Pin fez história na Mercedes e na F1. IMAGO
Pin fez história na Mercedes e na F1. IMAGO

Francesa entra para a história da Fórmula 1

Doriane Pin tornou-se hoje a primeira mulher a conduzir um carro de Fórmula 1 da Mercedes, completando dezenas de voltas ao lendário circuito de Silverstone ao volante do W12 de 2021 — o mesmo monolugar com que Lewis Hamilton disputou um dos títulos mais dramáticos da história da modalidade.

A piloto francesa Doriane Pin fez história ao tornar-se a sétima mulher a pilotar um monolugar de Fórmula 1. A Mercedes anunciou que Pin participou num teste no circuito de Silverstone, onde esteve pela primeira vez aos comandos do W12.

Doriane Pin é a sétima mulher a conduzir um carro de F1 oficial, quando falamos de pilotos que participaram em sessões de fim de semana de Grande Prémio — os treinos livres — ou que testaram maquinaria oficial em contextos ligados às equipas.

A jovem piloto junta-se assim a um grupo restrito que inclui Katherine Legge (2005), María de Villota (2011 e 2012), Simona de Silvestro (2014), Susie Wolff (2012-2015), Tatiana Calderón (2018-2019) e Jessica Hawkins (2023). Susie Wolff foi a última mulher a participar numa sessão oficial de F1, quando pilotou um Williams na primeira sessão de treinos livres do Grande Prémio da Grã-Bretanha em 2014.

A integração de Doriane Pin na academia de jovens pilotos da Mercedes em 2023 tem sido um passo fundamental na sua carreira, com a equipa alemã a apostar no seu talento e a proporcionar-lhe oportunidades como este teste de F1.

Há, porém, uma segunda história, mais antiga e mais dura da realidade das mulheres que tentaram competir nos Grandes Prémios, para pontuar no Campeonato do Mundo.

As mulheres na F1

E essa é uma lista bem mais curta.

Tem apenas cinco nomes.

Ao longo dos 76 anos de história do Campeonato do Mundo de Fórmula 1, apenas cinco mulheres entraram em pelo menos um Grande Prémio, embora apenas duas tenham conseguido qualificar-se e partir numa corrida.

A primeira foi a italiana Maria Teresa de Filippis. De Filippis tornou-se a primeira piloto feminina a competir numa corrida de campeonato, em 1958. O caminho foi árduo: num Grande Prémio de França, o diretor de corrida recusou-lhe a participação com a frase infame de que «o único capacete que uma mulher deve usar é o do cabeleireiro». Ainda assim, conseguiu alinhar em três partidas.

Quinze anos depois, surgiu Lella Lombardi — também italiana. Lombardi é a única mulher a pontuar numa corrida de F1, tendo marcado meio ponto no Grande Prémio de Espanha de 1975. Ao longo da carreira, entrou em 17 corridas e largou em 12 — um registo que nenhuma outra piloto feminina igualou.

As outras três — Divina Galica, Desiré Wilson e Giovanna Amati — tentaram qualificar-se para corridas mas não conseguiram. Amati, contratada pela Brabham em 1992, fez três tentativas de qualificação sem sucesso, antes de ser substituída pelo então jovem Damon Hill.

Amati permanece a última mulher a ter tentado entrar num Grande Prémio de F1.

O percurso de Pin tem sido marcado por resultados notáveis. Na época passada, sagrou-se campeã da F1 Academy com quatro vitórias e oito pódios. Em 2024, alcançou o vice-campeonato na mesma competição, e um título em 2025 consolidou-a como um dos talentos emergentes dos últimos anos.

A sua carreira no automobilismo começou aos nove anos no campeonato nacional de karting de França. Desde então, competiu em diversas categorias, incluindo as Le Mans Series, o campeonato de GT, o Campeonato Mundial de Resistência (WEC), IMSA e a F1 Academy.

Nesta temporada, Pin regressou às corridas de resistência ao competir na European Le Mans Series com a equipa Duqueine, tendo já alcançado um pódio na sua categoria na prova inaugural, em Barcelona. No entanto, mantém a sua ligação aos monolugares através do trabalho com a Mercedes.

«Hoje é um dia muito especial. Vou pilotar um Fórmula 1 pela primeira vez em Silverstone. Estou muito entusiasmada. Vai ser um grande dia. É algo com que sonhei toda a minha vida, por isso vou aproveitar cada segundo e agarrar esta oportunidade para continuar a construir a minha carreira e a crescer como piloto», disse Pin.