Litígio entre Pichardo e Benfica já tem audiências marcadas
O conflito legal entre Pedro Pablo Pichardo e o Benfica terá as suas audiências no Tribunal Arbitral do Desporto (TAD) esta semana, com sessões agendadas para terça e quarta-feira, ambas com início às 09h30, segundo confirmou à agência Lusa uma fonte ligada ao processo.
O atleta de 32 anos será o primeiro a ser ouvido na terça-feira, numa sessão de quatro horas dedicada à sua argumentação e apresentação de provas. No dia seguinte, à mesma hora, será a vez de o emblema da Luz apresentar a sua defesa.
As alegações finais deste processo estão já marcadas para o dia 18 de fevereiro, também às 09h30.
A ação foi interposta pelo campeão olímpico do triplo salto em Tóquio 2020, que procura uma indemnização e o reconhecimento de justa causa para a rescisão unilateral do seu contrato com o Benfica. O processo foi iniciado a 12 de março de 2025, após Pichardo ter terminado a sua ligação ao clube.
Pichardo, que além do ouro olímpico detém no seu palmarés uma medalha de prata nos Jogos de Paris 2024, títulos mundiais em Oregon 2022 e Tóquio 2025, e um título europeu em Munique 2022, representou o Benfica de 26 de abril de 2017 a 13 de janeiro de 2025. O atleta alega «divergências irreconciliáveis» para justificar a quebra do contrato, que era válido até ao final dos Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028.
O atleta exige uma compensação de 1,1 milhões de euros, alegando falta de cuidados médicos e a impossibilidade de aceder ao seguro de saúde. Em contrapartida, o Benfica responde com um pedido de indemnização de dois milhões de euros, acusando Pichardo de incumprimento contratual e de causar danos à reputação e prejuízos desportivos à «imagem da maior instituição do país».
O próprio clube já tinha iniciado um processo disciplinar contra o atleta no início do ano passado com vista ao seu «despedimento». O Benfica comunicou que Pichardo foi notificado a 3 de janeiro de 2025, justificando a ação com a ausência do atleta a exames médicos agendados após os Jogos Olímpicos e a sua recusa em inscrever-se na plataforma de atletas do clube, apesar de múltiplos pedidos.
Este litígio já foi marcado por vários incidentes processuais. Em novembro de 2025, após uma audiência prévia, a defesa de Pichardo solicitou o afastamento do presidente do Colégio Arbitral do TAD, alegando «manifesta falta de imparcialidade», conforme noticiado pelo Diário de Notícias.