Luís Pinto, orientou o V. Guimarães na época passada - Foto: Hugo Delgado/LUSA
Luís Pinto, orientou o V. Guimarães na época passada - Foto: Hugo Delgado/LUSA

«Gostei de representar o Vitória, mas agora quero vencê-lo»

O treinador do Gil Vicente, Luís Pinto, desvaloriza o passado recente em Guimarães e a amizade com Tiago Margarido na hora de apontar baterias ao 'dérbi' minhoto desta segunda-feira; técnico dos galos minimiza desgaste após duelos com dragões e águias, mas cobra mais pontaria ao ataque

O passado recente guarda memórias douradas — coroadas com a histórica conquista da Taça da Liga (Allianz Cup) pelos conquistadores na época transata —, mas na hora de entrar no Estádio Cidade de Barcelos não há espaço para sentimentalismos. Na conferência de imprensa de antevisão à receção desta segunda-feira ao Vitória de Guimarães, no fecho da 10.ª jornada da Liga, Luís Pinto, treinador do Gil Vicente, admitiu a carga emocional de reencontrar o antigo clube, mas avisou que o sentimento se dissipa no apito inicial.

«Acaba por ser um encontro especial, não apenas por defrontar pela primeira vez o Vitória, mas pelo reencontro com pessoas com quem trabalhei e com quem tive o privilégio de ser feliz. Tem esse significado, foi um clube que gostei muito de representar, mas agora é um adversário que, como é natural, vou querer vencer», atirou o timoneiro gilista.

Apesar de conhecer em detalhe as rotinas dos atletas que orientou e de manter uma longa relação com o atual técnico vitoriano, Luís Pinto recusou qualquer estatuto de favorito nos bastidores.

«Tenho um conhecimento profundo das características daqueles jogadores e sei bem aquilo que o Tiago Margarido vale como treinador e pessoa, até porque somos amigos há muitos anos. No entanto, o mesmo conhecimento existe do lado de lá. Não acredito em vantagens por essa via», atirou.

Alerta à verticalidade e lição da maratona competitiva

O desafio promete contornos de exigência máxima, sobretudo após a goleada aplicada pelos conquistadores ao Marítimo (5-0).

«Vai ser uma partida extremamente desafiante e que nos colocará dificuldades bem diferentes das últimas semanas. O Vitória apresenta uma dimensão física assinalável e procura um futebol muito vertical, o que nos obrigará a índices de concentração altíssimos», projetou o treinador do Gil Vicente.

Vindo de desaires consecutivos diante de FC Porto (Liga Portugal) e Benfica (Allianz Cup), Luís Pinto fez questão de afastar qualquer fantasma de quebra física ou psicológica perante o ciclo infernal de calendário. Pelo contrário: vê na exigência uma rampa de afirmação para os galos.

«Aquilo que o Gil Vicente ambiciona institucionalmente é ter esta rotina: jogar a meio da semana e ao fim de semana. As fundações de uma equipa forte criam-se assim. Para o crescimento que pretendemos, considero fundamental habituar o grupo a esta densidade de jogos», sustentou.

A única pedra no sapato continua a ser a finalização. Sem querer dramatizar a seca de golos, o técnico exigiu um salto na eficácia: «O plantel tem qualidade e capacidade para faturar muito mais do que tem feito. O volume ofensivo existe, mas tem faltado materializar em golos. Precisamos de continuar focados no processo e ter a certeza de que a bola vai voltar a entrar com toda a naturalidade.»

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