Liverpool, Aston Villa e o pesadelo «embaraçoso» de Harvey Elliott
O empréstimo de Harvey Elliott ao Aston Villa transformou-se num pesadelo para o jogador, que enfrenta agora um verão de total incerteza quanto ao seu futuro. O médio de 23 anos regressará ao Liverpool no final da época, após uma passagem por Birmingham onde somou apenas 277 minutos de jogo.
Devido às cláusulas do seu contrato de empréstimo, Elliott não poderá defrontar os reds esta sexta-feira e vai assistir da bancada ao duelo entre as duas equipas que lhe pagam o salário, mas que não o consideram uma opção para a equipa principal.
A situação foi descrita por Unai Emery, treinador do Villa, como «algo embaraçoso para todos os envolvidos». O técnico espanhol acrescentou: «As minhas desculpas a Harvey Elliott estão todos os dias na minha mente. Nós temos a nossa responsabilidade e o Liverpool tem a sua responsabilidade. Como ser humano e como pessoa, a forma como a época está a correr para ele é difícil».
Dois meses afastado
A única certeza, por agora, é que o Aston Villa não tem interesse em contratar Elliott a título definitivo, uma posição que mantém desde novembro. O clube evitou deliberadamente utilizar o jogador para não acionar uma cláusula de compra obrigatória de 40 milhões de euros, que seria ativada caso realizasse 10 jogos na Premier League. No entanto, só fez cinco.
Emery perdeu rapidamente a confiança no médio e afastou-o das opções. Elliott participou esporadicamente na campanha do Villa até à final da Europa League, mas a última aparição em campo remonta a 19 de março, quando entrou aos 84 minutos na vitória por 3-0 sobre o Lille. No total, o jogador somou apenas nove jogos em todas as competições pelo clube de Birmingham, com uma única titularidade na Premier League.
Do lado do Liverpool, o treinador Arne Slot confirmou que Elliott «tem contrato, por isso estará com a equipa no início da época», mas o futuro do jogador, a quem resta apenas um ano de contrato, permanece uma incógnita.
«Para ele, para todos, as coisas não correram como ele queria, como nós queríamos ou como o Villa queria, porque normalmente contrata-se um jogador para o utilizar bastante», afirmou também Slot. «Não me compete a mim responder por que motivo isso aconteceu. Claro que nunca é bom para um jogador não ter muitos minutos, especialmente depois da época que teve connosco. É uma pena se um jogador mal joga durante dois anos, quanto mais um jogador que demonstra ser tão bom.»
A desilusão é enorme para um jogador que saiu por empréstimo com a ambição de lutar por um lugar na seleção inglesa para o Mundial, depois de ter sido uma das estrelas na conquista do Campeonato Europeu de sub-21 no verão passado. A sua mudança para o Villa, no último dia do mercado de transferências de setembro, foi vista como o fim de uma ligação de seis anos a Anfield. Elliott estaria ciente de que não seria titular indiscutível na equipa, sobretudo após a contratação de Florian Wirtz ao Bayer Leverkusen por €125 milhões.
Que futuro?
Deste modo, a escolha da próxima etapa na carreira do talentoso médio é crucial após uma época praticamente perdida. O RB Leipzig, da Alemanha, continua a admirar o jogador, segundo o The Athletic. No entanto, ainda nada está, para já, decidido.
A sua ausência dos relvados é notória: não joga na Premier League desde 1 de fevereiro, quando foi suplente utilizado contra o Brentford. Antes desse jogo, esteve 17 partidas sem competir na liga, e depois somou mais 12 (e a contar) na mesma situação. Apesar de ser o único jogador sénior a treinar sem perspetivas de jogar, a sua atitude manteve-se exemplar, sendo descrito como um profissional dedicado e uma presença positiva no centro de treinos do Villa, segundo a Imprensa inglesa.