Há lugar para um 'vagabundo' no Benfica de José Mourinho?
Rafa Silva regressou ao Benfica em janeiro, depois de pressionar fortemente o Besiktas para sair do clube, agora pressiona José Mourinho para entrar na equipa, mas com argumentos diferentes.
Rafa Silva já é um dos melhores marcadores do Benfica, com quatro golos, só atrás de Vangelis Pavlidis (29), Schjelderup (9), Ivanovic (6) e Richard Ríos, que marcou por cinco vezes.
Na Turquia, o atacante português de 31 anos recusou treinar-se e jogar e criou conflito aberto com o emblema de Istambul, pelo que o regresso ao Benfica foi abraçado com natural agrado. Mas alegria e satisfação têm sido sentimentos pouco exteriorizados pelo jogador, mesmo quando fez golos.
Pouco expansivo nas celebrações, até mesmo os adeptos benfiquistas assinalaram essa forma de estar reservada e discreta de Rafa, alguns interpretando a situação como reação ao estatuto na equipa de Mourinho, ainda longe daquele que o jogador gosta, que é de titular indiscutível. Rafa, recorde-se, pouco utilizado na Seleção Nacional, retirou-se cedo das contas dos selecionadores.
Marcadores portugueses do Benfica na presente temporada: Rafa (4), Anísio Cabral (2), Florentino Luís, João Rego, Tomás Araújo e António Silva, todos com um golo na conta.
Suplente utilizado em Alvalade, Rafa não precisou, todavia, de muito tempo para fazer a diferença, algo que o caracteriza nos jogos mais importantes, mesmo quando não está na melhor forma.
Entrou ao minuto 77, para o lugar de Ivanovic, e apontou o golo do triunfo encarnado no dérbi com o Sporting ao minuto 90+3, finalização em esforço, em zona frontal, ao seu estilo, com reflexos rápidos para escapar à marcação dos adversários.
Nos instantes seguintes, abraçado por Vangelis Pavlidis, foi visto a fazer algo raro desde que regressou ao Benfica: foi, efetivamente, visto a sorrir, naturalmente feliz por momento tão importante, do ponto de vista coletivo, mas, claro, também no plano particular.
Se no Besiktas adotou argumentação polémica, no Benfica, para convencer Mourinho, os argumentos são outros. Depois dos golos a Aves SAD e Real Madrid, em jogos consecutivos, agora novo par de finalizações seguidas, diante de Nacional e Sporting.
O próximo adversário do Benfica é o Moreirense, que já foi vítima de Rafa de águia ao peito em duas ocasiões, mas nunca na Luz. Em 2017 e 2021 o português marcou fora, para a Liga.
Abre-se, pois, um novo debate em torno da equipa do Benfica: terá o onze de José Mourinho lugar para um vagabundo em campo como Rafa? Um jogador menos talhado para questões táticas, mas mais dotado para desequilíbrios? Alguém que pode jogar em várias posições no ataque (já terá experimentado todas), mas que não tem um lugar específico em campo.
No dérbi, com a necessidade de encaixar Fredrik Aursnes no onze, José Mourinho manteve Richard Ríos e fez adiantar Leandro Barreiro, abdicando de Rafa. Agora, com mais um golo no currículo, e que golo!, o atacante pressiona o treinador, afirmando-se como finalizador e como alguém que está pronto para enfrentar, como titular, o Moreirense.
Só há um clube deste campeonato que não sofreu golos de Rafa Silva e dá pelo nome de... Casa Pia. Até o Benfica já esteve na lista negra do atacante antes de ser contratado ao SC Braga.
É o adversário que visita o Estádio da Luz no sábado e é mais um jogo em que o Benfica não tem alternativa que não o triunfo, sob pena de comprometer a luta pelo segundo lugar. Atacar o Moreirense sem Rafa significa manter, atacar o Moreirense com Rafa significa ter de abdicar de Ríos, Barreiro ou ponta de lança. José Mourinho tem, obviamente, a palavra.