Mariana e Maria, duas irmãs árbitras: «A minha mãe diz que não é a mim que chamam nomes, é a ela»
Mariana e Maria Ferreira são duas irmãs que, apesar da diferença de idade, partilham a mesma paixão desde jovens: o basquetebol. E também o mesmo destino. Depois de terem sido jogadoras no GDESSA do Barreiro, tornaram-se árbitras. A culpada de tudo: a mãe, Esmeralda. Esta, apesar de responsável pela nova carreira das filhas, diz que elas não têm que se preocupar com o que ouvem da bancada, «porque não é a vocês que chamam nomes, é a mim», conta a mais velha, Mariana, de 27 anos.
Ainda a subirem os primeiros patamares no mundo do apito, vão conhecendo o outro lado da moeda de que não gostavam quando eram basquetebolistas. Estão na 18.ª Festa do Basquetebol, em Albufeira, para evoluírem, quer apitando com árbitros mais experientes, quer assistindo a palestras e clinics diários onde tudo é dissecado ao pormenor.
A minha mãe diz sempre: ‘Tu, quando te perguntarem, dizes que fui eu’», conta Mariana, respondendo à questão de como foi parar à arbitragem. «E essa é a verdade: foi a minha mãe que me incutiu. Nunca estivemos ligadas a ninguém nem nada de arbitragem
«A minha mãe diz sempre: ‘Tu, quando te perguntarem, dizes que fui eu’», conta Mariana, respondendo à questão de como foi parar à arbitragem. «E essa é a verdade: foi a minha mãe que me incutiu. Nunca estivemos ligadas a ninguém nem nada de arbitragem, mas a minha mãe disse: ‘Olha, vai abrir um curso de árbitro. Por que é que não te inscreves?’ E eu: ‘Epá, não! Então eu, que era tão chata quando era jogadora, agora vou-me inscrever… Eu, que lhes lixava a cabeça’», vai contando Mariana, que jogou durante 11 anos.
«Disse-lhe para esquecer. Tinha 22 anos e não me ia dedicar à arbitragem. Só que ela, no dia em que terminavam as inscrições, ligou-me e disse: ‘Olha, inscrevi-te no curso. Se quiseres, vais. Se não quiseres, não vais’. E foi assim», diz expondo um sorriso de quem não se arrependeu.
No princípio, não tinha a ambição que possuo neste momento. Na primeira época de arbitragem, foi mais para entreter e ganhar um bocadinho de dinheiro. Só que havia bom feedback de muita gente.
E qual é a diferença entre aquele momento em que foi tirar o curso e agora, na Festa, onde pode aprender e mostrar-se mais a quem está na arbitragem em Portugal? «A verdade é que fui por ir. Ia aprender algumas coisitas. Fiz uns quantos jogos e… gostei desde o primeiro. Gosto muito de basquete, como de todos os desportos. No entanto, no princípio, não tinha a ambição que possuo neste momento. Na primeira época de arbitragem, foi mais para entreter e ganhar um bocadinho de dinheiro. Só que havia bom feedback de muita gente. Nessa altura ainda jogava, mas parei devido a uma lesão no joelho. Ainda voltei a competir, mas acabei por me dedicar realmente à arbitragem».
Mas eu, ao contrário da minha irmã, comecei na mesa de jogos. A minha mãe disse: ‘Vai ganhar dinheiro. Também vai abrir o curso e vai, vai…’. Só que eu não queria. Ia dar-me muito trabalho.
Se Esmeralda colocou a filha mais velha na arbitragem, por que não o haveria de fazer com Maria, de 18 anos? «Sim, também foi a minha mãe. Ela está no meio de tudo», afirma rindo-se. «Mas eu, ao contrário da minha irmã, comecei na mesa de jogos. A minha mãe disse: ‘Vai ganhar dinheiro. Também vai abrir o curso e vai, vai…’. Só que eu não queria. Ia dar-me muito trabalho. A minha mãe inscreveu-me.
«Comecei na mesa, no entanto, não gostava muito daquilo. Estava muito parada e sempre fui uma pessoa bastante ativa. Gosto de correr, ter ação no jogo. Pensei que não podia estar apática, tinha de ir lá para dentro. Com a ajuda da minha irmã fui experimentar e tirei o curso enquanto ainda jogava. No ano passado resolvi desistir e dedicar-me só à arbitragem. Esta está a ser a minha segunda época, mas a primeira a sério», esclarece quem também olhava para os árbitros, incluindo a irmã, de outra maneira.
Quando eu ainda jogava, uma vez ela foi apitar-me e desentendemo-nos completamente. Marcou-me uma falta e eu não concordei. Comecei a reclamar e acabei por ter que me ir sentar um bocadinho...
«Nós temos uma situação muito engraçada. Quando eu ainda jogava, uma vez ela foi apitar-me e desentendemo-nos completamente. Marcou-me uma falta e eu não concordei. Comecei a reclamar e acabei por ter que me ir sentar um bocadinho...»
E também gostava de chegar às ligas masculina e feminina? «Por agora, ainda sou muito nova, árbitra regional [Setúbal], com muito para aprender. Mas com o esforço e dedicação que tenho e aquilo que ambiciono, sinto que consigo chegar longe».
Já falámos disso uma vez e o nosso sonho é apitar juntas nos Jogos Olímpicos. Vamos ver como é que é?
Quando se é basquetebolista e se tem irmãos, por vezes existe o sonho de jogarem juntos. Têm o desejo de apitarem as duas? «Exatamente o mesmo!», responde de imediato Maria. «Já falámos disso uma vez e o nosso sonho é apitar juntas nos Jogos Olímpicos. Vamos ver como é que é?»
Já tivemos a oportunidade de apitar as duas na época passada, e também nesta», revela Mariana. «Inicialmente não gostava nada de apitar com a Maria, porque senti que tinha mais à vontade para cascar se tiver que ser. E que era muito rígida com ela.
«Já tivemos a oportunidade de apitar as duas na época passada, e também nesta», revela Mariana. «Inicialmente não gostava nada de apitar com a Maria, porque senti que tinha mais à vontade para cascar se tiver que ser. E que era muito rígida com ela. Agora, penso que tenho sido mais calma. Mas a Maria também progrediu muito desde o ano passado. Já não tem de levar tanto na cabeça, mas leva na mesma», brinca a mais velha das filhas de Esmeralda.
«Mas, antes dos Jogos Olímpicos, já ficava contente por apitar, agora, um jogo da Festa do Basquetebol com a Mariana. Já me deixava feliz», desejou Maria antes da irmã ter de ir para mais uma partida.
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