«Muito dificilmente a janela decisiva para o Mundial de basquetebol escapará a Luanda»

A confiança de Moniz Silva, presidente da federação, numa entrevista onde aborda até o tema Carlos Morais

Em entrevista à Rádio Marginal, o presidente da Federação Angolana de Basquetebol, Moniz Silva, admitiu que a decisão sobre a sede da próxima e decisiva janela de apuramento para o Campeonato do Mundo ainda está em aberto, com a Costa do Marfim, os Camarões e o Egipto também na corrida. «Vamos formalizar a nossa candidatura, que não é a única, mas muito dificilmente não passará por Luanda», disse sem esconder a confiança. Confiança, mas passada das bancadas para o campo, é o que pretende trazendo a derradeira janela para o solo angolano. «O apoio do público ajuda, claro. Vimos quando ganhámos o Afrobasket», recordou Moniz Silva.

Apesar de defender Luanda como sede, o presidente da federação não quis que essa aposta soasse a receio no apuramento, já que «uma equipa do nível de Angola não precisa de jogar em casa para vencer, tem de querer ganhar sempre», sublinhou, citando o exemplo do Senegal. Uma selecção que entrou na prova a pensar em vencer os três jogos e acabou a perder com o Egipto, tal como aconteceu à própria Angola, derrotada em casa pelos egípcios.

Olhando para trás, Moniz Silva não escondeu que o caminho até ao título africano foi tudo menos tranquilo. «Havia instabilidade e muitos problemas no basquetebol», admitiu, traçando um paralelo com o percurso mais recente da seleção. «No Ruanda já fomos para ganhar, mas não aconteceu. Fomos ao Mundial já com a perspectiva de criar um conjunto de condições para ganhar o Afrobasket 2025.» 

Sobre o actual selecionador, fez questão de destacar uma curiosidade. É hoje o único selecionador de Angola que não está ou esteve ligado a qualquer clube do país. E se o título sénior já está na vitrina, falta o resto da casa. «O nosso foco é voltar a ganhar nos sub-14, sub-16 e sub-18, para alimentarmos as seleções nacionais seniores, porque esta foi a única seleção de Angola a ganhar o Afrobasket sem campeões da formação», reconheceu. E resumiu o dilema com uma imagem simples. «Começámos a construir a casa pelo teto. Ganhámos em seniores, mas não ganhamos nas camadas jovens.»

Há, garante, trabalho a decorrer por trás das câmaras. «Temos feito coisas que ninguém fala. Digitalizámos a Federação toda. Temos informações para ajudar o governo a tomar melhores decisões. Vamos começar o controlo das idades mais cedo, a partir dos sub-12, para evitar a adulteração», comentou.

A entrevista não fugiu ao tema Carlos Morais... Moniz Silva explicou que o jogador pediu dispensa para duas janelas e, a partir daí, deixou de contar para o selecionador, mas garantiu que, enquanto presidente, nunca interferiu nessa decisão. E sobre uma eventual homenagem da FAB ao internacional, foi direto. «Se isso acontecesse, a federação teria de homenagear também muitos outros jogadores da mesma geração, que deram tanto como Carlos Morais ao basquetebol angolano». 

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