Bad Bunny - Foto: EPA/CHRIS TORRES
Bad Bunny - Foto: EPA/CHRIS TORRES

Grammys: Bad Bunny faz história em noite contra políticas de imigração, Nuno Bettencourt premiado

Guitarrista venceu pela atuação em «Changes (Live from Villa Park)/ Back to the Beginning», gravada em julho de 2025,

A 68.ª cerimónia dos prémios Grammy, realizada em Los Angeles, ficou marcada por fortes críticas de vários artistas à agência de imigração norte-americana (ICE). O cantor porto-riquenho Bad Bunny fez história e venceu o prémio de Álbum do Ano com «Debí Tirar Más Fotos», tornando-se o primeiro trabalho totalmente em espanhol a receber a distinção máxima da Academia de Artes e Ciências de Gravação.

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No seu discurso de vitória, proferido em espanhol, Bad Bunny dirigiu-se à terra natal. «Porto Rico, acreditem em mim quando vos digo que somos muito maiores que 100 por 35», afirmou, referindo-se às dimensões da ilha. «Não há nada que não possamos conseguir», acrescentou, antes de dedicar o prémio, numa única frase em inglês, «a todas as pessoas que tiveram de deixar a sua pátria para seguirem os seus sonhos».

O artista já se tinha manifestado anteriormente na mesma noite, ao receber o prémio de Melhor Música Urbana. «Antes de agradecer a Deus, quero dizer fora com o ICE», declarou, recebendo uma ovação de pé. «Não somos selvagens, não somos animais, não somos alienígenas, somos humanos e somos norte-americanos», sublinhou, apelando a que se lute «com amor» contra o ódio.

A posição de Bad Bunny foi partilhada por outros vencedores. Billie Eilish, ao receber o prémio de Canção do Ano por «Wildflower», afirmou que «ninguém é ilegal numa terra roubada». A cantora, que já tinha sido criticada pelo Departamento de Segurança Interna devido a publicações nas redes sociais, incentivou à contestação. «Temos de continuar a lutar, a protestar e a falar», disse, terminando com uma crítica ao ICE que foi censurada na transmissão em direto da CBS.

Também Olivia Dean, distinguida como Artista Revelação, usou o seu tempo de antena para defender os imigrantes. «Estou aqui como neta de imigrantes. Sou um produto da coragem e penso que estas pessoas devem ser celebradas», declarou a artista.

Nuno Bettencourt
Nuno Bettencourt

A cerimónia contou ainda com um vencedor português. O guitarrista Nuno Bettencourt foi premiado pela sua atuação em «Changes (Live from Villa Park)/ Back to the Beginning», gravada em julho de 2025, ao lado de Yungblud, Frank Bello, Adam Wakeman e II. Lola Young venceu na categoria de Melhor Atuação Pop a Solo com o tema «Messy».

No que toca aos restantes prémios, Kendrick Lamar foi outro dos grandes vencedores da noite. O rapper, que liderava com nove nomeações, arrecadou cinco gramofones, incluindo o de Gravação do Ano por «luther» e Melhor Álbum Rap por «GNX».

Na passadeira vermelha, muitos artistas usaram pins com a inscrição «ICE out», em solidariedade com as manifestações que ocorreram nos Estados Unidos.