Riyad Mahrez, capitão da Argélia, nasceu em França (IMAGO)
Riyad Mahrez, capitão da Argélia, nasceu em França (IMAGO)

Com 98 jogadores lá nascidos, França lidera o Mundial da diáspora (fotos)

Países Baixos e Inglaterra também são dos países onde nasceram mais jogadores que estão no Campeonato do Mundo

A imigração, os laços coloniais e as alterações às regras de elegibilidade da FIFA transformaram o Mundial 2026 num torneio marcado pela diáspora, com quase 300 jogadores a representarem um país diferente daquele onde nasceram. Dos 1248 jogadores inscritos no torneio, 292 nasceram fora do país que representam.

França é o país com mais jogadores nascidos no seu território a representar outras nações, num total de 76. A seleção do Senegal, que joga com les bleus esta terça-feira, conta com dez atletas nascidos em França. No entanto, é a Argélia que lidera a lista de seleções com mais jogadores de origem francesa (13), seguida pelo Haiti (12).

A seleção de Curaçau, estreante na competição, é a que apresenta o maior número de jogadores nascidos fora do seu território. A ilha caribenha, que faz parte do Reino dos Países Baixos, tem um plantel onde todos os jogadores, exceto Tahith Chong, nasceram em solo neerlandês.

Países que dão mais jogadores ao Mundial 2026:

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Existem também casos de equipas multinacionais. Durante a segunda parte do jogo entre Marrocos e o Brasil, todos os 11 jogadores marroquinos em campo nasceram fora de Marrocos. Já a seleção do Qatar integra atletas de 11 nacionalidades originais diferentes, incluindo Portugal, Brasil, França e Bélgica.

Mudanças de regras que explicam a diáspora

Para a FIFA, elegibilidade de um jogador para representar uma seleção nacional assenta na sua cidadania, seja ela adquirida à nascença ou por naturalização. Contudo, um jogador com dupla nacionalidade precisa de demonstrar uma ligação genuína ao país, seja por nascimento, ascendência ou residência.

As regras da FIFA sofreram várias alterações ao longo dos anos. Em 2002, o organismo permitiu uma única troca de seleção para jogadores com dupla nacionalidade que não tivessem disputado um jogo oficial pela equipa principal e que fizessem o pedido antes dos 21 anos.

Em 2009, uma nova alteração eliminou o limite de idade, desde que o jogador não tivesse participado em jogos oficiais pela seleção principal. Esta mudança permitiu casos como o de Diego Costa, que, após dois amigáveis pelo Brasil, pôde representar a Espanha, pela qual marcou 10 golos em 24 internacionalizações. Já no atual Mundial, Declan Rice, que trocou a República da Irlanda pela Inglaterra, e Brian Gutierrez, que passou dos EUA para o México, são dois exemplos disso mesmo.

As regras atualizadas também estipulam que os jogadores que pretendam mudar de nacionalidade, mas não o possam fazer por via de nascimento ou ascendência familiar, devem ter residido no país em questão por cinco anos (ou três anos antes dos 10 anos de idade). É ainda necessário demonstrar que a mudança não teve como propósito a participação nas seleções do país adotivo.

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