Formou-se no Sporting e está a brilhar na Ucrânia: «Não hesitei»
LONDRES — Aos 21 anos, André Gonçalves decidiu deixar Portugal pela primeira vez e rumar à Ucrânia. Formado em Alcochete desde os sub-14, o extremo não conseguiu chegar à equipa principal (somou cinco jogos na equipa B) e assinou pelo Estoril, em 2024, a custo zero. Nos sub-23, sagrou-se campeão do escalão e, na temporada seguinte, estreou-se na equipa A num jogo da Taça de Portugal.
Sem mais oportunidades, surgiu o interesse do Polissya em janeiro de 2025 e, apesar da guerra que dura em solo ucraniano há quatro anos, André Gonçalves não teve dúvidas. «Surgiu o interesse de um clube ucraniano, o Polyssia. Na altura, fazia sentido arriscar uma primeira liga e não hesitei», começou por dizer, em entrevista a A BOLA, afirmando que não poderia recusar a chance de jogar num primeiro escalão. O atleta rendeu ainda 200 mil euros aos cofres estorilistas.
Porém, como seria de esperar, na Ucrânia encontrou «uma realidade completamente diferente». «Temos de nos habituar à realidade daqui, adaptar-nos aos alertas e às dificuldades do dia a dia. A nível profissional, nem sempre é fácil manter o foco e a rotina, mas tentamos dar o nosso melhor e encarar tudo com normalidade», explicou, recordando a situação mais complicada que viveu até ao momento.
«Lembro-me de uma situação que me marcou bastante. Na véspera do primeiro jogo do campeonato, ficámos alojados no centro de Kiev e, durante a noite, devido às explosões, tive de passar a noite toda no bunker. Foi uma experiência complicada, principalmente porque estávamos prestes a começar a competição. São momentos que nos fazem perceber a realidade que se vive aqui», admitiu, garantindo, no entanto, que a família «lidou bem» ao receber a notícia da sua mudança para um país em guerra.
Contudo, a passagem no Polissya, atual segundo classificado, não foi bem-sucedida (16 jogos e 1 assistência no espaço de um ano) e Gonçalves foi emprestado ao Veres, que luta pela permanência. Na segunda metade da época passada, somou 12 jogos e duas assistências, mas em 2026/27 está a brilhar. Já leva mais jogos (14) do que noutras edições, e ainda estamos em novembro, e conta com três golos e três assistências.
«Estou muito satisfeito com este início de temporada. Tenho tido regularidade, minutos e conseguido ajudar a equipa com golos e assistências. Talvez seja uma das melhores fases da minha carreira, mas quero continuar a evoluir, trabalhar e ajudar o Veres a alcançar os seus objetivos. A nível pessoal, quero continuar a crescer e dar o salto para um nível ainda mais alto», afirmou, desejando dar o passo em breve.
«Foi uma decisão difícil sair do Sporting»
Sobre o Sporting, o seu clube de formação, André Gonçalves admite que continua atento ao que se passa em Alvalade. «Claro que continuo a acompanhar o Sporting. É um clube muito especial para mim, onde passei uma fase importante da minha formação. Fico sempre feliz por ver o clube bem e continuo a acompanhar os jogos e os resultados sempre que posso», disse, justificando a saída do clube sem cumprir o seu sonho.
«Foi uma decisão difícil, porque tinha o sonho de chegar à equipa principal do Sporting. Mas, no futebol, às vezes temos de tomar decisões e procurar oportunidades noutros clubes para continuar a crescer, ganhar experiência e afirmar-nos como jogadores», explicou.
Conhecedor da realidade ucraniana, falando desportivamente, André Gonçalves acredita num jogo competitivo entre Sporting e Shakhtar, esta terça-feira, em Londres, afirmando que os campeões ucranianos são fortes, mas acreditando num triunfo leonino. «Acho que vai ser um bom jogo. O Shaktar tem uma boa equipa, mas espero a vitória do Sporting», apostou.
Por fim, questionado sobre, se um dia, regressaria a Portugal para jogar, André Gonçalves não negou, mas mostrou-se satisfeito no Veres e em continuar no estrangeiro. «Claro que gostava de voltar a Portugal, mas neste momento estou focado no Veres e em continuar a evoluir. O meu objetivo é dar o meu melhor, crescer como jogador e aproveitar as oportunidades que surgirem no futuro, seja em Portugal ou noutro país», concluiu.