Gustavo Silva apresentou a lista da retoma vimaranense (crónica)
Por muito que a época esteja a ser de altos e baixos — dentro e fora das quatro linhas, até porque, recorde-se, a (praticamente) certa ausência das competições europeias da próxima temporada levou a que António Miguel Cardoso, presidente do clube, pedisse a demissão do cargo, cumprindo com a palavra que tinha dado no início desta caminhada —, a dimensão do Vitória nunca pode deixar nenhum adversário descansado. Porque defrontar os vitorianos é ter pela frente uma equipa com individualidades de categoria e que a qualquer instante podem fazer a diferença. Foi o caso.
Como diferença fez, de resto, uma fita métrica a apontar para os... 29 centímetros. Foi por essa marca que Gustavo Silva viu um golo anulado, aos 33 minutos. A recarga certeira do camisola 11, após remate de Noah Saviolo ao poste, foi (bem) invalidada pelo VAR.
Antes disso, refira-se, e mesmo dentro de uma primeira parte intensa, mas pouco espetacular (e com um Gil Vicente bastante aquém do habitual), já o próprio Gustavo Silva tinha ameaçado (2'), o mesmo acontecendo com Murilo (13'), do outro lado. Dani Figueira e Charles, respetivamente, levaram a melhor. E o guarda-redes dos vimaranenses voltou a aplicar-se ainda antes da meia hora, impedindo que a fuga de Gustavo Varela tivesse sucesso.
E ainda que o duelo não chegasse a patamares de excelência (muito longe disso), a qualidade subiu na etapa complementar. Samu deu o mote (47'), Agustín Moreira e Luís Esteves quiseram cantar de galo. Mas aos intentos do uruguaio e do português respondeu Charles: primeiro com o joelho esquerdo e depois com um voo (fotográfico, é certo) altamente eficiente. Ato contínuo, o cabeceamento de Gustavo Varela tirou tinta ao travessão.
E que melhor resposta à pressão poderia encontrar a formação orientada por Gil Lameiras? Chegar ao golo, pois claro: recuperação de Gonçalo Nogueira em zona alta, passe para Gustavo Silva (terceiro jogo consecutivo a marcar), que, ainda de fora da área, rematou de forma colocada para o fundo das redes da baliza contrária.
Gustavo Varela (69') e Héctor Hernández (83') ainda tentaram evitar o desaire, mas em vão.
O Gil Vicente somou o segundo jogo seguido sem vencer (na jornada anterior havia empatado a duas bolas em Tondela) e pode atrasar-se ainda mais na corrida europeia — esta domingo (20h30) há um dérbi escaldante: SC Braga-Famalicão.
Já o Vitória de Guimarães leva dois triunfos e um empate nos últimos três encontros e o caminho da retoma está a ser traçado por um candidato recorrente à eleição (de melhor em campo): Gustavo Silva.
Seja pelo corredor ou em cunha, como ultimamente tem atuado, o brasileiro é sempre uma seta apontada às balizas contrárias. Em Barcelos não foi exceção e o camisola 11 esteve envolvido na grande maioria dos lances ofensivos dos conquistadores. Não ficou beliscado pelo golo anulado na primeira parte e, já na etapa complementar, pontapeou os centímetros para... o fundo das redes.
Trabalhou, trabalhou, trabalhou. É certo que um ponta de lança vive de golos, não é menos verdade que a referência ofensiva de uma equipa deve ter o faro apurado, mas seria injusto não valorizar a prestação que o internacional sub-21 português teve só por não ter conseguido faturar. Porque também jogou em apoios frontais e na exploração da profundidade. Merecia ter picado o ponto.
As notas dos jogadores do Gil Vicente:
Dani Figueira (6), Zé Carlos (6), Antonio Espigares (5), Jonathan Buatu (5), Ghislain Konan (5), Facundo Cáseres (5), Luís Esteves (6), Murilo (5), Santi Garcia (5), Agustín Moreira (6), Gustavo Varela (6), Joelson Fernandes (5), Martín Fernandez (5), Zé Carlos Ferreira (5), Carlos Eduardo (—) e Héctor Hernández (—).
As notas dos jogadores do Vitória de Guimarães:
Charles (7), Miguel Maga (6), Óscar Rivas (6), Thiago Balieiro (6), João Mendes (6), Diogo Sousa (6), Beni (6), Miguel Nogueira (6), Samu (6), Noah Saviolo (6), Gustavo Silva (7), Oumar Camara (5), Gonçalo Nogueira (6), Nélson Oliveira (5), Tony Strata (—) e Rodrigo Abascal (—).
César Peixoto (treinador do Gil Vicente):
Foi a pior primeira parte que fizemos esta época. Mérito também do Vitória. Corrigimos algumas coisas ao intervalo e na segunda parte tivemos as melhores situações de golo. Mas mesmo assim, não fizemos um bom jogo. Faltou-nos estofo.
Gil Lameiras (treinador do Vitória de Guimarães):
Controlámos o jogo todo. Se havia equipa que tinha de vencer hoje [ontem] era o Vitória. Só quando tivemos alguma fadiga é que baixámos um pouco, mas a equipa uniu-se. Quem representa o Vitória tem de estar sempre habituado a ganhar.
Notícia atualizada às 23h59
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