Filipe Coelho sublinhou o crescimento do Casa Pia. Foto: Miguel Nunes
Filipe Coelho sublinhou o crescimento do Casa Pia. Foto: Miguel Nunes

Filipe Coelho: «Faltou-nos maior agressividade dentro da área»

Destacou a evolução do Casa Pia e a excelente segunda parte frente ao Sporting. O treinador explicou os ajustes feitos ao intervalo, assumiu a necessidade de melhorar a capacidade ofensiva e garantiu que não se arrepende de ter arriscado nos minutos finais

— O que mudou na segunda parte para o Casa Pia conseguir ser mais audaz e chegar com maior frequência à zona de finalização? Foi uma alteração estratégica ao intervalo ou uma leitura de que o Sporting, depois do golo, baixou o ritmo ofensivo?

— Acho que fizemos um bom jogo, com uma excelente segunda parte. Não houve nenhuma alteração de estratégia ao intervalo, mas sim um ajuste e um alerta para os momentos de transição.

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A nossa equipa não estava bem equilibrada. Ao intervalo, disse que devíamos ser mais corajosos e equilibrar a equipa com igualdade numérica, homem a homem. Não era necessária uma superioridade numérica, porque queríamos manter a nossa forma de estar. Queríamos ser corajosos e audazes, e foi isso que nos faltou na primeira parte.

Senti que a energia do jogo, favorável ao Sporting na primeira parte, resultou muito de um défice de atenção nos equilíbrios. Estávamos a chegar bem através de algumas transições ofensivas, mas não estávamos a criar perigo dentro da área como gostaríamos. A falta de cuidado com as distâncias em relação aos homens de transição obrigou-nos, muitas vezes, a correr 50 ou 60 metros para trás. Isso já não aconteceu na segunda parte.

Fizemos uma excelente segunda parte. Dizer que empurrámos o Sporting para trás, contra a parede, talvez seja exagerado, mas houve essa sensação. O Sporting não nos deu a bola: fomos nós que conquistámos esse domínio e conseguimos chegar ao último terço com qualidade. Faltou-nos maior agressividade dentro da área, mas também não tivemos muito espaço para explorar nas costas da defesa do Sporting. Conseguimos empurrar o adversário para trás, dominámos e, com maior atenção às transições, tornámo-nos uma equipa mais agressiva. Anulámos também o jogo direto do Sporting, que teve poucas ideias na segunda parte, e voltámos a construir ataques de forma mais consistente.

— O Casa Pia está em crescimento, mas a capacidade ofensiva parece continuar a ser um dos aspetos a melhorar. Trata-se de uma questão de qualidade do plantel ou de um processo que ainda precisa de ser desenvolvido?

É um processo. Costumo usar muito a metáfora da manta: temos cuidado mais da organização defensiva porque sentimos que, neste início de campeonato, precisávamos de construir pilares com uma estrutura defensiva muito mais forte. Acho que atingimos esse patamar.

Obviamente, necessitamos de maior agressividade no último terço. Temos de ser mais agressivos na forma como chegamos à baliza, encontramos os cruzamentos e servimos os jogadores na área. Precisamos também de aumentar esses números na área.

Para continuarmos a fazer isso, é muito importante cuidar do equilíbrio da equipa, de forma a conseguirmos voltar a construir jogadas depois dos ataques bem-sucedidos, mantendo as distâncias certas. Concordo com a análise, mas talvez tenha chegado a altura de puxar a manta mais para esse lado, porque sentimos claramente que a equipa está a crescer.

Hoje foi uma demonstração de uma equipa em crescimento, com qualidade e personalidade. A segunda parte provou também que sabemos aprender com os erros e que as nossas intervenções ao intervalo são bem recebidas pelos jogadores. Aprendem e aplicam rapidamente, o que nos deixa orgulhosos, porque há potencial para trabalhar.

— Como procurou o Casa Pia condicionar a saída de bola do Sporting?

— O bloco mais baixo serve para retirar alguma profundidade e estarmos mais confortáveis, mas não implica que baixemos a nossa agressividade. Os gatilhos de pressão estão bem claros para todos.

Também vemos Rosas a fazer o mesmo movimento e David a fechar a largura do nosso lado esquerdo. É importante percebermos esses gatilhos e queremos ativar essa pressão mais vezes, embora nem sempre seja possível.

Recordo que, frente ao Estrela da Amadora, uma equipa com maior mobilidade até do que o Sporting, foi mais difícil ativarmos essa pressão. Foi desta forma que tentámos bloquear algumas das valências do adversário. Sabíamos que, depois de ativarmos a pressão, o Sporting podia arriscar uma ou outra bola por dentro, revelando alguma fragilidade, e que poderíamos aproveitar para sair em transição. Também sabíamos que, esperando pela nossa oportunidade em bloco baixo, teríamos ocasiões para sair e chegar ao último terço, como aconteceu. Infelizmente, não conseguimos marcar.

— Arrepende-se de ter colocado o guarda-redes Patrick Sequeira na área adversária na jogada que acabou por resultar no segundo golo do Sporting? Olhando agora para o lance, considera que o fez demasiado cedo?

— Não. Era preciso arriscar. Não me arrependo de ter colocado o Cassiano e o Jatta, nem de termos tirado um central. Isso demonstra a nossa coragem e personalidade.

As alterações que fazemos e os jogadores que trocamos transmitem mensagens claras para dentro do campo. E essa mensagem passou: queríamos ser corajosos e chegar ao golo.

O Patrick subir a dois minutos do fim não foi tarde nem cedo: foi à hora certa. Para nós, sair daqui com 2-0 é igual a sair com 1-0.

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