Luis Guilherme e Daniel Bragança (Foto: MIGUEL NUNES)
Luis Guilherme e Daniel Bragança (Foto: MIGUEL NUNES)

Grandes golos para espantar grandes fantasmas (crónica)

Livre de laboratório: 1-0; múltiplos primeiros toques e chapéu: 2-0; grande lançamento: 3-0; isolado frente ao guarda-redes: 4-0; isolado frente ao guarda-redes: 5-0. Por fim, autogolo estranhíssimo: 5-1.

A pressão era tremenda. Ter de ganhar para voltar a estar encostado ao Benfica na luta pelo segundo lugar, sabendo que o quase esgotamento podia ainda não ter sido ultrapassado, lançava dúvidas em todos: jogadores, treinador, adeptos e jogadores adversários. Como iriam Sporting e V. Guimarães entrar em campo? Ambos reagiram bem. Sobretudo os leões, espantando eventuais fantasmas com cinco golos e todos eles muito bons.

O V. Guimarães entrou como se o jogo fosse no D. Afonso Henriques: descomplexado, atrevido e rematador. Os dois primeiros remates foram, aliás, de Diogo Sousa e João Mendes. O fantasma dos dois últimos jogos, com Aves SAD e Tondela, parecia rondar Alvalade, mas, de repente, ele foi espantado.

Livre levemente lateral à baliza de Charles. Pedro Gonçalves cruza para a esquerda onde aparece Luis Suárez a meter a bola na pequena área, com Gonçalo Inácio a desviar para o fundo da baliza: 9 minutos, primeiro remate do Sporting, primeiro golo. Ansiedade leonina deitada para trás das costas?

Ver-se-ia, pouco depois, que assim parecia ser. O Vitória acusou o golo, recuou um pouco as linhas e o Sporting começou, pouco a pouco, a criar muito mais perigo, sobretudo pelas alas e, ainda mais, pela direita, com Catamo a continuar o jogador endiabrado que tem sido nos últimos jogos.

O segundo golo apareceu, aos 23’, num lançamento de Charles que foi parar ao círculo central. E aí foi quase uma sucessão de toques de bilhar: cabeça de Gonçalo Inácio, cabeça de Morita, pé esquerdo de Francisco Trincão, toque de Luis Suárez, cabeça de Morita, e chapelada de Daniel Bragança a Charles.

O Vitória, ao contrário do que aconteceu após o 1-0, pareceu não acusar o 2-0. Voltou a jogar bem, com e sem bola, embora o Sporting, aqui e ali com alguns jogadores a darem mostras ainda de alguma fadiga, pudesse ter marcado mais um ou dois golos antes do intervalo: Bragança rematou contra o peito de Charles após jogada coletiva bem interessante (32’); Trincão desvia rentinho ao poste esquerdo (33’); Miguel Nogueira remata à Robben, entrando na direita para o meio e rematando com o pé esquerdo para grande defesa de Rui Silva; Suárez, isolado, remata muito por cima (42’).

O intervalo aproximava-se e o 2-0 levantava alguns dos fantasmas que poderiam estar ainda na cabeça dos jogadores do Sporting, caso lhes viesse à memória o jogo com o Tondela. Porém, um longo lançamento de Debast coloca Maxi Araújo em posição de marcar. O uruguaio evita um adversário e faz golo de pé direito. Anulado por fora de jogo que o VAR, porém, reverteria: 3-0 ao intervalo. Terceiro jogo da Liga, todos em Alvalade, em que os leões chegavam ao intervalo a vencer por três de diferença: Arouca, Estrela da Amadora, Aves SAD. O último fora a 13 de dezembro de 2025, na jornada 14.

Ao intervalo, talvez de forma surpreendente, Rui Borges mexeu no onze: Morita por Luis Guilherme, com Pedro Gonçalves a recuar para médio. Gil Lameiras respondeu com Diogo Sousa por Gonçalo Nogueira. E a mexida vimaranense quase dava resultado, pouco depois: Gonçalo Nogueira entrou pela esquerda, mas não acertou na baliza, apenas imitando o desvio de Trincão, rente ao poste esquerdo.

Tal como no primeiro tempo, o Sporting respondeu ao perigo junto de Rui Silva com um golo: Gonçalo Inácio abre em Pedro Gonçalves, ligeiro toque a isolar Luis Suárez e este, só com Charles, faz o quarto. Tudo fechado ao minuto 61.

Pouco depois, mais trocas: Miguel Nogueira por Oumar Camara e Gustavo Silva por Ndoye, no Vitória (ambas aos 63’); Nuno Santos no lugar de Geny Catamo (70’) e Luís Guilherme a passar para a direita. Onde mais gosta de jogar.

E foi mesmo partindo levemente da direita, após passe fantástico de Luis Suárez, que Luis Guilherme, frente a Charles, explorando a cratera que se abriu no meio-campo/defesa vimaranense, fez o quinto: passe de Luis, golo de Luis (74’).

Restavam pouco mais de 15 minutos para o jogo terminar e apenas duas ideias pareciam estar em cima da mesa: subiria o Sporting o resultado para números de hipergoleada e/ou conseguiria o Vitória, por fim, reduzir o já pesado resultado? A segunda ideia seria consumada, embora de forma estranhíssima: atraso forte e muito colocado de… Debast, sem qualquer hipótese de defesa para Rui Silva: 5-1.

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