Mercado FC Porto: a posição de Rodrigo Mora num conclave (ainda) sem fumo branco
A saída de Rodrigo Mora do FC Porto na presente janela de transferências é um cenário que ganhou força nos últimos dias, muito por culpa da Roma, que está apostada em contratar o médio-ofensivo formado no Olival. O emblema da capital italiana abriu conversações com a SAD azul e branca, mas viu a primeira proposta oficial ser rejeitada anteontem, dia em que os campeões nacionais defrontaram o Alverca na jornada inaugural da Liga.
Os 25 milhões de euros que os giallorossi colocaram em cima da mesa de negociações ficaram muito aquém da valorização que a estrutura diretiva dos dragões faz do jogador, mas nem por isso o pretendente baixou os braços.
Como A BOLA escreveu na edição online ontem de manhã, FC Porto e Roma mantiveram aberta a via negocial e, à hora de fecho desta edição, continuavam a discutir os termos de um possível entendimento. Ao longo do dia, foram levantadas diferentes possibilidades de negócio pela Imprensa transalpina, mas, de acordo com as informações recolhidas pelo nosso jornal, ainda não tinha sido alcançada uma plataforma de entendimento entre as partes. Certo é que, nesta altura, parece haver convergência na possibilidade de ser atingida uma soma na casa dos €50 milhões, seja por intermédio da inclusão de objetivos ou de parcelamento do pagamento.
A possibilidade de venda vai mais ao encontro das pretensões do FC Porto, que, desse modo, poderá assegurar encaixe imediato numa fase crucial do mercado. A Roma, por sua vez, vai mostrando maleabilidade para escutar a SAD portista, na tentativa de encontrar uma via de concretização da transferência de Mora.
Jorge Mendes, representante do internacional sub-21 português, está ativamente envolvido no conclave negocial e, do lado do atleta, a prioridade é clara. Aos 19 anos, Rodrigo Mora gostaria de vingar no clube do coração, mas, nesta fase da carreira, quer jogar com maior regularidade, de forma a potenciar as qualidades que já mostrou de dragão ao peito e poder aspirar a um papel de relevo nas contas de Jorge Jesus, selecionador nacional. A Roma, orientada pelo experiente Gian Piero Gasperini, apresenta uma matriz tática que pode favorecer o jovem criativo — teria espaço nas costas do ponta de lança, num 3x4x3 semelhante ao que Martín Anselmi promovia no FC Porto —, e a temporada transata mostrou que a juventude não é um entrave para o técnico dos romanos, mesmo num campeonato em que a experiência é, por norma, um dos fatores-chave.
Em simultâneo, Mora nunca pareceu encaixar de forma ideal no modelo de jogo de Francesco Farioli, que favorece centrocampistas de caraterísticas mais interiores. Caso de Inbeom Hwang, reforço contratado já este verão e que pode reduzir (ainda mais) a margem de manobra de Rodrigo de azul e branco.
As próximas horas (ou dias) podem ser decisivas para o desenlace do dossiê, com o Galatasaray, da Turquia, ainda atento às movimentações que envolvem o jovem médio-ofensivo. A SAD liderada por André Villas-Boas também se mantém ativa no capítulo das entradas e o eventual encaixe resultante da provável saída de Mora pode ajudar as intenções de um FC Porto necessitado de reforços.
Jorge Jesus aprecia o perfil do criativo
Figura central nos sub-21 de Portugal, Rodrigo Mora foi convocado à seleção principal em duas ocasiões, mas não atingiu o patamar de internacional absoluto. Em junho de 2025, esteve na final four da Liga das Nações, mas acabou por não ser utilizado por Roberto Martínez; já em março deste ano, teve de ser riscado da lista para os amigáveis com México e EUA já após o anúncio dos eleitos, devido a lesão.
Agora, o objetivo do jovem criativo é claro: fixar-se rapidamente como opção habitual nas escolhas do novo selecionador, Jorge Jesus. Uma eventual mudança para a Roma, acompanhada de maior regularidade, pode ser ajuda preciosa, até porque o técnico das Quinas aprecia o perfil do criativo, que pode atuar mais pelo eixo central, nas costas do avançado.
A título de curiosidade, importa referir que Mora já defrontou a Roma duas vezes, ambas em 2024/25, no play-off da Liga Europa: no Dragão, houve empate (1-1); no Olímpico, sorriram os anfitriões (2-3).