Francesco Farioli, treinador do FC Porto - Foto: IMAGO

«Modo voo», a «boutique muito cara» e «pressão indireta»: tudo o que disse Farioli

Treinador do FC Porto fez o lançamento da visita de sábado ao reduto do Académico de Viseu

Líder isolado do campeonato, o FC Porto desloca-se este sábado (18h00) ao Estádio do Fontelo, casa do Académico de Viseu. Na antevisão do encontro, o mercado de transferências voltou a ser tema premente na intervenção de Francesco Farioli, que, até ao final da partida com os viriatos, quer os telemóveis em «modo voo».

O treinador campeão nacional também fez eco das palavras de André Villas-Boas, que se referiu ao FC Porto como «uma loja muito cara», comentou a observação de Bruno Pinheiro sobre a arbitragem e confirmou que Martim Fernandes está a postos para a partida de Viseu.

— Que perigos encontra neste Académico de Viseu?

— Sobre o Académico, são uma equipa que tem uma identidade própria e creio que provaram isso em todos os jogos que disputaram até agora. É uma equipa muito corajosa com e sem bola, que gosta de pressionar muito alto. É uma equipa que tem capacidade para ter também bons momentos com bola e acho que, no geral, é muito bem organizada. Neste momento, são também uma ameaça nas bolas paradas, já marcaram três golos em lances de bola parada. Portanto, temos muitos desafios diferentes pela frente. Será definitivamente um jogo que exigirá a nossa melhor versão.

— Que análise faz ao sorteio da fase de liga da Champions League?

— Sim, estivemos aqui a assistir ao sorteio da Liga dos Campeões. Foi bom conhecer as equipas que vamos enfrentar, mas penso que não há grandes comentários a acrescentar porque muitas equipas ainda estão em fase de construção. Temos de esperar que todos fechem o mercado e, a partir daí, teremos uma consideração mais precisa.

— O Fofana acaba por ser um reforço já conhecido. Já está pronto para jogar ou ainda vai precisar de tempo?

— O Seko é, naturalmente, um jogador que conhecemos bem. Deixou memórias muito boas a todos nós. Agora estamos numa nova época, ele voltou e precisará de alguns dias para ficar na forma ideal. Amanhã [sábado] não fará parte do plantel. Ele veio para ajudar, com a mentalidade certa, com a atitude certa e para ajudar a equipa o máximo que puder.

— Bruno Pinheiro pediu uma arbitragem sem polémicas, que não prejudicasse o Ac. Viseu. Entende essas declarações como uma forma de fazer pressão?

— Creio que faz parte, por vezes, das estratégias de jogo tentar criar um pouco de pressão indireta. O Bruno é uma pessoa que dá tudo, tem uma mentalidade de topo, é um vencedor, quer ter cada pequeno elemento a seu favor. Por isso, acho que ele fez o que tinha de fazer da sua parte... Mas creio que não é necessário dizer que todos esperamos, como sempre, decisões justas e, depois disso, que sejam as equipas em campo a decidir o melhor resultado.

— Viu a estreia de Rodrigo Mora pela Roma?

— Sim, vi o jogo. Ele esteve muito bem e estou muito feliz pela estreia dele na Roma.

— Depois das declarações de André Villas-Boas sobre o mercado, questiono: o FC Porto continua a querer reforçar a posição de ponta de lança e, se sim, Santiago Giménez continua a ser alvo?

— Penso que o presidente ontem [quinta-feira] deu uma análise bastante extensa sobre a situação. Não tenho grandes atualizações para fazer sobre o mercado. Falámos ontem à noite, mas esta manhã não houve novidades. Portanto, a situação é exatamente a mesma que ele descreveu ontem.

— Já conta com Martim Fernandes para este jogo?

— Sim, o Martim está de volta.

— Tem-se falado muito sobre Santiago Giménez. Contudo, se não chegar um reforço para o ataque, André Silva e Deniz Gul dão-lhe totais garantias?

— Estamos numa situação em que o Samu vai precisar de mais algumas semanas para estar de volta à equipa. No final, nunca se trata apenas da posição de ponta de lança. A minha forma de pensar é sobre como criar o puzzle que possa lidar com diferentes cenários. Às vezes, acreditamos que um jogador pode substituir outro, mas a forma como eu gosto de ver as coisas é num ângulo um pouco mais amplo. Por vezes, precisas de uma substituição direta, outras vezes precisas de um jogador que te possa ajudar em posições diferentes ou que possa cobrir várias posições e que tenha a versatilidade para jogar em funções distintas. Portanto, internamente, mais uma vez, tudo está muito claro. Depois, o que seremos capazes de fazer dependerá, obviamente, de muitos fatores e circunstâncias. Como sabem, os últimos dias de mercado são sempre uma loucura, muitas coisas podem acontecer. Mas o facto de estarmos a aproximar-nos do fim do mercado não deve desviar o nosso foco do jogo de amanhã, porque espero um jogo muito difícil em Viseu, contra uma equipa que certamente dará a vida para conquistar pontos. Para nós, é um passo enorme ir lá e conseguir o resultado que queremos.

— Em termos físicos, há mais alguma novidade além do Martim Fernandes?

— Eu diria que, à parte do Samu e do Oskar [Pietuszewski], os outros estão de volta à equipa. Também o Cláudio [Ramos] recuperou nos últimos dias.

— O Borja tem estado bem nos últimos jogos. Olha para ele também como um reforço?

— Sobre o Borja, creio que é um jogador que, na segunda parte da época passada, viveu uma situação pessoal muito difícil que, naturalmente, afetou o seu estado de espírito. No entanto, ele trabalhou sempre arduamente, mas sabem que para ter rendimento é preciso estar no nosso melhor em todos os momentos... Ele é um rapaz fantástico, que trabalha muito, com muito respeito pela equipa e pelos colegas. Ele aceitou também, na segunda parte da época, jogar um pouco menos do que no início, onde foi um dos jogadores que mais atuou. Esteve sempre com a mentalidade certa, à espera do seu momento e da sua oportunidade. Acho que o que ele está a fazer desde que voltámos é bastante assinalável. Marcou golos em jogos amigáveis, marcou dois golos nos últimos dois jogos — dois golos muito bons. Teve outras boas oportunidades, mas, acima de tudo, manteve este desejo de ajudar a equipa, de estar lá para ajudar. Creio que é mais uma prova de que, quando se trabalha arduamente, mais cedo ou mais tarde, recebe-se de volta o que se merece. Aconteceu com o Nehuén, está a acontecer com o Borja. Estamos sempre felizes quando os jogadores que estão a colocar tanto esforço em campo são recompensados. Primeiro com os resultados da equipa, que é o mais importante, mas também com gratificação pessoal.

— Têm surgido notícias de Deniz Gul e Froholdt. Gostava que os últimos dias de mercado fossem mais calmos?

— Mencionou nomes sobre os quais talvez tenha mais notícias do que eu... Creio que a situação é bastante clara em relação aos jogadores que estão no plantel. Sabemos também o preço que está fixado caso alguém queira vir buscá-los. Como sabem, o FC Porto é uma boutique bastante cara para se fazer compras. Vamos ver nos últimos dias. O que agora realmente importa para mim é ir amanhã com a abordagem correta e apenas pensar no jogo. Por isso, de agora até amanhã às 23h00, o meu telemóvel estará em modo avião. Depois disso, na segunda-feira, todos teremos 48 horas com o telemóvel ligado para ouvir as últimas notícias do mercado.

— A exibição com o Arouca foi muito elogiada. Dá-lhe um gosto diferente olhar para a jogada do 2-0, por exemplo?

— No final, às vezes o jogo parece um pouco mais aberto ou mais divertido de ver por causa da abordagem do adversário. O Arouca foi um pouco mais conservador do que o habitual na primeira fase do jogo. Mas depois mudaram a mentalidade e tiveram de tentar recuperar o resultado, por isso começaram a abrir alguns espaços que conseguimos explorar bastante bem. O jogo tornou-se um pouco mais agradável de ver devido às oportunidades e ao espaço. Não foi necessária uma grande paciência porque o espaço, a certa altura, apareceu e encontrámos a abordagem certa. Noutros jogos, quando encontras uma equipa que está a defender muito, muito baixo, é normal que às vezes o jogo fique bloqueado e a paciência tenha de assumir o controlo. Consigo imaginar que, por vezes, seria mais agradável ver coisas diferentes, mas temos muito claro o que queremos fazer. Estamos aqui para ganhar jogos, para tentar ganhar jogos à nossa maneira: com controlo, sem conceder golos — o que foi e será a chave para continuarmos a ganhar — mas também sempre com a nossa identidade, que é atacar da forma correta, com a paciência certa, com a tomada de decisão correta, sem ficarmos loucos se não encontrarmos uma oportunidade nos primeiros 45 minutos. Sobre o último jogo, creio que estivemos bastante bem. O que eu realmente gostei foi do nível de energia que colocámos na primeira parte, porque tivemos 30 minutos de pressão total para desbloquear o jogo. Acho que o jogo foi bastante positivo, à exceção dos últimos cinco ou seis minutos, onde concedemos algumas oportunidades que eu preferia ter evitado.

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