Liverpool: um fracasso de 500 milhões de euros
Após o maior investimento da sua história, o Liverpool vai terminar a época sem títulos e com o lugar de Arne Slot em risco. O único objetivo que resta é a qualificação para a Liga dos Campeões, numa época que ficará para sempre marcada pela tragédia que se abateu sobre o clube, com a trágica morte de Diogo Jota, em julho do ano passado.
A época 2025/2026 do Liverpool terminou em meados de abril, marcada por um fracasso retumbante após um investimento superior a 500 milhões de euros em contratações. Sem qualquer título conquistado — perdeu a Supertaça inglesa para o Crystal Palace logo a abrir a época —, a equipa vê-se agora reduzida a lutar por um lugar na próxima edição da Liga dos Campeões, uma obrigação mais do que um objetivo. A desilusão em Anfield é palpável e a continuidade do treinador Arne Slot está em sério risco, com o nome de Xabi Alonso a emergir como hipótese cada vez mais forte.
Recorde-se que, na temporada anterior, o técnico neerlandês tinha surpreendido tudo e todos ao levar os reds à conquista do seu 20.º título de campeão inglês, superando Arsenal e Manchester City, logo no seu primeiro ano após a saída de Jurgen Klopp. No entanto, a lua de mel entre Slot e os adeptos foi curta. A presente campanha tem sido uma sucessão de desaires que quebraram a confiança e em vários jogos Anfield já ficou com cadeiras vazias ainda antes do apito final, algo extremamente raro de se ver em Inglaterra.
A candidatura à revalidação do título da Premier League desvaneceu-se cedo. Apesar de um início promissor, com cinco vitórias consecutivas que valeram a liderança à 6.ª jornada, a queda foi abrupta. À 12.ª jornada, o Liverpool já ocupava um modesto 12.º lugar. Nem as estrelas consagradas como Mohamed Salah ou Virgil van Dijk, cujas renovações foram difíceis, nem os reforços sonantes como Alexander Isak ou Florian Wirtz conseguiram inverter a maré.
Fora da corrida pelo campeonato, as eliminações nas taças agravaram a crise. O Crystal Palace, grande carrasco da época, eliminou o Liverpool na 4.ª ronda da Carabao Cup com uma pesada derrota por 0-3 em Anfield. Já em abril, duas derrotas em apenas dez dias ditaram o fim das aspirações na Taça de Inglaterra e na Liga dos Campeões, ambas nos quartos de final, frente a Manchester City (0-4) e PSG (0-2 e 2-0), respetivamente.
A juntar aos maus resultados, a gestão do plantel gerou polémica, com destaque para o caso de Mohamed Salah. O egípcio esteve perto de sair em janeiro, após ter sido relegado para o banco de suplentes por Arne Slot, uma decisão que quase custou o cargo ao treinador. A saída de Salah no final da temporada é agora dada como certa.
O futuro em Anfield afigura-se incerto. Com a continuidade de Slot em dúvida, e o nome de Xabi Alonso a ser falado, a direção tem de planear uma nova reconstrução. Para além da saída de Salah, Virgil van Dijk entra no seu último ano de contrato e a renovação de Konaté continua por resolver.
Uma praga de lesões de 276 milhões
Como se não bastassem os problemas desportivos, a má sorte com lesões graves assolou o plantel, afetando particularmente os novos reforços. O último a cair foi Hugo Ekitiké, avançado contratado por 95 milhões de euros. O francês sofreu uma rotura do tendão de Aquiles no jogo com o PSG e enfrenta uma paragem de sete a nove meses, falhando o resto da época e o Mundial. Até à lesão, era dos poucos reforços com rendimento positivo, somando 17 golos e 6 assistências.
Antes dele, já outros jogadores caros se tinham lesionado gravemente. Giovanni Leoni, jovem central italiano de 19 anos contratado por 31 milhões de euros, rompeu o ligamento cruzado no seu jogo de estreia. Também Alexander Isak foi uma das vítimas da onda de lesões que condicionou severamente a temporada do Liverpool.
Uma onda de infortúnios físicos e desempenhos abaixo do esperado tem assolado o Liverpool, colocando em causa o futuro do treinador Arne Slot, apesar dos avultados investimentos no plantel.
A contratação mais cara da história do futebol inglês, o sueco Isak, custou 150 milhões de euros, mas a sua passagem por Anfield tem sido um calvário. Após um início de época complicado, marcado pela falta de ritmo e condição física, o avançado sofreu uma fratura na perna que o obrigou a uma cirurgia. Regressou aos relvados em Paris, contra o PSG, após mais de três meses de ausência, tendo até ao momento um registo de apenas três golos e uma assistência.
A maré de azar estendeu-se a jogadores que ainda nem sequer vestiram a camisola dos reds. Em fevereiro, o Liverpool anunciou a contratação de Jérémy Jacquet ao Rennes por 70 milhões de euros, com o central a juntar-se à equipa apenas na época 2026-2027. Apenas cinco dias após o anúncio, o defesa foi submetido a uma intervenção cirúrgica devido a uma grave lesão no ombro esquerdo.
Por Frimpong, o Liverpool pagou 40 milhões de euros para substituir Alexander-Arnold, mas o lateral neerlandês também teve vários problemas físicos. Já Wirtz chegou com expectativas muito elevadas para os adeptos, depois de um brutal investimento de 135 milhões de euros, mas o rendimento do alemão ficou aquém, com seis golos e oito assistências... e muitas críticas.
No meio de um cenário desolador, apenas Dominik Szoboszlai parece ter estado à altura das expectativas, sendo mesmo um forte candidato ao prémio de Melhor Jogador da Temporada da Premier League. Contudo, nem o brilhante desempenho do húngaro nem a ainda incerta qualificação para a Liga dos Campeões de 2026-2027 parecem ser suficientes para garantir a continuidade de Arne Slot no comando técnico do Liverpool na próxima temporada.