Unai Simón, guarda-redes de Espanha ainda não sofreu golos neste Campeonato do Mundo - FOTO: IMAGO
Unai Simón, guarda-redes de Espanha ainda não sofreu golos neste Campeonato do Mundo - FOTO: IMAGO

Irreverência belga põe à prova a solidez de Espanha

Luis de la Fuente quer equipa que afastou Portugal a voltar a não sofrer golos, procurando ter posse de bola e libertar os fantasistas Lamine Yamal e Baena. Do outro lado, De Ketelaere é a principal ameaça

Calor, muito calor em Los Angeles em vésperas do grande duelo entre Espanha e Bélgica, momento alto deste Mundial que merece fato de gala para estar à altura de um espetáculo que promete empolgar. Depois de a la roja ter afastado Portugal no duelo ibérico que ficará marcado pelo adeus de Cristiano Ronaldo a Campeonatos do Mundo, novo duelo de intensidade máxima.

Mais do que a sobrevivência e um lugar nas meias-finais, joga-se no Los Angeles Stadium, em Inglewood, a ambição de duas equipas que sonham com o título e fazem questão de afastar todas as dúvidas em relação à capacidade que têm.

Quente vai certamente ser o duelo entre conjuntos bem diferentes na filosofia. Se Espanha chega a este jogo sem um único golo sofrido e com uma percentagem altíssima de posse de bola, a Bélgica entra para esta batalha tática com a irreverência de uma equipa jovem, comandada com mestria por De Bruyne, médio que escolhe os ritmos da sua equipa e está habituadíssimo a ter sucesso nos mais apaixonantes desafios.

No fundo, Luis de la Fuente procura manter o equilíbrio e a eficácia da equipa em missão defensiva para depois libertar os desequilibradores Lamine Yamal ou Alex Baena.

Na Bélgica, Rudi Garcia garante que este conjunto de jogadores não se sente inferior à geração de ouro de um passado recente e tem no avançado da Atalanta Charles De Ketelaere o homem que pode ser a chave do encontro. Já o foi com os Estados Unidos e promete voltar a fazer estragos.

MEMÓRIAS DO... MÉXICO

Olhar para o histórico de confrontos entre estes dois gigantes é fazer viagem romântica pelo futebol europeu. Num registo de 22 duelos, vantagem clara para a armada espanhola, que conquistou 12 vitórias contra apenas cinco triunfos belgas. Empates foram também cinco.

No entanto, o futebol vive de mitos e fantasmas e há um espectro que teima em pairar sempre que estas camisolas se cruzam num Mundial. É impossível não recordar a tarde mítica de 1986, em Puebla, no México, onde a Bélgica surpreendeu o planeta ao afastar a Espanha nos quartos de final através da marcação de grandes penalidades, após um empate a uma bola no tempo regulamentar.

Para os espanhóis, o jogo desta sexta-feira carrega o sabor de uma desforra histórica há muito guardada na gaveta; para os belgas, é a prova de que a história e o sucesso se podem repetir, mesmo quarenta anos mais tarde e sob os holofotes modernos de Los Angeles.

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