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Mundial 2026: perfis dos jogadores da Bélgica
1. THIBAUT COURTOIS
Data de nascimento: 11 de maio de 1992
Clube: Real Madrid
Posição: Guarda-redes
Especialista entre os postes
Olhem só quem está de volta! Courtois foi deixado em casa pela Bélgica no Euro 2024 devido a uma acesa troca de argumentos com o então selecionador Domenico Tedesco. O germano-italiano também não saiu bem da história, acabando por ser despedido pouco tempo depois. O seu sucessor, Rudi Garcia, voou até Madrid para convencer Courtois a regressar aos trabalhos e ele aceitou — para grande desilusão de Koen Casteels, o homem que se tinha chegado à frente para o substituir. Casteels renunciou de imediato à seleção, atirando: «É estranho que lhe estejam a estender a passadeira vermelha e a recebê-lo de braços abertos… A partir de hoje, já não estou disponível». Este verão é mais uma oportunidade para Courtois mostrar ao mundo o quão bom realmente é. Sabe que será difícil vencer o Mundial, mas talvez possa juntar mais um recorde à sua coleção, que já inclui o de mais defesas numa final da Liga dos Campeões (nove contra o Liverpool, em 2022). Ou será que vai voltar a vencer a Luva de Ouro, como fez em 2018? A sua esposa, a modelo israelita Mishel Gerzig, estará certamente nos EUA para o apoiar, algo que ele irá agradecer se não estiver colado ao telemóvel. Ela tratou-o uma vez por «rei dos telemóveis» devido à sua fixação, revelando que ele costuma chocar contra os batentes das portas enquanto mexe no aparelho.
12. SENNE LAMMENS
Data de nascimento: 7 de julho de 2002
Clube: Manchester United
Posição: Guarda-redes
«O coelho de gelo»
«Senne começou como avançado», contou o seu pai, Eddy, ao Nieuwsblad: «Rematava de todos os ângulos e marcava com facilidade». Mas o filho era ainda melhor com a bola nas mãos. Focou-se nisso, o esforço compensou rapidamente e, no verão passado, tornou-se no guarda-redes mais caro alguma vez vendido por um clube belga, quando o Manchester United pagou cerca de 21 milhões de euros (18 milhões de libras) ao Antuérpia pelo seu passe. Silenciou num ápice os comentadores e as lendas do United que o descartaram sem o conhecerem — sim, tu também, Peter Schmeichel. Este é o seu primeiro Mundial, mas o nervosismo não vai ditar regras. Tal como Edwin van der Sar, é conhecido como o «coelho de gelo» e escreve um diário com os seus pensamentos para manter a calma. «Antes e depois do jogo, limito-me a escrever algumas palavras-chave e um pouco dos meus pensamentos», explica. «Porque, às vezes, se não o fizeres, ficas com demasiadas coisas a passar-te pela cabeça. Ajuda-me a manter a calma, a focar-me no momento e a não reagir de forma exagerada. Escrevo palavras-chave, pontos de ativação. [Significa que] não precisas de pensar muito durante os jogos, mentalmente já estás preparado para a partida e para o que vai acontecer. Não vais ser apanhado de surpresa. Acho que isso é importante.»
13. MIKE PENDERS
Data de nascimento: 31 de julho de 2005
Clube: Chelsea
Posição: Guarda-redes
Esguio, de pé esquerdo, dois metros de altura, formado na academia do Genk e contratado pelo Chelsea — não é surpresa que Penders seja frequentemente comparado a Thibaut Courtois. Foi surpreendente, no entanto, que após apenas um jogo na primeira equipa, na liga, tenha sido contratado pelo clube de Londres por cerca de 20 milhões de euros (17 milhões de libras) no ano passado — especialmente quando eles já tinham seis guarda-redes. Desde então, emprestado ao Estrasburgo, tem usado o número 39 nas costas, uma homenagem ao seu avô Nico, o seu maior fã. Nico disse ao Belang van Limburg no ano passado: «Quando ele começou a jogar, ainda miúdo, eu estava sempre lá, e mais tarde no Bregel Sport e no Genk também. Acho que só faltei a umas dez sessões de treino nos últimos 15 anos. Mesmo quando ele estava na equipa principal e os treinos eram à porta fechada, eles deixavam-me entrar. Algo que guardarei para sempre é o facto de ele vir dar-me um beijo na linha lateral antes de um jogo. Num estádio cheio, ele não se deixava afetar por nada disso. E sabia que até o número 39 é uma referência a mim? Nasci em 1939. Ele vai jogar com esse número no Chelsea também.»
15. THOMAS MEUNIER
Data de nascimento: 12 de setembro de 1991
Clube: Lille
Posição: Lateral-direito
Antigo carteiro
A lenda da NBA Karl Malone era tratado por «The Mailman» (O Carteiro) porque faturava sempre, mas Meunier trabalhou literalmente como carteiro antes de se tornar profissional. Outra grande mudança na carreira seguiu-se pouco depois, enquanto se ambientava no Club Brugge: começou como extremo-esquerdo, depois atravessou o campo todo para se tornar lateral-direito — e um belíssimo lateral, por sinal. A sua apetência natural para a posição valeu-lhe uma grande transferência para o Paris Saint-Germain em 2016, onde conquistou uma série de títulos, e depois para o Dortmund em 2020. Agora com 34 anos, disse recentemente que espera continuar a jogar até aos 40. Mas se o fim chegar mais cedo do que isso, não se vai aborrecer fora das quatro linhas. Além de ter três filhos, tem também os seus negócios em Bastogne, onde cresceu, incluindo um restaurante de frango no churrasco, e uma enorme paixão pela arte. Gosta de visitar museus e até costumava ter uma imagem do quadro A Persistência da Memória, de Salvador Dalí, como fundo do telemóvel.
21. TIMOTHY CASTAGNE
Data de nascimento: 5 de dezembro de 1995
Clube: Fulham
Posição: Lateral
A vida nunca foi fácil para Castagne. Quando era criança sofria de exoforia, com os olhos a desviarem-se ligeiramente para fora. Essa condição corrigiu-se, mas, após sofrer uma lesão na cabeça num jogo pelo Genk em 2015, ficou com graves problemas de visão dupla e enxaquecas, necessitando de uma cirurgia ocular que o afastou dos relvados durante meses. Depois veio o seu primeiro grande torneio com a seleção — o Euro 2020 — e outro choque violento, numa vitória na fase de grupos contra a Rússia, que lhe fraturou a órbita ocular e implicou nova cirurgia. «No avião de regresso a casa, a única coisa que conseguia fazer era chorar», confessou ao Nieuwsblad — mas ainda assim considera-se sortudo. Se o impacto tivesse sido ligeiramente mais acima, poderia ter acabado com a sua carreira. Mas cinco anos após esse trauma, o polivalente lateral-direito, que também dá uma ajuda na esquerda, é um jogador consagrado na Premier League. É também um verdadeiro homem de família. Está há muitos anos com Camille, filha do seu empresário Zénon Melon; a sua segunda filha nasceu no Dia dos Namorados.
16. KONI DE WINTER
Data de nascimento: 12 de junho de 2002
Clube: Milan
Posição: Defesa-central
Os adeptos belgas ouviram o nome De Winter pela primeira vez há oito anos quando, sem sequer se ter estreado pela equipa principal do Zulte Waregem, o jovem de 16 anos foi contratado pela Juventus. Tornou-se no titular mais jovem de sempre da Juve na Liga dos Campeões e aproveitou a oportunidade para treinar com Cristiano Ronaldo e aprender com Leonardo Bonucci e Giorgio Chiellini. Mas, no fim de contas, precisou de períodos de empréstimo ao Empoli e ao Génova para ganhar experiência antes de a Juve o vender em definitivo ao Génova — uma decisão de que já se devem arrepender em Turim. No verão passado, o Milan pagou mais de 20 milhões de euros (17 milhões de libras) para o contratar e, desde então, tornou-se num jogador fulcral em San Siro. Agora percebemos por que razão os seus treinadores na formação o comparavam a um dos grandes de sempre. «Ele era um bocado como o jovem Vincent Kompany», disse Bert Wets ao HLN. «Tinha muita elegância, flair e fintas vistosas». Essas qualidades costumavam resultar nalguns erros caros, mas estes estão a tornar-se cada vez mais raros. O seu primeiro nome, Koni, não foi a primeira escolha do pai. «Quando era miúdo, via os jogos do Milan na Liga dos Campeões na televisão e jogava com os rossoneri na PlayStation. O meu pai já os via antes de eu nascer. Ele gostava do Seedorf e queria dar-me o nome dele, Clarence.»
2. ZENO DEBAST
Data de nascimento: 24 de outubro de 2003
Clube: Sporting
Posição: Defesa-central
Líder natural
Um dos muitos excelentes produtos da academia do Anderlecht, Debast acalentava a esperança de se tornar o próximo Kevin De Bruyne, jogando como médio-ofensivo até aos 15 anos. Mas depois, em parte devido a um surto de crescimento, foi recuado no terreno e destacou-se na nova função. Diz ter aprendido muito com o atual selecionador do País de Gales, Craig Bellamy, que na altura treinava os sub-21 do Anderlecht: «Antes de trabalhar com ele, nunca tinha feito um carrinho a um jogador na minha vida», afirmou. «Ele também me ensinou a ser mais agressivo». Agora, com os seus excelentes passes longos e um poder físico em crescendo, é o patrão do setor recuado da Bélgica. Isto apesar de enfrentar forte concorrência por um lugar a nível de clubes, com o Sporting a utilizá-lo por vezes como médio-defensivo. Todos na Bélgica sentem que ele tem uma grande carreira pela frente. É conhecido pela sua alcunha, Scampi, que lhe foi dada na infância pela mãe. Tinha caído em desuso até que um companheiro de equipa, Benito Raman, a descobriu no Facebook e fez questão de a trazer novamente à baila.
4. BRANDON MECHELE
Data de nascimento: 28 de janeiro de 1992
Clube: Club Brugge
Posição: Defesa-central
Mechele já é uma lenda do Club Brugge, detendo o recorde de jogos nas competições europeias (101) e partilhando o recorde de mais títulos da liga (seis) com o seu companheiro de equipa Hans Vanaken. Mas nem tudo correu sobre rodas: houve uma altura em que não se sentia valorizado, com a direção a contratar um novo defesa-central quase todos os anos. «Nessa altura baixava a cabeça e andava por ali frustrado», disse ao HLN. «É desgastante ter de continuar a provar o meu valor ao mundo exterior». Ainda assim, nunca pensou em sair. Começou e quer terminar a carreira em Bruges, onde vai de bicicleta para os treinos. Ficou muito desiludido por ter sido deixado de fora da seleção belga em torneios anteriores, mas agora conseguiu finalmente o seu lugar. O seu amigo chegado Tibo Debaillie vai ficar contente: ele joga na equipa canadiana de futebol americano BC Lions, em Vancouver, precisamente onde os Diabos Vermelhos vão defrontar a Nova Zelândia.
3. ARTHUR THEATE
Data de nascimento: 25 de maio de 2000
Clube: Eintracht Frankfurt
Posição: Defesa-central/Lateral-esquerdo
Enquanto jovem jogador, Theate mudou-se do Genk para o Standard de Liège, depois voltou ao Genk e finalmente ao… Standard. Mas não vingou e foi rejeitado até por clubes da terceira divisão antes de receber uma oportunidade no KV Oostende. A partir daí, as coisas avançaram rapidamente para o defesa de cabelo comprido e pé esquerdo, que tinha Carles Puyol como ídolo. Bolonha, Rennes e Eintracht Frankfurt pagaram milhões para o contratar. Refletindo sobre os seus primeiros anos difíceis e o impulso que isso lhe deu, confessou ao Humo: «Não guardo qualquer rancor. Pelo contrário, agradeço a todos os que me rejeitaram». É um grande fã de F1, pelo que estará atento às quatro corridas agendadas durante o Mundial. E se tiver uma boa prestação, poderá até receber uma mensagem do duplo campeão olímpico de ciclismo e antigo futebolista Remco Evenepoel. Nos escalões jovens da seleção partilhavam o quarto e continuam em contacto.
5. MAXIM DE CUYPER
Data de nascimento: 22 de dezembro de 2000
Clube: Brighton
Posição: Lateral
Em setembro do ano passado, Antoine Semenyo, então ao serviço do Bournemouth, projetou De Cuyper contra os painéis publicitários, lesionando o joelho do lateral do Brighton na sua época de estreia na Premier League. Passou grande parte do resto da temporada no banco, mas poderá ainda assim ser um jogador importante para a Bélgica neste Mundial. Durante anos a Bélgica teve de improvisar defesas-centrais nas alas, como Jan Vertonghen e Thomas Vermaelen, mas com De Cuyper encontraram finalmente um lateral-esquerdo de raiz que também oferece uma ameaça ofensiva e faro pelo golo. O jovem de cabelo encaracolado natural de Knokke é um produto puro do Club Brugge, com uma forte aversão ao seu maior rival. «No jardim de infância, quando tinha apenas três anos, recusou-se a pintar o desenho de uma ameixa», contou a mãe ao Nieuwsblad — tudo porque o roxo era a cor do Anderlecht. A refeição favorita de De Cuyper antes de um jogo? Salsicha com puré de maçã e batatas.
18. JOAQUIN SEYS
Data de nascimento: 28 de março de 2005
Clube: Club Brugge
Posição: Lateral
O sucessor de Maxim De Cuyper no Club Brugge, com caracóis loiros em vez de castanhos. Quando era miúdo, Seys gostava de andar de skate, apesar de todos os cortes e nódoas negras, mas optou por se dedicar inteiramente ao sonho de ser futebolista. Por volta dos 15 anos faltava-lhe força, mas os treinadores apoiaram-no, reconhecendo que era um atleta de desenvolvimento tardio — e ele foi ganhando força ano após ano, acabando por garantir o seu primeiro contrato profissional. E embora seja esquerdino, depressa se afirmou como um excelente lateral-direito. Poder-se-ia assumir que o seu nome é uma homenagem ao famoso ator Joaquin Phoenix, mas na verdade vem de Joaquín Cortés, um bailarino espanhol de flamenco. A explicação foi dada pelo seu pai, com quem partilha uma ligação muito forte. Ambos têm as palavras «sempre con voi» tatuadas no corpo, que em italiano significa «sempre convosco».
25. NATHAN NGOY
Data de nascimento: 10 de junho de 2003
Clube: Lille
Posição: Defesa
Antigo avançado
Ngoy começou como avançado na academia do Anderlecht, onde marcar golos era algo natural. E esse instinto continua lá. No final de fevereiro, viveu uma semana de sonho. Na Liga Europa, o belga com raízes congolesas saltou do banco no prolongamento contra o Estrela Vermelha e marcou o golo da vitória que apurou o Lille. Apenas alguns dias mais tarde, voltou a faturar, apontando o golo decisivo aos 94 minutos contra o Nantes, após assistência de Thomas Meunier. A sua conversão em defesa aconteceu na academia, quando os treinadores perceberam que a sua velocidade e técnica funcionariam bem no setor recuado. Aos 16 anos saiu para o rival Standard e estreou-se como profissional em 2021, marcando o seu primeiro golo como sénior numa reviravolta por 3-2 contra o… Anderlecht. Agora no Lille, clube ao qual se juntou no ano passado, tornou-se rapidamente numa peça-chave. Também pode alinhar como lateral quando necessário.
24. AMADOU ONANA
Data de nascimento: 16 agosto de 2001
Clube: Aston Villa
Posição: Médio-defensivo
Uma força da natureza no meio-campo
Onana poderia ter ganho a Taça das Nações Africanas este ano, uma vez que nasceu no Senegal e só se mudou para Bruxelas aos 11 anos. Mas jogou sempre pela Bélgica, onde é conhecido como um jogador vistoso, inclusivamente fora das quatro linhas. Uma vez apresentou-se ao serviço da seleção nacional com uma saia masculina. «A moda é um território onde encontro expressão e criatividade», afirma. «Gosto de experimentar visuais diferentes e até já me aventurei a desenhar as minhas próprias peças. A moda, tal como o futebol, é uma forma de me ligar às pessoas e partilhar uma parte de mim com o world». No relvado, é o Marouane Fellaini da sua geração, não apenas por ter jogado no Everton, mas também por ser uma autêntica força da natureza. E o melhor está para vir. «Um dia, vou jogar num dos cinco maiores clubes do mundo», garantiu ao La Dernière Heure. Quem diria? Certamente não as pessoas do Anderlecht ou do Zulte Waregem, onde o seu talento foi ignorado. Foi graças à sua irmã e empresária, Melissa, que deu nas vistas. Ela comprou uma câmara de vídeo para filmar o irmão nos treinos e enviou as imagens para inúmeros clubes europeus.
23. NICOLAS RASKIN
Data de nascimento: 23 de fevereiro de 2001
Clube: Rangers
Posição: Médio
Quando Rudi Garcia assumiu o cargo de selecionador da Bélgica, tirou um coelho — ou deveríamos dizer um Raskin — cartola. O então jogador do Rangers, de 24 anos, nunca tinha sido convocado, mas do nada tornou-se de imediato num esteio do meio-campo — tal como o seu antigo treinador Hein Vanhaezebrouck previra na sua coluna no Nieuwsblad, seis anos antes: «Um dia ele será um titular indiscutível na seleção nacional». Apesar de ser cerca de 15 centímetros mais baixo do que Amadou Onana, Raskin marcou, ainda assim, cinco golos de cabeça nas duas últimas temporadas e compensa a falta de estatura com toneladas de energia e pés rápidos. Sempre foi um pequeno pitbull, sendo apelidado de «The Raskinator» no Standard, mas foi Philippe Clement quem o ajudou a melhorar taticamente: «O Nico era um bombeiro. Ia muitas vezes apagar fogos noutros lados, o que criava problemas na sua própria zona», revelou ao HLN. «Agora já não faz isso.»
6. AXEL WITSEL
Data de nascimento: 12 de janeiro de 1989
Clube: Girona
Posição: Médio-defensivo
Veterano
O Diabo Vermelho mais velho do grupo. Witsel estreou-se pela seleção em 2008, quando o seu colega de equipa Nathan De Cat nem sequer tinha nascido. Witsel tem agora 37 anos, mas continua de pedra e cal graças à sua ética de trabalho que, segundo o seu pai Thierry — com quem gere uma academia de futebol —, é «semelhante à de Cristiano Ronaldo». Nos últimos anos, Witsel também começou a cortar nos hidratos de carbono à noite e usa uma pulseira WHOOP para monitorizar as suas corridas, o sono e a saúde em geral. Esteve quase três anos sem jogar pela Bélgica para se focar na carreira de clube, mas admitiu ter-se arrependido dessa decisão. Espera-se que desempenhe um papel fulcral este verão, embora mais fora do campo do que dentro dele. Se tiver mais minutos do que o previsto, no entanto, poderemos admirar as suas famosas tatuagens mais uma vez. Além do terço no peito, os seus braços estão agora totalmente cobertos de tinta, incluindo os nomes dos filhos e a imagem de um leão a rugir.
8. YOURI TIELEMANS
Data de nascimento: 7 de maio de 1997
Clube: Aston Villa
Posição: Médio
Força criativa
Este ano Tielemans celebra o seu 10.º aniversário como Diabo Vermelho. Os adeptos belgas ainda se lembram dele, com 18 anos, na sua cerimónia de praxe na seleção a cantar Cheerleader, de Omi, em frente aos companheiros. E agora, no seu quinto grande torneio, quer assumir um papel de destaque pela primeira vez. E deve fazê-lo, uma vez que Rudi Garcia o nomeou capitão, o que é uma honra considerável com Thibaut Courtois, Kevin De Bruyne e Romelu Lukaku também no plantel. Tielemans foi, no entanto, a escolha menos polémica: não só fala neerlandês e francês fluentemente, como é adorado por quase toda a gente. Além dos seus pés fantásticos — marca golos de bandeira com ambos, como o seu inesquecível golo da vitória pelo Leicester na final da Taça de Inglaterra em 2022 contra o Chelsea —, coloca sempre a equipa em primeiro lugar. Histórias negativas? Não vão encontrar nenhuma. Também nunca fala da sua vida privada, pelo que demorou algum tempo a confirmar-se que tem agora três filhas em vez de duas.
20. HANS VANAKEN
Data de nascimento: 24 de agosto de 1992
Clube: Club Brugge
Posição: Médio-ofensivo
Colecionador de camisolas
Vanaken gosta de colecionar coisas. O criativo já tem seis títulos belgas (com o Club Brugge) e três Botas de Ouro para melhor jogador da liga belga, mas a sua coleção de camisolas de futebol é igualmente impressionante. Tem cerca de 350, muitas delas conseguidas através de trocas com adversários. Falta-lhe uma, no entanto: a camisola da seleção de Lionel Messi. Já conseguiu uma do "astro" dos tempos em que jogou contra o Paris Saint-Germain. «Tenho de agradecer ao nosso presidente, Bart Verhaeghe, que foi ao balneário deles», contou à Sporza. Mas a camisola azul e branca da Argentina de Messi está no topo da sua lista de desejos. Será que se vão cruzar neste Mundial? Uma coisa que ele não gosta de colecionar são cartões amarelos e vermelhos, mas adora jogar cartas com os companheiros de equipa durante as viagens para os jogos fora. Saberá o que fazer durante os longos voos nas semanas que se avizinham.
7. KEVIN DE BRUYNE
Data de nascimento: 28 de junho de 1991
Clube: Nápoles
Posição: Médio
Estrela global
O que têm em comum Jamal Musiala, Gavi e Anthony Gordon? Todos jogaram na KDB Cup, o prestigiado torneio juvenil que já conta com 10 anos, batizado com o nome de (e apoiado por) Kevin De Bruyne. Os seus próprios anos de juventude — quando fugia frequentemente dos treinos devido a discussões com os treinadores, apoiava o Liverpool e fez testes no Arsenal — parecem agora muito distantes. Chega a este Mundial com o estatuto de veterano, uma lenda do Manchester City com 422 jogos, 108 golos e 19 troféus, e um dos últimos membros da "geração de ouro" da Bélgica. Certamente espera ter um desempenho melhor do que no Mundial anterior. Caso contrário, voará de regresso a casa no seu 35.º aniversário, já que este calha logo após o jogo contra a Nova Zelândia. Mas aconteça o que acontecer, o futuro da família parece risonho, após terem surgido imagens do seu filho de sete anos, Rome, a marcar alguns golos com a assinatura do pai no Real Casarea, um clube da zona de Nápoles.
11. JÉRÉMY DOKU
Data de nascimento: 27 de maio de 2002
Clube: Manchester City
Posição: Avançado
Bala supersónica
Quantas vezes veremos Doku fazer o «Griddy» (a sua celebração de dança característica) no Mundial? Os adeptos belgas não o viram tantas vezes quantas gostariam na época passada, mas, com cinco golos e três assistências, o velocista e driblador prolífico continuou a ser um dos jogadores mais importantes na fase de qualificação. Se não se lesionar e jogar bem, os adeptos terão certamente direito a mais um episódio do seu «dokumentary» no YouTube; episódios anteriores incluíram debates sobre a sua fé e visitas ao Gana, onde nasceram os seus pais. O seu pai, de resto, já era bem conhecido devido a uma história que contou sobre a altura em que o seu filho, então nas camadas jovens do Anderlecht, visitava o complexo de treinos do Liverpool antes de uma eventual transferência. O pai revelou ao Nieuwsblad que, durante a visita, a comitiva do Liverpool parecia tensa: «Estávamos a falar do Chelsea com bastante frequência. O Liverpool tinha medo que o Jérémy assinasse por eles. Mas nós estávamos apenas a falar da nossa filha mais nova. O nome dela é Chelsea.»
10. LEANDRO TROSSARD
Data de nascimento: 4 de dezembro de 1994
Clube: Arsenal
Posição: Avançado
Há dez anos, Trossard era despromovido à segunda divisão belga com o OH Leuven. Uma década depois, é um jogador de Mundial que acaba de conquistar a Premier League. Não é imune a críticas, contudo, com a imprensa e os adeptos belgas a dizerem frequentemente que ele não rende ao mesmo nível pela seleção do que pelo clube. Numa conferência de imprensa em outubro, por exemplo, um jornalista chegou a dizer-lhe que ele parece sempre menos feliz quando está com a seleção. Trossard sorriu, exibiu os dentes brancos e rebateu: «Não faço ideia de onde vem isso. Estou sempre feliz quando estou em campo». Espera demonstrar isso mesmo no Mundial e, se abanar as redes, fiquem atentos à sua celebração com os óculos imaginários. Atenção também a quaisquer jogos da Bélgica arbitrados pelo francês Clément Turpin, que é o sósia perfeito de Trossard.
17. CHARLES DE KETELAERE
Data de nascimento: 10 de março de 2001
Clube: Atalanta
Posição: Avançado
Campeão flamengo de ténis aos dez anos, De Ketelaere poderia ter seguido as pisadas do seu ídolo Roger Federer. Felizmente para os adeptos belgas, fez uma escolha diferente. Explicando como tomou a decisão em jovem, disse ao Nieuwsblad: «Ter sempre aulas privadas com um treinador adulto ou jogar com os teus amigos: o que é que achas que um rapaz dessa idade prefere?». A sua personalidade no ténis era pautada pela agressividade, sendo repreendido por praguejar e partir raquetes. No futebol, não podia ser mais diferente, sendo frequentemente visto como o genro ideal. Talvez a sua natureza descontraída tenha sido uma das razões pelas quais, apesar do seu talento e de três títulos com o Club Brugge, não tenha singrado no Milan, onde a concorrência e a pressão são enormes. Em 40 jogos não marcou um único golo. Na Atalanta, contudo, o polivalente avançado desempenha um papel inteligentíssimo e já conta com uma medalha de vencedor da Liga Europa no currículo.
9. ROMELU LUKAKU
Data de nascimento: 13 de maio de 1993
Clube: Nápoles
Posição: Avançado
Máquina de golos
Há avançados que não marcam 89 golos em toda a sua carreira. Lukaku chegou a este Mundial com 89 golos apontados apenas pela sua seleção. É mais do que o dobro de qualquer outro jogador belga — e a razão pela qual a sua alcunha «Big Rom» não é apenas uma referência aos seus imponentes 1,91 metros. Neste torneio estará numa missão. Há quatro anos, no Qatar, não estava na plenitude da forma física e falhou algumas oportunidades flagrantes após saltar do banco contra a Croácia. «Depois disso, nas férias, passei uma semana inteira a chorar todos os dias», confessou mais tarde no Koolcast. Além dos seus filhos Jordan e Romeo, foi o lendário Thierry Henry, antigo adjunto da seleção nacional, quem lhe deu o apoio psicológico de que precisava. Na época passada, Lukaku teve a sua quota-parte de azar com uma lesão na coxa, que levou a um desentendimento com a equipa técnica e a direção do Nápoles, visto que o avançado optou por realizar grande parte da sua recuperação em Antuérpia. Mas mesmo sem muitos minutos somados em 2025/26, os defesas continuarão a temer a sua força e eficácia.
22. ALEXIS SAELEMAEKERS
Data de nascimento: 27 de junho de 1999
Clube: Milan
Posição: Avançado
Polivalente
Saelemaekers somou a sua primeira internacionalização em 2020, mas foi preterido em todos os grandes torneios desde então, uma das vezes devido a lesão. No entanto, convenceu plenamente Rudi Garcia do seu valor, tendo falhado apenas um jogo durante a qualificação para o Mundial. Não foi surpresa, pois acabou de realizar a sua melhor época de sempre ao serviço do Milan. Extremo-direito que também pode alinhar como lateral ou ala, foi praticamente totalista na equipa milanesa e assinou um novo contrato de cinco anos — uma autêntica reviravolta depois de ter sido emprestado ao Bolonha e à Roma nas duas épocas anteriores. O guarda-redes Asmir Begovic, que estava emprestado ao Milan em 2020 quando contrataram Saelemaekers, falou recentemente sobre a autoconfiança do avançado, contando ao Talksport como ele se poderá ter entusiasmado um bocado nos primeiros tempos em Itália. «Nos primeiros dias após chegar ele era sossegado, mas duas semanas depois apareceu no clube com o seu Porsche novo. A primeira coisa que o Zlatan Ibrahimović fez foi tirar-lhe as chaves. Disse-lhe: «Ouve, vais levar este carro de volta para o stand. Se não o fizeres, trato eu disso».
14. DODI LUKÉBAKIO
Data de nascimento: 24 de setembro de 1997
Clube: Benfica
Posição: Avançado
«Estou tão grato. Depois do meu primeiro golo até chorei», disse após a sua exibição sublime contra os EUA, no final de março. «Isto significa tanto para mim». A reação emotiva explica-se pelo facto de o extremo ter sofrido uma fratura no tornozelo, que arruinou metade da sua época de estreia no Benfica e o deixou a temer que ficasse de fora do seu primeiro grande torneio. Mas tudo correu pelo melhor e alcançou agora o maior palco do futebol. Agora o mundo saberá quem é o Dodi, embora subsistam dúvidas sobre a origem do seu nome. Segundo a mãe, refere-se a Dodi Fayed, que morreu num acidente em Paris ao lado da Princesa Diana menos de um mês antes do nascimento de Lukébakio. Mas segundo o pai, Dodi significa Don de Dieu, que em francês quer dizer «Dádiva de Deus». Esta última explicação agrada-lhe mais, dado ser um homem muito religioso.
19. DIEGO MOREIRA
Data de nascimento: 6 de agosto de 2004
Clube: Estrasburgo
Posição: Avançado
Moreira corre-lhe nas veias sangue de futebol puro. O seu pai, Almani Moreira, foi um dos favoritos dos adeptos do Standard de 2001 a 2006, e o seu avô materno, Helmut Graf, também jogou por eles entre 1976 e 1982. Nascido em Liège, fez a sua formação no Standard, mas saiu aos 16 anos para o Benfica, onde esteve em plano de grande destaque na campanha vitoriosa da UEFA Youth League. Mais tarde estreou-se pela equipa principal, mas recusou a renovação de contrato e saiu, passando pelo Chelsea e pelo Lyon antes de encontrar estabilidade no Estrasburgo, na Ligue 1. A nível internacional, representou Portugal nos escalões de formação até aos sub-21, antes de optar pela seleção AA da Bélgica. É visto como um executante moderno e polivalente que pode atuar como extremo ou recuar para a posição de lateral em ambos os flancos.
26. MATIAS FERNANDEZ-PARDO
Data de nascimento: 3 de fevereiro de 2005
Clube: Lille
Posição: Avançado
Chamada surpresa
«O meu coração pertence a Espanha. Se tenho a certeza sobre por quem quero jogar? Sim, Espanha. Absolutamente seguro.» Estas foram as palavras de Fernandez-Pardo à Marca em 2024. No entanto, surgiu agora como inclusão surpresa na convocatória da Bélgica para o Campeonato do Mundo, com Rudi Garcia a preferi-lo em detrimento de Loïs Openda, que teve muito pouco tempo de jogo. Fernandez-Pardo cresceu na Bélgica, filho de pai espanhol e mãe italiana – o que significa que Itália também era uma opção para o seu futuro internacional. Aos 15 anos, trocou o Lille pelo Gent. «Ele jogava como Eden Hazard, mas sem definição», recordou o seu antigo treinador, Hein Vanhaezebrouck. «Mostrei-lhe vídeos do Real Madrid, onde Vinícius Júnior muitas vezes se move de avançado para a ala esquerda para se dar ao jogo. O Matias assimilou isso e tornou-se imparável dessa forma.» O Lille pagou 10 milhões de euros no verão passado para o trazer de volta ao norte de França. Inicialmente jogou na ala, mas desde março tem sido utilizado em zonas centrais. Com cinco golos e três assistências, o veloz avançado empurrou Olivier Giroud para fora do onze inicial.
Textos de Pieter-Jan Lesage e David Van den Broeck, do Het Nieuwsblad. Estes textos foram escritos no âmbito da Guardian Experts' Network, a rede de troca de conteúdos para o Mundial 2026, liderada pelo jornal inglês The Guardian e que tem A BOLA como representante português, e foram traduzidos com recurso a Inteligência Artificial.