Froholdt: a vitória que foi «tomada de posição» e a frase que todos disseram por Jorge Costa
— É impossível não falarmos de Jorge Costa. O Victor não esteve muito tempo com ele, mas ainda chegou a conhecê-lo. Quão difícil foi lidar com a dor dessa perda?
— Foi um dia trágico. Acho que todos nós recordamos esse dia com muita tristeza nas nossas mentes e corações. Nunca queremos perder ninguém aqui, especialmente uma figura desse nível, com tanta história do FC Porto. Foi um dia muito difícil para todos nós. E se há algo que pode deixar-nos orgulhosos é termos sido capazes de criar uma união única. Toda a gente ficou mais unida após este trágico acontecimento. Com isso em mente, foi bom para todos nós termos o Jorge Costa sempre presente nas nossas mentes. Levámos o seu número para todos os jogos, celebrámos e recordámo-lo no final do jogo em que vencemos o campeonato. Foi um momento que realmente sentimos dentro de nós, no nosso íntimo.
— De que forma foi possível transformar essa dor em combustível? Há a sensação de que o Jorge ajudou-vos, de forma especial, a chegarem ao tão desejado título.
— É algo que não consegues controlar, mas acho que todas as pessoas do clube disseram algo após esse acontecimento: «Agora, vamos ganhar pelo Jorge». Ter isso na nossa mente em todos os momentos e a noção de que faríamos tudo por ele e pela família dele foi algo que nos acompanhou em todos os jogos que fizemos
«Vitória em Braga foi uma tomada de posição»
— Para o FC Porto, foi uma época com mais sucessos do que insucessos. Ainda assim, qual foi o momento mais difícil a nível desportivo?
— Um dos momentos mais difíceis foi aquele período entre janeiro e fevereiro. Tivemos algumas mudanças na equipa, perdemos fora com o Casa Pia, fizemos muitos jogos... Olho para trás e sinto orgulho ao ver que conseguimos seguir em frente depois dessa fase. Depois da derrota com o Casa Pia, mantivemo-nos unidos e continuámos na direção certa para vencermos o campeonato. Em todas as épocas há altos e baixos, mas o mais importante é saberes que só controlas uma coisa: dar tudo o que podes aqui, no estádio e nos jogos fora. E sinto que fizemos isso também nos momentos mais difíceis, porque houve muitos que superámos.
— Falando em momentos difíceis, mas num plano obviamente distinto, as ausências, por lesão, de jogadores como Nehuén Pérez, Samu e Luuk de Jong dão mais valor ao título do FC Porto?
— Ao longo de uma época, todas as equipas enfrentam lesões, algumas de jogadores-chave e em posições-chave. Não sinto que tenhamos sofrido muitas lesões pequenas, mas tivemos algumas graves, que deixaram jogadores de fora durante muito tempo. Mas essas lesões dão oportunidades a outros jogadores, que podem chegar-se à frente. Estou muito orgulhoso por termos conseguido fazer isso. O Nehuén, o Samu e o Luuk lesionaram-se, mas nós tivemos o Deniz [Gul] e o Terem [Moffi], que fizeram um trabalho muito bom. Por isso, estou contente por termos conseguido manter o nível apesar de algumas lesões difíceis. E também tivemos uma reunião recentemente, onde se disse que conseguimos ter um índice de disponibilidade de jogadores a bater nos 90% ao longo desta época. Foi algo que gerimos muito bem.
— No que toca a momentos positivos, já falámos sobre a vitória em Braga e a verdade é que, quando soou o apito final, vimos Farioli festejar de uma forma que ainda não tínhamos visto.
— Como já disse antes, o que mais me orgulha é o somatório do que fizemos em todos os jogos, mas sim, o jogo de Braga, em particular, foi uma grande vitória. Estivemos a perder por causa de um penálti, mas conseguimos a reviravolta. E esse jogo também foi muito importante porque mantivemos a liderança e alguns pontos de vantagem sobre o Sporting e o Benfica na corrida pelo título. Vencer esse jogo foi uma tomada de posição da nossa parte, e também por termos conseguido a vitória depois de estarmos em desvantagem. Foi um jogo muito bom para todos nós, que recordamos como um dos momentos-chave da época.