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Marrocos segue em frente, Haiti apaixona e o futebol sorri (crónica)
Quanto vale um sonho? Marrocos venceu o Haiti pelo cansaço (4-2) num duelo apaixonante, algo caótico... e muito divertido que teve o português João Pinheiro como quarto árbitro.
A leveza dos haitianos, já eliminados, mas fiéis ao futebol positivo, contrastava com a pressão dos marroquinos, que ainda sonhavam com o primeiro lugar do Grupo C. Golos precisavam-se e Mohamed Ouahbi sabia disso. O selecionador de Marrocos apostou num ataque com El Kaabi como a principal referência e poupou várias figuras das duas primeiras jornadas (Mazraoui, Bouaddi ou Ounahi).
A mudança de sistema potenciou a mobilidade do ataque, mas diminuou a eficiência da pressão e da exploração do corredor central. O Haiti, à boleia do compromisso defensivo e atrevimento no ataque, aguentou-se até ao primeiro canto do cisne.
O jogo direto era arma essencial para os haitianos contra uma equipa sem o potente Diop. Casimir, à pivot, abriu o corredor direito a Duverne, que se esqueceu das origens e correu guiado pelo sonho de assistir para o primeiro golo do Haiti neste Mundial.
Joseph a fazer o primeiro golo do Haiti neste Mundial 👏#sporttvportugal #MUNDIALnaSPORTTV #MundialFIFA2026 #Marrocos #Haiti #betano pic.twitter.com/4wJEmIa7d4
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Lenny Joseph deu um passo em frente, enganou a defesa marroquina e, com um calcanhar improvisado, festejou um golo para a eternidade. A FIFA atribuiu a autoria a Bounou, mas, na realidade, o remate certeiro pertenceu a milhares de Haitianos.
Marcado o golo, era tempo de defender para os bravos homens de Sébastien Migné. Placide negou um cruzamento com selo de golo de El Kaabi (12'), Saibari rematou para o topo norte (14') e o Haiti respirava na pausa para hidratação.
À passagem da meia hora, o cerco voltou a apertar e uma lenda emergiu. Johny Placide adornou a 85.ª e última internacionalização pelo Haiti com duas sinfonias em formas de defesas na primeira vez em que Marrocos explorou a profundidade. Hakimi e El Kaabi perderam na cara do guardião dos sonhos haitianos de 38 anos.
Dupla defesa milagrosa segurou a vantagem do Haiti... e precipitou minutos finais de loucos. Marrocos galgou dezenas de metros e passeou a bola pelos três corredores em segundos, El Khannouss bailou pela esquerda e o capitão Hakimi apareceu na grande área para empatar a partida aos 39'.
Muito mais do que um lateral direito. Hakimi é um todo-o-terreno com muito peso ofensivamente, quer na largura quer por dentro. Explorou como ninguém as costas da defesa haitiana. Com ordem para subir, começou e terminou a jogada do empate, aos 39'. Seis minutos depois respondeu a um passe longo com uma assistência de primeira sublime para o golo de Saibari. Chegada à grande área sem par entre laterais da elite.
Marrocos parecia estar a encontrar o ritmo ideal ofensivamente quando o tempo parou. O que mais podemos fazer além de aplaudir quando um país que não disputava um Mundial desde 1974 pode, finalmente, ser feliz e desferir um dos golos do torneio?
Wilson Isidor recebeu um simples passe de Duverne, mirou a baliza adversária e desferiu um foguete inacreditável para a eternidade. O Haiti desenhou a despedida de sonho que o golo marcado por Marrocos apenas três minutos depois não beliscou.
Um jogo ao rubro 🍿
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Marroco 2-2 Haiti ao intervalo!#sporttvportugal #MUNDIALnaSPORTTV #MundialFIFA2026 #Marrocos #Haiti #betano pic.twitter.com/MLFH1K8KuP
Hakimi voltou a explorar a profundidade e serviu Saibari que, de primeira, cimentou o estatuto de goleador creditado. A letalidade da estratégia ofensiva de Marrocos em profundidade adicionou mais uma camada de loucura a um hino ao futebol alegre e (caótico).
As duas equipas, talvez enfraquecidas pelo cansaço, diminuíram o ritmo na segunda parte. A defesa de alto nível de Placide a remate de El Khannouss (59') foi a exceção a uma regra de desinspiração... até aos quinze minutos finais.
Mohamed Ouahbi foi ao banco de suplentes buscar os dois obreiros do triunfo marroquino. Sofiane Rahimi precisou de apenas oito minutos em campo para ativar o instinto matador e desencadear um choro libertador.
O ponta de lança do Al Ain recebeu o esférico após um primeiro desvio de Riad, na sequência de um canto, e desferiu um remate fulminante as 78'.
Despedida bonita para o guardião de 38 anos que rubricou o 85.º e último jogo pelo Haiti. Sofreu quatro golos, mas evitou ainda mais com reflexos improváveis. Da parada a cruzamento traiçoeiro de El Kaabi (12'), à enorme defesa a livre de Hakimi a parcos minutos dos 90', sobressaiu a coragem. Dupla defesa milagrosa em poucos segundos à passagem da meia hora fica para a história.
Desfecho cruel para o Haiti, que já não teve forças para procurar mais um milagre. Em sentido contrário, Rahimi perseguiu uma bola até à linha de fundo, bateu o marcador direto e assistiu o menino de 20 anos Yassine para o golo final.
O Haiti despediu-se sem blocos baixos e com dois momentos inesquecíveis que podiam ter sido três caso Bounou não tivesse defendido um foguete de Nazon aos 90+5'. Fiéis aos príncipios até ao fim.
Ao contrário dos caribenhos, Marrocos continua em prova após ter terminado o Grupo C no segundo lugar com os mesmos sete pontos do Brasil. Os Leões do Atlas vão defrontar o vencedor do Grupo F (Países Baixos, Suécia ou Japão) nos 16 avos de final do Mundial a 29 de junho, em Monterrey, no México.