Milhares de manifestantes em protesto pelo direito a uma habitação junto ao parlamento - Foto: Filipe Amorim/LUSA
Milhares de manifestantes em protesto pelo direito a uma habitação junto ao parlamento - Foto: Filipe Amorim/LUSA

Milhares de manifestantes em protesto pelo direito a uma habitação junto ao parlamento

Protesto decorreu em simultâneo com o arranque da discussão na generalidade da proposta governamental do Orçamento do Estado para 2027

Milhares de cidadãos reuniram-se junto à Assembleia da República numa grande manifestação pelo direito à habitação, que juntou a plataforma Casa Para Viver e o movimento responsável pela Acampada de Lisboa, no Rossio. O protesto decorreu em simultâneo com o arranque da discussão na generalidade da proposta governamental do Orçamento do Estado para 2027 (OE2027) no hemiciclo.

No centro das reivindicações dos manifestantes estão medidas concretas para o setor habitacional: a reversão da nova lei do arrendamento, a interrupção imediata de despejos e demolições sem alternativa de alojamento, o travão à compra de casas por fundos imobiliários, a recuperação de imóveis devolutos, o reforço significativo do parque habitacional público e a fixação de tetos «verdadeiramente acessíveis» para os valores das rendas.

Entre a multidão, multiplicavam-se mensagens e cartazes com palavras de ordem como «Mais salário, menos porrada», «todos precisam de um teto, até as tendas. Rua Luís», «a juventude precisa de uma casa para viver» e «somos mansos mas não somos tansos».

A mobilização contou igualmente com momentos culturais, iniciados com um coro improvisado a entoar canções de intervenção e palavras de ordem como «25 de Abril sempre» e «estamos juntos, estamos fortes». A cantora Marisa Liz abriu um conjunto de atuações solidárias ao interpretar «O pintor morreu», de Zeca Afonso, deixando mensagens contundentes ao público e às forças de segurança presentes nas imediações do parlamento.

«Estamos numa luta justa, sem violência», afirmou a artista, dirigindo um apelo de «Juntem-se» aos agentes da autoridade que desciam a escadaria da Assembleia da República. Marisa Liz sublinhou ainda que «o nosso país não está à venda», defendendo a mobilização popular nas ruas para além do ato eleitoral, uma vez que «um país não se governa só com o Governo» e é legítimo «influenciar as decisões no decorrer de cada mandato».

Esta concentração surge no rescaldo dos incidentes ocorridos na madrugada de domingo, altura em que a PSP recorreu a bastonadas e cães para dispersar manifestantes acampados em Lisboa e no Porto.

A intervenção policial esteve na origem de críticas duras por parte dos partidos de esquerda, que exigiram esclarecimentos ao primeiro-ministro e apelaram à intervenção do Presidente da República. Na sequência dos acontecimentos, a Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI) instaurou um processo de averiguações e a Provedora de Justiça solicitou com carácter de urgência explicações à PSP.

Confrontado com a situação, o Presidente da República, António José Seguro, apelou ao diálogo «e nunca à violência», admitindo o desagrado perante as imagens divulgadas e sublinhando que se encontra a aguardar a conclusão dos inquéritos à atuação da polícia.

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