Caleb Yirenkyi tem apenas 20 anos e é um médio altamento cobiçado - Foto: Imago
Caleb Yirenkyi tem apenas 20 anos e é um médio altamento cobiçado - Foto: Imago

Médio ganês não sai da agenda e FC Porto tem trunfos

Caleb Yirenkyi é um 'box-to-box', versátil e internacional em ascensão. O perfil seduz Villas-Boas e Farioli, mas preço continua a ser o principal entrave e Mundial poderá inflacionar o valor. Lutar por títulos e jogar a Champions é cenário que agrada ao jogador

O FC Porto mantém Caleb Yirenkyi na agenda para 2026/27, mas o dossiê está longe de ser simples: os 30 milhões de euros pedidos pelo Nordsjaelland são, neste momento, um número proibitivo para a SAD, que só alimenta verdadeiras esperanças se o clube dinamarquês acabar por baixar a fasquia. A equação complica-se ainda mais porque o Mundial 2026 funciona como montra ideal para o médio ganês, potencialmente capaz de inflacionar o valor de mercado, em vez de o fazer descer.

Em paralelo, Caleb, que fez 20 anos em janeiro, está também no radar de vários clubes ingleses do meio da tabela, que olham para o ganês como um investimento de futuro, com margem para crescer num contexto de alta intensidade. A concorrência da Premier League representa uma ameaça real, sobretudo porque muitos desses emblemas conseguem aproximar-se mais facilmente da fasquia dos 30 milhões. Ainda assim, o FC Porto joga com trunfos que continuam a seduzir muitos talentos emergentes: ganhar títulos internos e disputar a Liga dos Campeões, numa plataforma historicamente reconhecida como potenciadora de valorização e de salto para as grandes ligas.

Neste contexto, entra em cena a arte negocial de Villas-Boas, que tenta explorar todas as margens: tempo, vontade do jogador e eventual estrutura de negócio que permita diluir o impacto imediato do investimento. No entanto, a experiência recente mostra que o mercado nórdico não é propriamente um terreno fácil. Basta recordar o caso de Froholdt, no verão passado: o Copenhaga manteve-se irredutível na exigência de 20 milhões de euros pelo médio dinamarquês, acabando por fechar a transferência precisamente nesses valores (mais 2 milhões de bónus), num sinal claro de firmeza na defesa dos seus ativos.

Do lado do campo, percebe-se por que razão o FC Porto insiste neste perfil. Caleb Yirenkyi encaixa na ideia de médio moderno que Farioli aprecia: grande raio de ação, capacidade para pressionar alto, chegar à área, ligar jogo em condução e dar intensidade nos dois lados do campo. A polivalência entre as funções de 8 e de 6, permitindo que atue como segundo médio mais adiantado ou como elemento mais recuado em construção, é outra arma que agrada à equipa técnica. Essa versatilidade oferece soluções distintas em diferentes sistemas e encaixa bem numa estrutura que procura médios capazes de interpretar várias zonas e ritmos.

As palavras elogiosas de Carlos Queiroz surgem, neste cenário, como um complemento que reforça o selo de qualidade. Após o empate a uma bola no jogo particular contra o País de Gales, o selecionador do Gana descreveu Caleb como «um jogador com grande futuro», ainda em fase de aprendizagem, mas com potencial para se tornar «um dos melhores jogadores da seleção do Gana» à medida que acumular jogos e experiência.

Esse testemunho vindo de uma figura com crédito no futebol internacional, apenas aumenta a perceção de que o ganês é um ativo com forte margem de valorização, algo que tanto atrai o FC Porto como torna mais dura a negociação. Ao mesmo tempo, no Dragão há a consciência de que o plano para o meio-campo não pode depender exclusivamente de um alvo tão complexo. Depois do fim do empréstimo de Fofana e do seu regresso ao Rennes, a SAD trabalha com o cenário de ter de encontrar um médio com características semelhantes: físico forte, capacidade de box-to-box, leitura tática e impacto nas duas áreas. Se Caleb se revelar inalcançável, o clube irá virar-se para alternativas com perfil parecido, tentando replicar o mesmo tipo de solução que ofereça a Farioli um médio capaz de ser 8 e 6 consoante as necessidades.

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