João Almeida abdica do Tour, aponta à Vuelta e comenta explosão de Afonso Eulálio
João Almeida está finalmente recuperado de um problema físico misterioso que comprometeu a primeira metade da sua época. O português explicou, em entrevista à agência Lusa, que fez «uma paragem para descansar antes do Giro» e que se encontra a treinar «há mais ou menos três, quatro semanas». O ciclista da UAE Emirates admitiu que o trabalho tem corrido pelo melhor, embora continue sem decifrar a origem exata do contratempo. O corredor revelou que, nas análises, tinha «bastantes valores alterados», mas a verdade é que a estrutura médica nunca percebeu, «de facto, a principal causa para essas alterações».
A renúncia à Volta a Itália acabou por surgir como um passo inevitável face às circunstâncias. João Almeida detalhou que, logo após a Volta à Catalunha, teve de descansar para recuperar do esforço e começou a treinar «pouco a pouco». O ciclista assumiu que não se sentia muito mal, mas a verdade é que também não se sentia «excelente». O atleta lidou com a forte pressão de ter de treinar por causa da proximidade do Giro e, mesmo tendo realizado um estágio em altitude, as suas análises clínicas simplesmente não melhoravam.
Perante um longo período em que nem conseguia treinar nem descansar, uma situação que classificou como «chata», a decisão de abdicar da prova italiana acabou por ser «muito natural». O português confessou que sempre foi «realista» e sabia perfeitamente que não estava bem, pelo que «não havia grande coisa a fazer». Almeida avaliou com honestidade o seu momento e confessou que não estava preparado «nem para uma etapa». O corredor preferiu ser pragmático e dar a oportunidade a outro colega da equipa para tentar ter sucesso, algo que acabou mesmo por acontecer na estrada.
O regresso no Dauphiné e a nega consciente ao Tour
O ciclista de 27 anos prepara agora o ansiado regresso à competição no Tour Auvergne-Rhône-Alpes, a nova designação do Critério do Dauphiné. João Almeida garantiu que vai enfrentar esta mítica prova com «expectativas diferentes e outros objetivos». O quarto classificado da Volta a França de 2024 sublinhou que não quer ir para a estrada com a meta de fazer «nenhum resultado, nem lutar pela corrida». A sua grande intenção passa por ajudar os companheiros de equipa e testar as suas próprias sensações. O ciclista reconhece as dificuldades que o esperam em França, justificando que se trata de uma prova «muito exigente», com «muitas subidas mesmo» e dotada de um percurso «muito duro».
A rota para a Volta a França, contudo, está completamente colocada de parte para este ano. João Almeida esclareceu que a presença na prova dependia apenas da sua evolução, mas assumiu com franqueza que, pessoalmente, sente que não estaria preparado para fazer «uma Volta à França». O corredor relembrou que existem ainda «muitas arestas para limar para estar no nível de um Tour», catalogando-o como uma prova de exigência máxima. O ciclista defende que, seja para trabalhar ou para discutir a geral, os atletas têm de se apresentar na «melhor forma, porque senão não é possível fazer grande coisa». O português rematou com realismo, assumindo que não vai conseguir atingir esse patamar a tempo e que a melhor opção passa por continuar a treinar.
Ambição máxima na Vuelta e os elogios a Eulálio
O grande foco do camisola da UAE Emirates está agora totalmente apontado para a Volta a Espanha, uma grande volta onde garante que vai marcar presença «sem dúvida». João Almeida enumerou o seu calendário planeado para a segunda metade da temporada, confirmando que se vai manter «todo igual». O plano do português inclui a Clássica de San Sebastián, a Volta a Burgos, a Vuelta e, posteriormente, a presença no Campeonato do Mundo. O corredor assumiu que necessita de «um longo período de treino» para se apresentar a cem por cento e encarar os próximos desafios com total confiança.
A ambição de João Almeida continua intacta e o ciclista aponta claramente aos triunfos nas próximas estradas. O português sorriu ao confessar que quer vencer, referindo ser isso que tem «habituado a malta». Almeida reconhece que os adversários no pelotão internacional são muito fortes, mas deixou um aviso sério sobre o seu elevado nível de exigência pessoal. O ciclista disparou que, nesta fase da carreira, um «top-3 e um top-5 já não é um resultado» em que saia de uma grande prova «satisfeito e motivado».
Elogios a Eulálio
Na mesma entrevista, o líder da UAE Emirates analisou com entusiasmo o excelente desempenho do compatriota Afonso Eulálio no recente Giro, classificando-o como uma prova «fixe de se ver». João Almeida elogiou o sexto classificado da prova italiana, destacando que foi muito positivo para Portugal ter alguém para acompanhar e colocar «o país em destaque». O corredor elogiou a inteligência de Eulálio ao aproveitar a fuga estratégica, considerando que aquela vantagem gigante foi «quase uma garantia para um resultado na geral».
Sobre o seu próprio recorde de dias vestido com a mítica camisola rosa, Almeida garantiu que essa marca não o preocupa minimamente. O ciclista assegurou que, se o seu recorde for batido, isso representa um «bom sinal» de que Portugal continua a produzir grandes atletas e a manter-se no mapa do ciclismo mundial. O corredor concluiu a sua reflexão assumindo que não faz questão de ser o único português no foco dos media e dos jornais, rematando que, no desporto nacional, «quanto mais melhor».