ahli em 2023 e conquistou dois títulos consecutivos da Liga dos Campeões da AFC com o clube da Arábia Saudita, tendo sido eleito o melhor jogador da competição na última época. Um vencedor nato, Kessié também soma medalhas de campeão da Serie A e da La Liga.
XI PROVÁVEL
4x1x2x3: Yahia Fofana – Wilfried Singo, Odilon Kossounou, Evan Ndicka, Ghislain Konan – Ibrahim Sangaré – Franck Kessié, Christ Inao – Nicolas Pépé, Evann Guessand, Yan Diomandé.
O QUE ESPERAR DOS ADEPTOS
Não serão muitos os marfinenses a fazer a viagem para a América do Norte, devido a uma série de restrições administrativas impostas aos cidadãos da Costa do Marfim que pretendem entrar nos Estados Unidos. Caberá à diáspora já radicada nos States fazer barulho, embora o jogo do grupo contra a Alemanha vá realizar-se em Toronto. Os outros dois serão em Filadélfia, onde a comitiva estará instalada. Esperem ver cores familiares: a bandeira é muito semelhante à da Irlanda e o equipamento da equipa assemelha-se ao laranja vivo dos Países Baixos. Cânticos, dança e uma dose de humor formam a base do apoio marfinense.
RELAÇÃO COM OS EUA/TRUMP
Toda a gente na Costa do Marfim está feliz por estar de volta a um Mundial pela primeira vez em 12 anos. Não foram feitos comentários por parte da federação ou dos jogadores relativamente à política de nenhum dos países anfitriões, incluindo os Estados Unidos, nem sobre o custo dos bilhetes. A administração Trump afirmou em maio que os adeptos da Costa do Marfim estariam isentos do pagamento do depósito de 15 mil dólares do visto para entrar nos EUA se tivessem bilhetes válidos para os jogos, mas a medida chegou demasiado tarde para a maioria das pessoas que tinham equacionado ir. A Costa do Marfim foi um dos vários países afetados pelos cortes da administração Trump na USAID, tendo sido acordados, em contrapartida, pacotes bilaterais de ajuda à saúde pública.
Textos de Prince Akabla, do Le Kpakpato Sportif. Estes textos foram escritos no âmbito da Guardian Experts' Network, a rede de troca de conteúdos para o Mundial 2026, liderada pelo jornal inglês The Guardian e que tem A BOLA como representante português, e foram traduzidos com recurso a Inteligência Artificial.
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