França muito superior a Portugal

Heróis do Mar afundados pela armada francesa

Portugal perde por 46-38 com França no segundo jogo da 'main round' do Europeu e complica as conta da qualificação para as meias-finais

Portugal sofreu uma derrota bastante pesada contra França, por 46-38, no segundo jogo da ‘main round’ do Europeu, este sábado, em Herning, na Dinamarca. O jogo horrível, de imprevista e inexplicável desinspiração da Seleção Nacional, e um resultado que complica as contas da qualificação para as meias-finais, após segundo desaire (após a Alemanha) nesta segunda fase da prova.

Quem tivesse chegado atrasado a este jogo, a meio da primeira parte, teria certamente pensado que se enganara no pavilhão. No marcador: França, 15- Portugal, 7. Não seria resultado do duelo tão ansiado entre as equipas que se defrontaram há um ano pelo terceiro lugar do Mundial. E nem um beliscão, faria despertar de pesadelo que se suporia estar a passar a Seleção Nacional. Era a mais dura realidade.

O início do jogo foi logo horrível por Portugal, que, num ápice, viu os campeões europeus adiantaram-se para 6-2, após erros clamorosos, alguns por displicência. A seleção francesa, muito coesa e agressiva a defender, forçava os jogadores portugueses a rematar em situações difíceis, mais suscetíveis de falha, e estas foram-se avolumando. Em contraponto, França estava implacável, irresistível, mas não deveria estar a contar com tanta facilidade.

A desvantagem lusa foi crescendo naturalmente e atingiu os 9-4. Ao 10.º minuto, enfim, Paulo Jorge Pereira solicitou desconto de tempo, para tentar moralizar as tropas, mas nenhuma melhoria: Kiko Costa a falhar livre de 7 metros e... mais golos franceses, a elevarem para 12-5. Portugal não acertava na defesa e o ataque persistia na intermitência. Aos 15 minutos, 15 golos sofridos - nem nos piores pesadelos - e uma vintena ainda antes dos 20 minutos.

No segundo ‘time out’, Paulo Jorge Pereira dizia aos seus jogadores: «Estes não somos nós». As palavras do selecionador não poderiam ser mais acertadas, mas não tiveram efeitos práticos. Nada havia a fazer para que a inspiração viesse. O intervalo chegou com incríveis 28-15 e a França a estabelecer o seu novo máximo de golos nesta fase do jogo.

O descanso trouxe melhorias ao jogo de Portugal, ainda que ligeiras, e a que não foi alheia a descompressão de França. Desde logo se percebeu, sem espanto, que a segunda parte seria uma mera formalidade para os Heróis do Mar, e um penoso arrastar (lento, demasiado lento para a Seleção) do sofrimento neste jogo. Do ponto de vista anímico, esmagador.

O objetivo primordial, evitar-se que a derrota adquirisse proporções ainda maiores, esse, pelo menos, foi alcançado - mas enganadores oito golos (apenas) de diferença no resultado. Mas a dúvida que se impõe é a do que se seguirá para Portugal neste Europeu a este inesperado, inexplicável, pesadelo. Como se reerguer...