Bednarek em ação num clássico com o Benfica - Foto: IMAGO

FC Porto: «Não uso corações vermelhos e não vamos a Lisboa»

Bednarek abriu o livro sobre a rivalidade entre os dragões e os clubes da capital, em particular com o Benfica. Rejeita comparações com Pepe e enaltece o culto do futebol na Invicta

Depois da vitória do FC Porto sobre o Alverca (2-0), no domingo, Jan Bednarek falou à Eleven Sports polaca sobre a vida no clube azul e branco, os aspetos em que cresceu desde que o representa e de que forma se vive o futebol na cidade Invicta.

A rivalidade com Lisboa e os clubes da capital foi um dos aspetos abordados. «Não posso usar corações vermelhos. É um pouco engraçado. Às vezes, se usas um coração vermelho, mesmo que tentes levar na brincadeira, sentes uma certa dose de seriedade de que não deves fazê-lo... Acho que já todos sabemos que no WhatsApp enviamos corações azuis, não falamos de Lisboa, não vamos a Lisboa, porque o Porto é fantástico e aqui somos todos felizes», atirou o central de 30 anos, destacando a «grandeza» do FC Porto.

«Acho que se vê em tudo, mesmo no dia a dia. Um ou dois dias depois da Supertaça, fui com a minha esposa a um pequeno mercado comprar peixe fresco e recebi uma ovação das senhoras mais velhas enquanto passava pelos corredores, porque tínhamos ganho. Isso mostra como as pessoas aqui vivem isto. Não só os jovens ou as famílias com crianças, mas também os mais idosos. Há este culto de apoiar a equipa, uma fé na comunidade, e sente-se isso em cada esquina», enalteceu Bednarek, garantindo que a família se sente «maravilhosa» na Invicta.

«Como se sabe, há uma pressão enorme no FC Porto, mas acho que isso nos ajuda, porque as pessoas simplesmente amam este clube, amam o Porto como cidade e dariam a vida por ele. Acho que mostramos isso em muitos momentos difíceis em campo: mesmo quando as coisas não correm bem, lutamos, somos uma equipa unida e, como se vê, isso ajuda muito a ganhar», prosseguiu o internacional polaco.

Bednarek falou, ainda, sobre os aspetos em que cresceu desde que chegou ao Dragão, no verão de 2025. «No transporte e saída de bola, com certeza. Acho que trabalhamos muito nisso, em encontrar espaços e sair sob pressão. Também no um para um na defesa. Quando pressionamos alto, ficam grandes espaços atrás e acho que o meu posicionamento está bastante bom. Ganho muitos duelos. Provavelmente também pela força, mas a maior parte vem da experiência e da astúcia no posicionamento. Pequenos detalhes que um adepto comum não notaria, mas que ajudam muito. De que lado estar do atacante, de que lado pressionar, para que pé... Se for uma posição difícil de ganhar, dar um pequeno encontrão para ele dominar a bola para três metros de distância, onde já está um colega nosso. Essas pequenas coisas ajudam e acho que, no fim de contas, se tivesse de dizer uma coisa, seria a consistência. Houve muitos jogos na época passada, joguei praticamente todos e acho que essa é a minha maior força: conseguir estar a um nível semelhante a cada três dias e não descer para um certo patamar», frisou o xerife da defesa portista.

A comparação com... Pepe

Por tudo o que dá à equipa azul e branca em termos de rendimento, mas principalmente no capítulo da liderança, Bednarek quase pode ser visto como uma espécie de sucessor de Pepe no FC Porto. Questionado sobre essa comparação, o central optou por chutar para canto, preferindo deixar o antigo capitão dos dragões sozinho no pedestal.

«Não podes comparar assim, o Pepe é um herói de culto aqui... Não se faz isso, é mau», disparou, em tom de boa disposição. «Um abraço ao Pepe, obrigado. Os nossos filhos andam na mesma escola», revelou o central polaco.

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