Piloto espanhol está na luta pelo seu oitavo título no MotoGP      Fotografia Imago
Piloto espanhol está na luta pelo seu oitavo título no MotoGP Fotografia Imago

Márquez diz viver com dor permanente e que não pode dormir sobre o lado direito

Piloto da Ducati, que ganhou pela terceira vez nas últimas quatro provas e na Alemanha igualou um recorde de Di Agostini, falou um pouco como sofre fisicamente, sobretudo devido aos acidentes que tem tido desde 2020, e que se necessita de fisioterapeuta, psicólogo é algo que sempre dispensou

O sete vezes campeão mundial de MotoGP, Marc Márquez abordou, numa entrevista recente ao canal de YouTube «Soy Blanc», a sua condição física e os sacrifícios diários que as múltiplas lesões o obrigam a fazer para se manter ao mais alto nível na competição.

O espanhol da Ducati, de 33 anos, conhecido por uma carreira marcada por várias lesões, revelou que a sua rotina mudou drasticamente. «Até há cinco anos, tinha algum tempo livre — treinava e descansava — mas agora tenho muito pouco», explicou. «Desde que tive tantas lesões, faço um treino de cardio, outro de força, depois recuperação e ainda um treino complementar específico para o meu braço direito».

Estes compromissos são essenciais para que possa continuar a competir e a vencer. Marquez confessou que a dor é uma constante na sua vida. «Como atleta, à medida que envelheces e lidas com lesões, tens de viver com a dor; não te podes queixar a toda a hora, senão passas o dia inteiro em fisioterapia», afirmou, partilhando um detalhe pessoal: «Não consigo dormir sobre o meu lado direito por causa do braço. Para mim, está fora de questão», disse o atual detentor do título de velocidade.

Apesar das adversidades físicas, o espanhol sempre demonstrou uma notável força mental, que lhe permitiu superar os momentos mais difíceis. No entanto, revelou que nunca recorreu a um psicólogo desportivo para o ajudar. «Não, o meu maior apoio psicológico vem das pessoas que me rodeiam», disse. «Tive a sorte de ter pessoas com uma mentalidade sã que me respeitaram. Certos momentos, como as lesões e os períodos de recuperação, são fisicamente duros, mas ainda mais duros mentalmente».

Na mesma entrevista, Márquez comentou as novas motas de 850cc do MotoGP, que já testou em Brno. «Não é tão rápida, mas não creio que os adeptos notem. Penso que a maior mudança está nos pneus», avaliou. O piloto expressou ainda o seu desejo por uma maior redução da aerodinâmica. «Esperava que reduzissem ainda mais a aerodinâmica — gostaria que a tivessem cortado mais», admitiu.

«Obviamente, sem aerodinâmica, poderíamos ter corridas mais renhidas, como na Moto3, enquanto no MotoGP é mais difícil porque se perde carga aerodinâmica e a mota tem um desempenho pior. Temos de nos habituar; cada era tem os seus prós e contras».

Mas, apesar de todas as dificuldades e limitações físicas que já sente, sobretudo por causas das múltiplas lesões que tem sofrido desde 2020, deixar de competir não é algo que esteja nos planos do catalão, que neste momento segue na terceira posição do Mundial, a 18 pontos do líder da Aprilia Jorge Martín (208 pts). A histórica vitória alcançada no Grande Prémio da Alemanha, em Sachsenring, onde igualou um recorde com 51 anos, ajudam a defender o título conquistado na passada temporada.

Recorde-se que na última prova do campeonato Marc igualou o máximo fixado pelo mítico italiano Giacomo Agostini, em 1975, de 10 vitórias na categoria rainha num único circuito. A diferença foi que Ago o conseguiu em Imatra.

«Dez vitórias num circuito na categoria de MotoGP é algo incrível», afirmou Marc Márquez ao programa After the Flag do MotoGP.com. «Honestamente, não estou 100 por cento feliz porque gostaria de ver também o Álex [Márquez] aqui, no pódio. Vi a forma como ele trabalhou depois da corrida de Montmeló e foi espantoso, não esperava aquilo dele. Sei que é um trabalhador, mas foi mais do que eu esperava e estava a pilotar muito bem», referiu o mais velho dos Márquez recordando o acidente do irmão, que caiu quando ocupava o segundo lugar na etapa alemã, 11.ª das 22 do calendário.

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