Gustavo Silva viu um golo ser-lhe anulado, mas acabou mesmo por decidir o dérbi — Foto: Manuel Fernando Araújo/LUSA
Gustavo Silva viu um golo ser-lhe anulado, mas acabou mesmo por decidir o dérbi — Foto: Manuel Fernando Araújo/LUSA

Gustavo Silva apresentou a lista da retoma vimaranense (crónica)

Avançado brasileiro marcou pelo terceiro jogo seguido e selou o triunfo no dérbi. Gilistas tentaram remediar os estragos, mas atrasaram-se na corrida europeia

Por muito que a época esteja a ser de altos e baixos — dentro e fora das quatro linhas, até porque, recorde-se, a (praticamente) certa ausência das competições europeias da próxima temporada levou a que António Miguel Cardoso, presidente do clube, pedisse a demissão do cargo, cumprindo com a palavra que tinha dado no início desta caminhada —, a dimensão do Vitória nunca pode deixar nenhum adversário descansado. Porque defrontar os vitorianos é ter pela frente uma equipa com individualidades de categoria e que a qualquer instante podem fazer a diferença. Foi o caso.

Como diferença fez, de resto, uma fita métrica a apontar para os... 29 centímetros. Foi por essa marca que Gustavo Silva viu um golo anulado, aos 33 minutos. A recarga certeira do camisola 11, após remate de Noah Saviolo ao poste, foi (bem) invalidada pelo VAR.

Antes disso, refira-se, e mesmo dentro de uma primeira parte intensa, mas pouco espetacular (e com um Gil Vicente bastante aquém do habitual), já o próprio Gustavo Silva tinha ameaçado (2'), o mesmo acontecendo com Murilo (13'), do outro lado. Dani Figueira e Charles, respetivamente, levaram a melhor. E o guarda-redes dos vimaranenses voltou a aplicar-se ainda antes da meia hora, impedindo que a fuga de Gustavo Varela tivesse sucesso.

E ainda que o duelo não chegasse a patamares de excelência (muito longe disso), a qualidade subiu na etapa complementar. Samu deu o mote (47'), Agustín Moreira e Luís Esteves quiseram cantar de galo. Mas aos intentos do uruguaio e do português respondeu Charles: primeiro com o joelho esquerdo e depois com um voo (fotográfico, é certo) altamente eficiente. Ato contínuo, o cabeceamento de Gustavo Varela tirou tinta ao travessão.

E que melhor resposta à pressão poderia encontrar a formação orientada por Gil Lameiras? Chegar ao golo, pois claro: recuperação de Gonçalo Nogueira em zona alta, passe para Gustavo Silva (terceiro jogo consecutivo a marcar), que, ainda de fora da área, rematou de forma colocada para o fundo das redes da baliza contrária.

Gustavo Varela (69') e Héctor Hernández (83') ainda tentaram evitar o desaire, mas em vão.

O Gil Vicente somou o segundo jogo seguido sem vencer (na jornada anterior havia empatado a duas bolas em Tondela) e pode atrasar-se ainda mais na corrida europeia — esta domingo (20h30) há um dérbi escaldante: SC Braga-Famalicão.

Já o Vitória de Guimarães leva dois triunfos e um empate nos últimos três encontros e o caminho da retoma está a ser traçado por um candidato recorrente à eleição (de melhor em campo): Gustavo Silva.

O melhor em campo: Gustavo Silva (7)

Seja pelo corredor ou em cunha, como ultimamente tem atuado, o brasileiro é sempre uma seta apontada às balizas contrárias. Em Barcelos não foi exceção e o camisola 11 esteve envolvido na grande maioria dos lances ofensivos dos conquistadores. Não ficou beliscado pelo golo anulado na primeira parte e, já na etapa complementar, pontapeou os centímetros para... o fundo das redes.

A figura:

Trabalhou, trabalhou, trabalhou. É certo que um ponta de lança vive de golos, não é menos verdade que a referência ofensiva de uma equipa deve ter o faro apurado, mas seria injusto não valorizar a prestação que o internacional sub-21 português teve só por não ter conseguido faturar. Porque também jogou em apoios frontais e na exploração da profundidade. Merecia ter picado o ponto.

As notas dos jogadores do Gil Vicente:

As notas dos jogadores do Vitória de Guimarães:

César Peixoto (treinador do Gil Vicente):

Foi a pior primeira parte que fizemos esta época. Mérito também do Vitória. Corrigimos algumas coisas ao intervalo e na segunda parte tivemos as melhores situações de golo. Mas mesmo assim, não fizemos um bom jogo. Faltou-nos estofo.

Gil Lameiras (treinador do Vitória de Guimarães):

Controlámos o jogo todo. Se havia equipa que tinha de vencer hoje [ontem] era o Vitória. Só quando tivemos alguma fadiga é que baixámos um pouco, mas a equipa uniu-se. Quem representa o Vitória tem de estar sempre habituado a ganhar.

Notícia atualizada às 23h59