Guerra nos Lakers: Jeanie Buss acusa irmãos de conspiração para vender a equipa
O futuro da liderança dos Lakers continua envolto numa acesa batalha judicial. Jeanie Buss, a ainda governadora da emblemática formação de Los Angeles e um dos herdeiros de Jerry Buss, que comprou o conjunto californiano em 1979 e tornou-o num dos mais bem-sucedidos clubes da NBA até à sua morte em 2013, acusou os cinco irmãos de conspirarem em segredo para forçar a alienação da participação remanescente da família no franchise, de acordo com documentos judiciais citados pela ESPN e pelo The Athletic.
O diferendo familiar centra-se nos cerca de 17,8% que o fundo fiduciário da família Buss (Buss Family Trust) ainda detém nos Lakers. Os irmãos Johnny, Jim, Janie, Joey e Jesse Buss aprovaram por unanimidade (5-0) a venda desta percentagem restante através de direitos de acompanhamento (go-along rights), no âmbito da transação que envolve a saída de Mark Walter para um novo grupo investidor. Jeanie Buss optou pela abstenção.
Na ação submetida ao tribunal, a defesa de Jeanie Buss, de 65 anos, sustenta que os familiares recorreram a votações secretas e a fugas de informação para a comunicação social antes de a consultarem na qualidade de coadministradora do fundo fiduciário, qualificando o processo como uma operação de bastidores destinada a forçar a sua posição.
Os votos e resoluções secretas de bastidores partilhados com a ESPN, em vez de o fazerem com a sua coadministradora e irmã, e a subsequente recusa em discutir o assunto, tinham como objetivo forçar a mão de Jeanie», escreveram os advogados, acrescentando ainda que «o consentimento para uma venda hipotética e parcial não constitui a venda total e definitiva exigida para acionar a extinção» do fundo.
Por sua vez, os cinco irmãos refutam as alegações e sustentam que apenas exerceram os direitos de venda expressamente concedidos pelo fundo familiar. Em tribunal, a posição dos irmãos sublinha que a oposição de Jeanie coloca a sua vontade individual de permanecer no poder à frente dos direitos financeiros dos restantes herdeiros. «Toda a petição (…) baseia-se na noção de que os direitos expressamente concedidos aos beneficiários (…) devem ser subjugados ao interesse pessoal [de Jeanie] em permanecer como proprietária controladora.»
Em termos financeiros, o negócio é altamente volumoso. Caso a totalidade da participação remanescente seja vendida, cada um dos seis irmãos poderá arrecadar cerca de 371 milhões de dólares (332 milhões de euros). O litígio coloca diretamente em causa a permanência de Jeanie Buss como líder máxima dos Lakers, uma vez que a queda da quota familiar para um valor inferior a 15% a impedirá de continuar como governadora da equipa.
Para travar o processo, a dirigente apoia-se numa decisão judicial de 2017, que alega obrigar os coadministradores Joey e Janie a votarem no sentido de preservar as suas funções de controlo. Jeanie requereu à justiça a destituição de ambos e a aplicação de sanções por desobediência.
Este confronto ocorre em paralelo com a venda da participação maioritária de Mark Walter — que em junho de 2025 comprara a parte maioritária do clube à família Buss por 10 mil milhões (8,959 mil milhões) — ao grupo liderado por Josh Kushner, transação que avalia os Lakers em 12,5 mil milhões (11,2 mil milhões) e que prevê Kushner como proprietário controlador e Bob Iger, ex-CEO da Disney, como coproprietário minoritário e operador da franquia, dependendo ainda de luz verde da NBA.
Com negociações para um acordo extrajudicial em curso, o próximo capítulo formal desta disputa está marcado para 8 de dezembro no Tribunal Superior de Los Angeles.
Só que, entretanto, para ajudar à confusão, o jornalista Bill Simmons referiu na passada semana durante no podcast que o negócio dos Lakers para Josh Kushner, acordada em agosto, ainda não se concretizou por aquele ainda não ter conseguido reunir o dinheiro necessário, faltando-lhe entre 5 a 6 milhões (4,48 e 5,37 milhões) pois Bob Iger só entrará com 63 milhões (56,44 milhões).
Rumor que rapidamente pessoas ligadas a Josh Kushner, fundador da empresa de capital de risco Thrive Capital e é o irmão mais novo de Jared Kushner, casado com Ivanka Trump e antigo conselheiro do presidente dos Estados Unidos Donald Trump, vieram desmentir, garantindo que o negócio continua a seguir o seu rumo e não existe qualquer dificuldade em reunir o capital necessário para fechar a operação.
De acordo com Ben Horney, do Front Office Sports, Josh Kushner está a disponibilizar participações minoritárias nos Lakers a partir de 250 milhões (224 milhões), existindo uma procura bastante expressiva no mercado.
«A ideia de que Kushner está a ter problemas em angariar dinheiro para o negócio não é verdadeira», revelou uma fonte ao FOS, complementada por outros relatos que confirmam uma enorme lista de interessados em entrar na equipa 17 vezes campeã da NBA, 15 das quais já fixada em Los Angeles. A mesma publicação refere que o processo poderá ficar concluído nos próximos meses, cabendo a Josh Kushner o papel de proprietário maioritário, ao passo que Bob Iger assumirá a condição de acionista minoritário, ficando responsável pela gestão do dia a dia da organização.
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