A emoção de Iúri Leitão (IMAGO)
A emoção de Iúri Leitão (IMAGO)
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Iúri é ouro, 'omnium' de todos

Ciclista português até já tinha conquistado o título mundial, mas o choro compulsivo de Xangai relembra-nos o sacrifício acumulado daqueles que são verdadeiros campeões sem condições

Não contem comigo para apoiar nacionalismos radicais, mas existem poucas coisas mais emocionantes do que ouvir A Portuguesa entoada por um compatriota no lugar mais alto de um pódio.

Também não contem comigo para classificar portugueses de primeira e de segunda categoria, mas a emoção é ainda maior quando essa conquista surge fora do futebol. Não que tenha a pretensão de fingir que o meu desporto-rei é outro, mas porque isso só faz com que valorize ainda mais quem se torna campeão em qualquer outro desporto, sobretudo a nível individual.

Quando alguém como Iúri Leitão sobe ao lugar mais alto do pódio, a medalha ao peito é de um metal mais puro: ouro de quem tem de garimpar o dobro para conseguir aquilo com que outros só ousam sonhar.

O canoísta Fernando Pimenta, que é do distrito de Viana do Castelo, tal como Iúri Leitão, dizia há dias, na EXPOFUT, que vivia um bocadinho «na sombra do futebol». «Nas modalidades temos de querer mesmo muito e é isso que também nos faz evoluir e alcançar os nossos objetivos», reforçou Vanessa Fernandes, no mesmo painel do evento realizado precisamente na Arena Liga Portugal, no Porto.

Este nem sequer foi o primeiro título mundial de Iúri Leitão, campeão olímpico em 2024 e detentor de seis títulos europeus, mas aquele choro compulsivo, no chão da pista de Xangai, não deixa de ser sacrifício acumulado. Esconde a crónica falta de apoios e de condições de treino, ao mesmo tempo que dá um certo consolo à dedicação de muitos treinadores e dirigentes anónimos, assim como a clubes modestos que investem tudo na missão de colocar estes jovens no bom caminho.

Iúri é novamente campeão mundial de omnium, o latim para «de todos», ou «de tudo». Portugal tem um problema que é cultural, por isso de todos (nós), e mesmo assim forma campeões que fazem de tudo para oferecer títulos que contrariam a lógica das condições que lhes damos.

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