Líder do Rayo Vallecano desculpa-se: «Enviaram uma coroa de flores à minha mãe»
Raúl Martín Presa, presidente do Rayo Vallecano, concedeu uma entrevista à Marca, na qual abordou a polémica extinção da concessão do estádio Vallecas ao clube, por parte da Comunidade de Madrid, devido a condições precárias, o que deixou a equipa sem casa a poucos dias da estreia na LaLiga.
O dirigente alegou um «erro administrativo» na entrega de documentação à Comunidade de Madrid, mas contesta as conclusões da auditoria que aponta falhas de segurança e salubridade, afirmando que o recinto «está melhor do que nunca nos últimos anos» e que é um bónus jogar em casa: «Perder essa vantagem colocar-nos-ia numa situação muito delicada e seria quase como mandar-nos para a segunda divisão.»
«Antes de mais, é explicar o porquê disto e pedir desculpas, porque há que pedir desculpas. Tivemos um erro administrativo, um erro humano. Eu não tinha conhecimento... pelo qual não se respondeu a uma notificação dentro do prazo», admitiu, e sublinhou que não houve «má vontade» ou «intenção de ocultar nada», lamentando a falta de comunicação por parte da entidade governamental: «Não teria sido tão difícil um telefonema a dizer: 'Estamos à espera disto'. Essa chamada nunca aconteceu e isso ter-nos-ia alertado».
Relativamente ao relatório que aponta riscos de segurança e falta de higiene, Presa revelou que o clube só teve conhecimento do mesmo na semana passada — «inspeção visual muito básica» cujo «relatório não corresponde à situação real».
«Não posso admitir que se diga que o Rayo Vallecano não faz manutenção e que o estádio foi abandonado. Isso não posso admitir em nenhuma circunstância [...] Que algumas coisas podem ser feitas melhor? Com certeza. Estamos abertos a melhorar o que for preciso, mas o que se está a dizer é que não se está a fazer nada», declarou.
O presidente do Rayo Vallecano denunciou ainda ameaças graves por parte de adeptos, mas garantiu que não cederá à «extorsão» e não venderá o clube. «Pedirei perdão um milhão de vezes se for preciso, mas há limites que não se podem ultrapassar», disse, relatando ameaças graves, incluindo «tarjas com ameaças de morte» num negócio da sua família e a entrega de uma coroa de flores na casa da sua mãe, uma mulher de 86 anos com uma doença cardíaca grave. «Isso não pode ser tolerado», frisou, recordando outros incidentes, como uma invasão ao seu domicílio em 2021.
«Inclusive, se alguma intervenção for da responsabilidade da Comunidade e esta não a puder executar a tempo, estamos dispostos a assumi-la», assegurou. O objetivo comum é claro: «Que o Rayo jogue em Vallecas o mais rapidamente possível e, se possível, desde o primeiro jogo em casa. Essa é a vontade dos adeptos, dos jogadores e também a nossa. Vamos trabalhar sem descanso para consegui-lo.»