O português Gastão Elias no torneio de ténis Millenium Estoril Open 2025. Foto Milleium Estoril Open
O português Gastão Elias no torneio de ténis Millenium Estoril Open 2025. Foto Milleium Estoril Open

Ex-número 2 nacional pensa desistir: «Tenho de arranjar emprego»

Gastão Elias lesionou-se no Open Oeiras 4 e, sem esconder a desilusão, assumiu que o fim de carreira é uma forte possibilidade

Um dos melhores tenistas portugueses de sempre pode estar à beira de um fim inglório. Gastão Elias, antigo número 2 nacional e que em 2016 esteve perto de entrar no top-50 do ranking ATP, lesionou-se nesta quarta-feira, quando disputava o segundo set da ronda inaugural do Oeiras Open 4, frente a Tiago Pereira.

Após o encontro, depois de entrar na sala de conferência de imprensa apoiado em muletas e com a perna esquerda ligada, Elias deixou antever um cenário desanimador quando à lesão e assumiu que pode ter de abandonar a modalidade que iniciou aos quatro anos.

«Senti uma dor muito forte no gémeo esquerdo. Tenho uma ressonância magnética marcada para amanhã de manhã, mas muito provavelmente tenho uma rotura no gémeo. Faltava-me esta no bingo, já tinha tido várias [roturas] nas coxas e agora foi no gémeo», lamentou, citado pela Federação Portuguesa de Ténis.

Não me estou a ver com muita força para voltar a fazer um reset e recomeçar tudo outra vez. Faltam-me poucos pontos para perder o ranking e acho que vai ser muito difícil voltar a jogar

Visivelmente desanimado e emocionado, o tenista de 35 anos que foi pai recentemente e tinha a filha presente enquanto falava, assumiu que o fim de carreira é uma possibilidade, fruto das lesões que o têm atormentado e tirado regularidade nos últimos anos.

«Neste momento, estou desempregado e tenho de arranjar um emprego. Não consigo jogar e, sinceramente, essa parece-me uma visão um bocadinho distante. Não me estou a ver com muita força para voltar a fazer um reset e recomeçar tudo outra vez. Faltam-me poucos pontos para perder o ranking e acho que vai ser muito difícil voltar a jogar», lamentou o atual 589.º classificado do ranking ATP.

Gastão Elias não escondeu a desilusão perante a lesão que o pode obrigar a terminar a carreira - Foto: Beatriz Ruivo/FPT

Numa reação ainda a quente, Gastão Elias falou até num possível jogo de despedida, apesar de admitir sentir-se ainda com capacidade mental para seguir nos courts, caso o corpo lhe permita.

«A minha ideia não era acabar a carreira desta maneira, nem pouco mais ou menos. Ainda há muitos torneios em Portugal, eu tinha planeado jogar todos, mas agora ficam distantes e acho muito difícil voltar a competir. Posso fazer um último jogo num torneio aqui ou ali, mas neste momento não faz muito sentido», declarou, antes de concluir.

«Queria muito continuar a jogar e tenho disponibilidade mental para isso, adoro esta vida e esta profissão, mas infelizmente o corpo não me deixa de maneira nenhuma continuar», finalizou.

Prodígio que chegou a 6.º do mundo jogou o Estoril Open aos 15 anos

Gastão Elias começou a dar nas vistas ainda muito novo. Natural da Lourinhã, onde nem havia campos de ténis, treinava em concelhos vizinhos e foi campeão nacional aos 12 e aos 14 anos. Não deixou de surpreender, porém, a estreia no quadro principal do Estoril Open, aos 15 anos.

Gastão Elias jogou no quadro principal do Estoril Open com apenas 15 anos - Foto: ANTONIO AZEVEDO/ABOLA

Com o sonho de se tornar profissional, mudou-se aos 16 anos para os EUA, onde integrou uma academia na Flórida, por onde tinham passado nomes como Andre Agassi, Tommy Haas, Boris Becker, Serena Williams ou Maria Sharapova.

O trabalho que desenvolveu ali, aliado ao talento que todos lhe reconheciam levaram o nome de Gastão Elias a ser conhecido por todos no mundo do ténis como um prodígio em crescimento.

Não era para menos. Só assim poderia ter chegado a n.º 6 do ranking mundial de juniores, como conseguiu. Faltou-lhe depois, enquanto sénior, confirmar todo o talento que tinha. Lesões travaram-no em várias ocasiões, ainda assim é o tenista português com mais títulos Challenger de sempre (10) e também aquele que alcançou mais finais (23).

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