Parte das seleções do distrito da Guarda antes do defile em Albufeira    Fotografia FPB
Parte das seleções do distrito da Guarda antes do defile em Albufeira Fotografia FPB

Festa do basquetebol: quem trava Lisboa e Porto?

Depois da cerimónia de abertura desta quarta-feira, entre quinta-feira e domingo as 18 seleções distritais de sub-14 e sub-16 em masculinos e femininos vão discutir o título em Albufeira pela 18.ª ocasião, mas há duas que têm dominado o maior evento dos basquetebol de formação do País

Quem tem capacidade para quebrar a hegemonia de Lisboa e Porto na luta pelos quatro títulos na 18.ª Festa do Basquetebol juvenil? Evento que se tornou uma tradição da formação da modalidade e o qual, anualmente, agita Albufeira, agora como Cidade Europeia do Desporto 2026.

Essa tem sido um das questões da competição que envolve as 18 seleções distritais masculinas e femininas sub14 e sub16 e que, após a cerimónia de abertura realizada ao cair da noite desta quarta-feira, colocará em marcha, entre quinta e domingo, quase 164 jogos e 1500 participantes, entre jogadores (864), treinadores (143), árbitros (123), dirigentes (98) e voluntários (24).

Há um ano, a seleção de Santarém ainda conseguiu chegar à final feminina de sub-16, mas o título acabou por manter-se na posse do Porto para concretizar o único tri seguido que existe na atualidade.

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Tal significou que apenas Aveiro, nos sub14 masculinos, impediu que os basquetebolistas das associações de Lisboa ou do Porto chegassem ao ceptro, com os primeiros a serem os únicos a arrebatarem dois títulos: sub14 feminino e sub-16 masculinos para tornarem-se bicampeões desse escalão.

É verdade que a Festa do Basquetebol vai muito além de quem ganha, chega à final ou termina no pódio. Afinal, através dela e da aprendizagem social e camaradagem, centenas de jovens vão viver também um crescimento desportivo fora do habitual ambiente de clube e campeonato. Será uma microvivência única de competição e teste que envolve igualmente jovens árbitros e oficiais de mesa com ambições a, um dia, atingirem o mais alto patamar do basquetebol nacional e até internacional.

Mas, as assimetrias do País social e igualmente desportivo entre os grandes e mais pequenos centros urbanos, assim como o litoral e o interior, também se fazem sentir na capacidade de ambição para ganhar a competição ou simplesmente estar na luta pelo pódio.

Se em 2025 apenas Aveiro sub14 feminino impediu que esse título não fosse parar aos habituais dominadores, é preciso recuar até 2019 – a Festa não de disputou em 2020 e 2021 devido à pandemia - para encontrar outros campeões que não Lisboa ou Porto, com Madeira (sub-16 fem) e Aveiro (sub-16 mas). Mas, em 2023, Porto foi mais longe, até onde nunca ninguém havia chegado, ao limpar os quatro títulos em prova.

Contabilizando às últimas dez edições, nota-se que, em 40 títulos possíveis, apenas por seis vezes (Aveiro, 2; Madeira, Algarve e Setúbal) não venceu o Porto (20) ou Lisboa (14).

No entanto, como salientou o diretor-técnico nacional Nuno Manaia, «A Festa do Basquetebol é a maior montra de talentos do país… muitos jovens são detectados, normalmente com 13/14 anos, e a partir daí é feito o seguimento desses atletas. Não quer dizer que outros não possam despontar noutras actividades, mas a Festa é o momento nobre». Reflexo disso é que vários dos principais clubes da Liga Betclic contam com jogadores que, na adolescência, passaram pela Festa, alguns até a ganharam, assim como integraram a Seleção que disputou o EuroBasket 2025.

«Este é o maior e mais gratificante evento que o basquetebol português realiza. Este cinco dias são dias inesquecíveis, e os que lhe peço é que mantenham a tradição da Festa. Espaço de partilha, companheirismo, amizade, mas também de entusiasmo, paixão e luta pelo jogo e vitória. Mas, acima de tudo, com espírito de equipa mas dando uma lição de cidadania e respeito pela regra e pelos adversários», pediu o presidente da FPB, Manuel Fernandes aos atletas.