George Russell (à esq. na imagem) e Kimi Antonelli têm autorização da Mercedes para lutarem em pista... até decisão em contrário

Mercedes rejeita favoritismo entre Antonelli e Russell

O diretor técnico da equipa alemã, James Allison, assume motivo «estranho» para justificar a decisão: «a prioridade não é o campeonato de pilotos, mas o de construtores»

O diretor técnico da Mercedes, James Allison, rejeitou as especulações sobre um possível favoritismo entre os pilotos da equipa na luta pelo título mundial de Fórmula 1, classificando a ideia como «estranha» à cultura da equipa e justifica a posição afirmando que a prioridade para a marca alemã não é o campeonato de pilotos, mas, segundo admite, «por mais estranho que pareça», o de construtores. 

Numa iniciativa pouco comum, a Mercedes abordou os rumores que circulavam online durante o programa Nu Silver Arrows Radio Show. As acusações apontavam para um alegado tratamento preferencial tanto a George Russell como a Kimi Antonelli.

A luta entre os Mercedes foi especialmente intensa no GP do Canáda e motivou queixas de Kimi Antonelli

A Mercedes, que no passado geriu a intensa rivalidade interna entre Lewis Hamilton e Nico Rosberg, refutou tais comentários. O chefe de equipa, Toto Wolff, já tinha afirmado que não recorrerá a ordens de equipa, a menos que exista uma ameaça direta de um rival. Esta declaração surgiu após Russell e Antonelli terem perdido tempo em pista a lutar um contra o outro durante o GP de Barcelona, o que permitiu a Hamilton, da Ferrari, atacar e conquistar a vitória.

James Allison explicou que a prioridade da Mercedes é o campeonato de construtores, uma vez que é este que determina os prémios monetários, e não o de pilotos. «O nosso principal campeonato, por estranho que pareça, não é o de pilotos. É o de construtores», afirmou Allison. «Se tivermos a sorte de ganhar um bónus, ganhamos com base na posição dos construtores, não na dos pilotos. Não recebemos nada por isso. Portanto, tudo o que nos interessa está orientado para os construtores e o favoritismo não faz qualquer sentido para nós nesse aspeto. Queremos apenas o máximo de pontos de ambos os pilotos em todos os momentos».

James Allison, diretor técnico da Mercedes F1

O diretor técnico sublinhou que a equipa deseja o sucesso de ambos os pilotos de igual forma. «Queremos uma dobradinha em todas as corridas e não nos importa a ordem», acrescentou, explicando que a equipa só tomaria uma posição se um dos pilotos estivesse matematicamente fora da corrida pelo título e o outro estivesse a lutar com um piloto de outra equipa.

Atualmente, a Mercedes continuará a dar tratamento igual a Russell e Antonelli, com ambos na luta pelo título. Antonelli lidera o campeonato com 41 pontos de vantagem sobre Hamilton, enquanto Russell está apenas nove pontos atrás do companheiro de equipa. No campeonato de construtores, a Mercedes goza de uma margem confortável de 72 pontos sobre a Ferrari.

Refletindo sobre a primeira derrota da Mercedes na temporada, no GP de Barcelona, Allison considerou o fim de semana «dececionante». Apesar de um pódio, o resultado ficou aquém das expectativas após um início de época vitorioso. «O sentimento geral é de um fim de semana dececionante. OK, conseguimos um pódio sólido, mas depois de vencer todas as corridas iniciais, ter um abandono com um carro e um segundo lugar não é, definitivamente, o fim de semana que esperávamos», disse.

Mercedes garante estar preparada para lidar com rivalidade entre os seus pilotos

Allison admitiu que a equipa «não foi tão rápida quanto precisava de ser» e reconheceu que o momento do safety car virtual foi um auxílio crucial para a vitória de Hamilton. «Se o safety car virtual não tivesse saído quando saiu, provavelmente ainda teria sido uma tarefa muito difícil para o Lewis conseguir a vitória», analisou.

O responsável da Mercedes antecipa que a luta pela liderança será fortemente influenciada pela eficácia e pelo momento em que cada equipa introduzir as atualizações. «Claro que não estamos desarmados nesta luta. E, a seu tempo, o nosso carro receberá as suas próprias atualizações», garantiu a mesma fonte. «Desde que consigamos manter acentuada a curva de desenvolvimento geral na fábrica e depois a implementemos quando acharmos que é suficiente e nos convém, devemos ser capazes de restabelecer a vantagem que tínhamos no início do ano, se a nossa curva de desenvolvimento na fábrica estiver a acompanhar a de todos os outros.»

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