Final à 'Hollywood' depois do festival de desperdício (crónica)
À boa moda portuguesa, foi até ao fim! A Seleção arranca a caminhada rumo ao Mundial com o pé direito, mas o embate com as finlandesas não foi nada fácil... sobretudo pela gritante falta de acerto na frente.
A qualidade técnica (e tática) sobejamente superior das portuguesas ficou evidenciada desde início, mas a muralha de gelo montada pelas nórdicas acabou por ser bastante difícil de quebrar.
Com Pedro Proença como espectador atento na tribuna do Estádio do Vizela, a equipa às ordens de Francisco Neto entrou em campo com uma missão clara: vencer para dar um passo importante na jornada até ao Brasil.
Nesse sentido, foi sem surpresas que Kika Nazareth assinou a primeira oportunidade do encontro. Os primeiros dez minutos, aliás, foram de alta intensidade... para os dois lados.
A formação nórdica causou dores de cabeça à Seleção, sobretudo por intermédio da sempre irrequieta Lotta Lindstrom. A avançada registou dois tiros perigosos, aos 6' e aos 9', e as visitantes acabaram por aí, pelo menos ofensivamente, no primeiro tempo.
Apenas quase vinte minutos depois, com muitas batalhas no meio-campo pelo meio, se viu perigo novamente e foi a partir desse momento que Portugal subiu o nível e encostou as adversárias às cordas.
Jéssica Silva roubou a bola à guardiã Koivunen dentro da área, serviu Diana Silva e só não se gritou golo no Minho porque a bola foi travada em cima da linha.
Até ao apito para o intervalo, entre pormenores técnicos deliciosos de Kika e Jéssica, que encantaram as bancadas, houve mais sinais de vitalidade lusa. Sem conseguir contrariar a alta pressão portuguesa, a Finlândia sentiu tremendas dificuldades na construção ofensiva, o que resultou em minutos de sofrimento perto da baliza.
Drama reservado para o fim
Cientes da importância de vencer na estreia desta fase de qualificação, as Navegadoras mantiveram a toada no arranque da etapa complementar, colecionando oportunidades e sufocando as forasteiras.
A bola teimava em não entrar e, nas raríssimas ocasiões em que as comandadas de Marko Saloranta conseguiam sair da teia de pressão lusa, causaram calafrios à retaguarda nacional.
Francisco Neto refrescou a frente de ataque, à procura de desgastar (ainda mais) a defesa contrária, lançando Ana Capeta e Carolina Santiago, mas foi outra jogadora a saltar do banco que desbloqueou a contenda — e de que maneira!
Já se jogava a compensação quando, com um remate fabuloso do meio da rua, Lúcia Alves, que havia entrado oito minutos antes, causou uma explosão de alegria em Vizela. Foi preciso recorrer à lei da bomba para destruir o cofre finlandês.
🦅 O grande golo de Lúcia Alves pela Seleção Portuguesa.pic.twitter.com/5MYQLjpfUp
— SL Benfica Futebol Feminino (Apoio) (@BenficaFem) March 3, 2026
Quando um triunfo, magro mas justo, parecia certo, eis que Carolina Santiago apareceu na área a finalizar com classe, dilatando a vantagem.
Por incrível que pareça, o drama nos descontos ainda reservou mais um momento épico: Inês Pereira voou para uma defesa espetacular, travando o remate de Eveliina Summanen da marca dos 11 metros.
Apenas um lugar no ranking separa as duas seleções (22.ª contra 23.ª), mas o que se viu em campo foi uma diferença brutal. Segue-se o desafio com a Eslováquia, em Barcelos, com o Minho a receber mais um jogo na caminhada lusa até ao Mundial.