Messi levado a tribunal... por falhar particular
Lionel Messi e a Associação de Futebol Argentino (AFA) foram alvo de um processo judicial nos Estados Unidos, depois de o astro do Inter Miami não ter participado num jogo particular da seleção no ano passado.
A queixa, com dez acusações, foi apresentada num tribunal do sul da Flórida pela VID Music Group, uma empresa de eventos sediada em Miami. Em causa está a ausência de Messi no jogo particular da Argentina contra a Venezuela, em outubro, no Hard Rock Stadium, em Miami, um evento organizado e promovido pela VID.
Messi é acusado de conspirar com o agente Julian Marcos Kapelan e com a AFA para levar a VID a celebrar contratos com a federação argentina «sob falsos pretextos». O jogador enfrenta ainda acusações de declarações negligentes e interferência ilícita em contrato.
Por sua vez, a AFA é acusada de declarações negligentes e de várias quebras de contrato, não só relativas ao jogo com a Venezuela, mas também a um outro encontro contra Porto Rico e a um par de jogos propostos para junho de 2026 nos EUA. Já o agente Kapelan é acusado de fraude.
A AFA já reagiu, afirmando que irá «defender-se vigorosamente» e que «procurará o pagamento dos milhões de dólares que lhe são devidos pelas mesmas partes que apresentaram este processo».
O pomo da discórdia é o jogo contra a Venezuela, que a Argentina venceu por 1-0, agendado para 10 de outubro, durante uma janela internacional da FIFA. No entanto, ao contrário de muitas ligas europeias, a MLS não parou para os compromissos das seleções em outubro. No dia seguinte, a 11 de outubro, Messi foi titular e marcou dois golos na vitória do Inter Miami por 4-0 sobre o Atlanta United.
Dois dias depois, o jogador de 38 anos alinhou pela Argentina contra Porto Rico, fazendo duas assistências na goleada por 6-0, num jogo também organizado pela VID. Esta partida foi transferida de Chicago para o Chase Stadium, em Fort Lauderdale, devido a «agitação civil e preocupações significativas com a segurança pública» na cidade original, que afetaram a venda de bilhetes.
A VID alega que só soube da ausência de Messi na véspera do jogo com a Venezuela e que a decisão não lhe foi comunicada pela AFA. A empresa promotora afirma que a ausência do jogador afetou diretamente a afluência ao estádio, que foi de apenas 15 mil espetadores, cerca de 23% da capacidade total. A queixa refere ainda que a VID pagou o camarote onde Messi foi fotografado a assistir ao jogo com a sua família.
Segundo a empresa, o contrato estipulava que Messi deveria jogar pelo menos 30 minutos em ambos os jogos, exceto em caso de lesão ou doença, sendo a sua participação «um elemento central do valor comercial do jogo» e o «principal motor económico». A VID alega que o acordo previa o direito a receber 25% do valor do contrato caso Messi não jogasse, verba que a AFA não terá pago e diz ter sofrido perdas financeiras superiores a 1,2 milhões de euros devido à relocalização de um jogo para o Chase Stadium, a antiga casa do Inter Miami.