«Não quero estar no mesmo saco que Figo, Mourinho ou Ronaldo»
Kika Nazareth concedeu uma entrevista ao programa L’eclipsi, da 3Cat, na qual falou da pressão sentida com a transferência para o Barcelona, assim como do desejo de construir o seu próprio legado, sem comparações com grandes figuras do futebol masculino português.
«Gosto da vida em Barcelona e estamos a falar de uma das melhores cidades do mundo. Há gente bonita, praia, gastronomia e o melhor clube do mundo, com as melhores jogadoras do mundo. Que mais posso pedir?», questionou, acrescentando: «Agora penso 'Já estou aqui... Francisca, acalma-te um pouco porque já és das melhores também. Pouco a pouco'.»
«O que o Barça pagou por mim gerou-me muita pressão. Naquele momento, era a segunda ou terceira transferência mais cara do futebol feminino», afirmou a criativa, admitindo que foi difícil lidar com esse rótulo, na altura em que saiu do Benfica rumo à Catalunha.
«Agora não, graças a Deus. Mas continuo com o síndrome do impostor [padrão de pensamento que gera dúvida acerca das suas capacidades, apesar de o valor ser reconhecido publicamente]. Todas as pessoas têm um ego e isso é bom: deves acreditar em ti e é normal, mas creio que o nosso ego é mais saudável e há uma linha entre isso e ser respeitador. Não gosto de ser comparada com o masculino. Olhas para mim e pareço uma pessoa com muita confiança, mas sou uma pessoa insegura, embora não tenha motivos para sê-lo. Muitas vezes preciso que as pessoas me digam as coisas», confessou.
Quanto às comparações com o mundo dos homens, prefere demarcar-se: «Não quero estar no mesmo saco que Figo, Mourinho e Cristiano Ronaldo. Gosto deles e sou portuguesa com muito orgulho, mas gostaria que me olhassem com outros olhos», afirmou, sublinhando as dificuldades da sua profissão: «Não sabem o que é ser jogadora de futebol, mudar de camisola, jogar em Madrid ou Barcelona. Não é fácil. Às vezes, as pessoas esquecem-se de que também somos pessoas.»