Aos 14 anos, o norte-americano Freddy Adu já era «o novo Pelé»... - Foto: A BOLA
Aos 14 anos, o norte-americano Freddy Adu já era «o novo Pelé»... - Foto: A BOLA

«Foi época caótica, mas se tivesse ficado no Benfica...»: Freddy Adu quebra o silêncio

Antigo «novo Pelé» recorda a chegada à Luz em 2007 e aponta a instabilidade de ter apanhado três treinadores num ano como o início da queda na carreira

Rotulado como o «novo Pelé» aos 14 anos e lançado na ribalta mundial antes sequer de atingir a maioridade, Freddy Adu chegou ao futebol europeu no verão de 2007 para reforçar o Benfica, na mesma janela de transferências em que as águias garantiram Ángel Di María.

Quase duas décadas depois, e agora com 37 anos e dedicado ao treino de jovens nos Estados Unidos, o antigo avançado abriu o livro à revista FourFourTwo sobre o momento em que a sua trajetória começou a descarrilar.

Freddy Adu e 39 outras promessas que não vingaram:

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Apesar do interesse do Manchester United na altura, Adu rumou a Lisboa aconselhado pelos seus empresários, embora admitisse sonhar com outros palcos: «Para ser sincero, nem sei porque não fui para o Manchester United. Era muito jovem e o meu agente trazia-me propostas de vários clubes. Na altura, nos Estados Unidos, não sabíamos quase nada sobre a Liga portuguesa; conhecíamos a Premier League, a Liga espanhola, a italiana ou a alemã, e eu queria ir para uma dessas, era esse o meu sonho. Mas os adultos na sala achavam que o Benfica seria um excelente trampolim. Quando cheguei, percebi de imediato a grandeza do clube e o ambiente incrível.»

A experiência na Luz, contudo, ficou marcada pela volatilidade do banco de suplentes: começou a temporada sob as ordens de Fernando Santos (despedido logo à 1.ª jornada), passou por José Antonio Camacho e terminou a época com Fernando Chalana.

Freddy Adu: 18 anos, 2 meses e 12 dias - Foto A BOLA
Freddy Adu no Benfica - Foto A BOLA

«O que me azedou no Benfica foi ter passado por três treinadores diferentes logo no meu primeiro ano, com tudo a mudar constantemente. Chegava um técnico com as suas ideias e os jogadores que queria colocar; depois vinha outro com os dele. Foi desestabilizador e caótico para a minha primeira época na Europa. Foi aí que tudo começou a correr mal e a ir por água abaixo», conta Adu.

O maior lamento do antigo prodígio norte-americano reside, porém, na decisão de rumar ao Mónaco por empréstimo logo na época seguinte, numa escolha precipitada que contrasta com a paciência demonstrada por Di María.

«Por muito que adore o Benfica, essa época foi o ponto de viragem. Eu sentia-me bem e joguei bem, mas tudo era demasiado instável. Ter aceitado o empréstimo ao Mónaco foi o erro: se tivesse ficado e lutado pelo meu espaço no Benfica, tal como o Ángel Di María fez, isso ter-me-ia servido muito melhor. A partir do momento em que comecei a rodar por empréstimo, virou uma bola de neve. Não jogas, há problemas dentro e fora de campo, desces para equipas de divisões inferiores para ter minutos e o rumo perde-se por completo», conclui o antigo jogador.

Após deixar o Benfica, Adu somou passagens por empréstimo por Belenenses, Aris (Grécia) e Rizespor (Turquia). Segundo o próprio, muitos clubes apenas o contratavam «por questões de marketing e audiências». Encerrou a carreira em 2021 no futebol sueco.

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