João Félix marcou o único golo em Alvalade
João Félix marcou o único golo em Alvalade
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João Félix, caçadeira de uma só bala (as notas de Portugal)

A cartucheira de Portugal só teve um disparo certeiro e esse foi do número 11. Nuno Mendes foi a seta do costume e Rúben Dias, pelo meio de uma exibição sóbria, operou um milagre
(8) João Félix

Quem gosta de futebol gosta de João Félix. A caçadeira de Portugal só teve uma bala e essa saiu da cartucheira do 11 de Portugal. Félix jogou na posição em que gosta e jogou também na posição em que os portugueses gostam de o ver jogar. Parece fácil e é fácil. Basta colocar todos nos sítios certos. E Félix, um dos mais virtuosos futebolistas lusos do século XXI, jogou no sítio certo. Atrás do ponta de lança, como segundo avançado. Logo aos 10 minutos, viu a desmarcação de Ronaldo e meteu-lhe a bola sobre a esquerda, com o capitão a desviar ao lado do poste esquerdo. Teve um sublime toque de calcanhar pouco depois do quarto de hora, a colocar a bola em Bruno Fernandes, que abriu para Ronaldo disparar por cima. Por fim, aos 22’, um golaço a 25 metros da baliza: recebeu a bola de Nuno Mendes, olhou para a baliza e viu que havia um buracão à sua frente. Desferiu um remate forte e colocado para o 1-0. Foi o momento mais fulgurante da mais fulgurante exibição de Portugal.

(5) Diogo Costa — Pequenos sustos que não lhe aumentaram o batimento cardíaco. Seguro com os pés e com as mãos, e talvez uma excessiva crença de que a bola iria sair pela linha de fundo num movimento de Brennan Johnson. A bola, porém, beijaria a barra e só a perna esquerda de Rúben Dias, em cima da linha de baliza, impediu o golo de Daniel James.

(6) João Cancelo — Algum destaque na primeira meia-hora, com diversas tentativas de entrar da direita para o meio para criar desequilíbrios no meio-campo galês. O fulgor inicial foi-se perdendo com o passar do tempo e acabou substituído em cima dos 90’.

(6) Rúben Dias — Carimbou grande milagre quando a bola bateu na barra da baliza lusa e, sem Diogo Costa na zona, teve um corte oportuno em cima da linha de golo a remate de Koumas. De resto, sobriedade absoluta.

(5) Renato Veiga — Impetuoso a entrar sobre alguns adversários e duas ou três vezes a tentar o golo de cabeça em bolas paradas. Má tentativa de atraso para Diogo Costa de cabeça, com a bola a sair pela linha de fundo.

(7) Nuno Mendes — O costume. Sobe e desce, cruza, lança, remata; sobe e desce, cruza, lança, remata. Sem ele, talvez não houvesse golos em Alvalade. Começou com um cruzamento longo para as potenciais entradas de Ronaldo ou Pedro Neto e, quase de seguida, recuperou a bola a meio-campo, correu três ou quatro metros e colocou a bola em João Félix para o remate fatal do 11 de Portugal. Saiu com aparentes problemas musculares.

(5) Pedro Neto — Sempre de prego a fundo, sempre a tentar fugas pela direita. Ponto mais alto a abrir a segunda parte, quando recuperou a bola e lançou Rúben Neves em profundidade na direita, com este a cruzar a meia altura para o remate que Ronaldo desviou por cima da barra.

(6) Rúben Neves — Posicional, mas não tão posicional quanto se poderia esperar. Recuou, por vezes, para perto dos centrais; avançou outras para mais perto da área galesa. O ponto alto foi a fuga pela direita e o cruzamento a meia altura que Ronaldo desviou por cima da barra.

(5) Vitinha — Não foi noite para o melhor Vitinha aparecer em campo. Muita bola, sim, mas poucos passes a fazer a diferença. Tentou o golo perto do final do jogo, mas o remate, fraco, saiu à figura de Ward.

(6) Bruno Fernandes — Mais encostado à esquerda do que era habitual a defender e mais interior quando Portugal tinha a posse de bola. Tentou algumas aproximações à área galesa e teve o momento mais exuberante quando descobriu, aos 60’, Ronaldo em fuga aos centrais. O capitão marcou, mas estava em fora de jogo e, assim, o passe do 8 de Portugal perdeu-se…

(4) Ronaldo — Três ou quatro pequeninas oportunidades para se aproximar ainda mais do número mágico e uma grandíssima, a abrir a segunda parte, na sequência de um cruzamento a meia altura, desviando de pé esquerdo, só com o guarda-redes na frente, muito por cima da barra. Pouco depois, recebeu a bola de Bruno Fernandes e fez golo de pé esquerdo. Ou quase: estava em fora de jogo. Saiu célere da marcação dos centrais e, oportuno, desviou para o fundo da baliza, mas uns centímetros impediram que a celebração se prolongasse. Pouco antes de sair, aos 66’, rodou bem e rematou à figura de Ward.

(5) João Palhinha — Entrou aos 67’ para o lugar de Rúben Neves, talvez já a preparar o jogo bem mais complicado na Noruega, no domingo. Deu nas vistas, sobretudo, em dois cortes de cabeça em bolas paradas defensivas.

(4) Gonçalo Ramos — Substituiu CR7 e, embora com quase meia-hora em campo, não teve um número suficiente de bolas para poder chegar ao golo. Apenas meia oportunidade num remate cruzado de pé esquerdo, aos 83’.

(4) Nuno Tavares — Entrou por aparente lesão de Nuno Mendes e mostrou segurança e apetite ofensivo. Boa entrada pela esquerda para tentar servir João Félix, mas o 11 estava desenquadrado.

(—) João Neves — Entrou aos 90’ e, claro, sem tempo para se mostrar.

(—) Diogo Dalot — Tal como João Neves, entrou aos 90’ e também sem possibilidades de se evidenciar.

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