«No papel o Benfica é favorito, mas...» — o aviso de quem marcou ao Omonia
O Benfica encontrou em setembro de 1981, na primeira ronda da Taça dos Clubes Campeões Europeus, o Omonia, do Chipre, em eliminatória a duas mãos. Foi a primeira e única vez que os encarnados defrontaram cipriotas nas competições europeias, mas quis o destino, e o sorteio da UEFA Europa League, que o clube da Luz reencontrasse o Ominia, na próxima quinta-feira, em Nicósia.
Recuamos 45 anos, até setembro, e no dia 16, em Lisboa, os encarnados venciam, por 3-0, golos de Carlos Manuel, Nené e Zoran Filipovic. Em Nicósia, nova vitória, mas por 1-0, golo de um senhor chamado Fernando Chalana, que já não está entre nós.
A BOLA recordou esse duelo e lançou o próximo com a ajuda de quem esteve lá e deixou marca: Filipovic, 73 anos, antigo ponta de lança das águias, que veio a Portugal para estar com amigo Toni na festa do 80.º aniversário, ainda tem uma lembrança do duelo com o Omonia, embora vaga.
«Tínhamos grandes jogadores naquela altura, com um percurso bom, não foi assim tão dificil para mim marcar golos com eles ao meu lado. Continua a haver bons jogadores no Benfica, mas o Omonia é uma equipa que se bate bem quando joga em casa, o ambiente é pesado para os adversários, os cripriotas puxam muito pela equipa. E o calor do Chipre também não é favorável. Em casa são difíceis. É difícil lembrar-me exatamente dessa partida, mas estávamos na Taça dos Campeões e era o meu primeiro ano no Benfica, não fiz grande época [7 golos, com Lajos Baroti no comando técnico]. Só quando chegou Eriksson melhorei [27 golos em 1981/82]», conta, entre sorrisos e em exclusivo a A BOLA.
O Benfica de Filipovic não iria longe na Europa em 1981/82, caindo logo a seguir com o Bayern (0-0 e 1-4), mas na época seguinte chegou à final da Taça UEFA (perdida para o Anderlecht), depois de ganhar em Roma. Este ano venceu o Milan e está a ser apontado como candidato forte à final e à conquista da prova: «Vi o jogo com o Milan, foi muito bom, e também vi o jogo com o Celtic, Benfica é muito forte, tem bom treinador e tem aquela gente que faz um ambiente fantástico e fabuloso no Estádio da Luz. Mas no futebol moderno não é fácil ganhar os jogos todos, as equipas são muito boas nos aspetos técnico, tático e físico, pelo que será complicado. Mas começou bem e vamos apoiar, que continue assim, empenhado.»
Sem se deter, recorda. «Naquela altura ninguém conhecia bem o valor do Benfica e fizemos surpresa na Europa, depois da grande campanha viram que tínhamos grande equipa, chegámos à final. O Benfica tem também boa equipa agora, mas muitas vezes não chega, tem de estar no máximo para ganhar, não há jogos fáceis. Na Liga Europa, como na Liga dos Campeões, há concorrência muito grande. Assisti na Luz ao jogo com o Celtic e o resultado às vezes engana, o Celtic demonstrou ter bons jogadores», explicou Filipovic, nascido em Podgorica (antiga Jugoslávia, agora Montenegro), em bom português: «Os jogadores do Benfica têm de perceber que devem dar o máximo, no papel o Benfica é favorito, mas não há jogos ganhos antes de serem jogados.»