Márquez diz viver com dor permanente e que não pode dormir sobre o lado direito
O sete vezes campeão mundial de MotoGP, Marc Márquez abordou, numa entrevista recente ao canal de YouTube «Soy Blanc», a sua condição física e os sacrifícios diários que as múltiplas lesões o obrigam a fazer para se manter ao mais alto nível na competição.
O espanhol da Ducati, de 33 anos, conhecido por uma carreira marcada por várias lesões, revelou que a sua rotina mudou drasticamente. «Até há cinco anos, tinha algum tempo livre — treinava e descansava — mas agora tenho muito pouco», explicou. «Desde que tive tantas lesões, faço um treino de cardio, outro de força, depois recuperação e ainda um treino complementar específico para o meu braço direito».
Estes compromissos são essenciais para que possa continuar a competir e a vencer. Marquez confessou que a dor é uma constante na sua vida. «Como atleta, à medida que envelheces e lidas com lesões, tens de viver com a dor; não te podes queixar a toda a hora, senão passas o dia inteiro em fisioterapia», afirmou, partilhando um detalhe pessoal: «Não consigo dormir sobre o meu lado direito por causa do braço. Para mim, está fora de questão», disse o atual detentor do título de velocidade.
Apesar das adversidades físicas, o espanhol sempre demonstrou uma notável força mental, que lhe permitiu superar os momentos mais difíceis. No entanto, revelou que nunca recorreu a um psicólogo desportivo para o ajudar. «Não, o meu maior apoio psicológico vem das pessoas que me rodeiam», disse. «Tive a sorte de ter pessoas com uma mentalidade sã que me respeitaram. Certos momentos, como as lesões e os períodos de recuperação, são fisicamente duros, mas ainda mais duros mentalmente».
Na mesma entrevista, Márquez comentou as novas motas de 850cc do MotoGP, que já testou em Brno. «Não é tão rápida, mas não creio que os adeptos notem. Penso que a maior mudança está nos pneus», avaliou. O piloto expressou ainda o seu desejo por uma maior redução da aerodinâmica. «Esperava que reduzissem ainda mais a aerodinâmica — gostaria que a tivessem cortado mais», admitiu.
«Obviamente, sem aerodinâmica, poderíamos ter corridas mais renhidas, como na Moto3, enquanto no MotoGP é mais difícil porque se perde carga aerodinâmica e a mota tem um desempenho pior. Temos de nos habituar; cada era tem os seus prós e contras».
Mas, apesar de todas as dificuldades e limitações físicas que já sente, sobretudo por causas das múltiplas lesões que tem sofrido desde 2020, deixar de competir não é algo que esteja nos planos do catalão, que neste momento segue na terceira posição do Mundial, a 18 pontos do líder da Aprilia Jorge Martín (208 pts). A histórica vitória alcançada no Grande Prémio da Alemanha, em Sachsenring, onde igualou um recorde com 51 anos, ajudam a defender o título conquistado na passada temporada.
Recorde-se que na última prova do campeonato Marc igualou o máximo fixado pelo mítico italiano Giacomo Agostini, em 1975, de 10 vitórias na categoria rainha num único circuito. A diferença foi que Ago o conseguiu em Imatra.
«Dez vitórias num circuito na categoria de MotoGP é algo incrível», afirmou Marc Márquez ao programa After the Flag do MotoGP.com. «Honestamente, não estou 100 por cento feliz porque gostaria de ver também o Álex [Márquez] aqui, no pódio. Vi a forma como ele trabalhou depois da corrida de Montmeló e foi espantoso, não esperava aquilo dele. Sei que é um trabalhador, mas foi mais do que eu esperava e estava a pilotar muito bem», referiu o mais velho dos Márquez recordando o acidente do irmão, que caiu quando ocupava o segundo lugar na etapa alemã, 11.ª das 22 do calendário.
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