FIFA acusa UEFA de «campanha de difamação» contra Infantino
A FIFA acusa a UEFA de orquestrar uma «campanha de difamação contra si e a sua liderança» no âmbito do plano, entretanto abandonado, do presidente Gianni Infantino para vender participações no Mundial a investidores privados.
A polémica intensificou-se na semana passada, quando o organismo que rege o futebol europeu apresentou documentos legais nos Estados Unidos a solicitar a divulgação de provas e documentos da FIFA, no contexto de potenciais queixas-crime na Suíça. A UEFA acusa Infantino de «gestão danosa» e de promover «um preço fraudulentamente abaixo do mercado para seu próprio benefício» através do projeto Fifa Forward Enterprise (FFE), que já foi cancelado.
Em resposta, a FIFA apresentou os seus próprios documentos judiciais nos EUA, que a BBC revela esta quinta-feira, pedindo ao tribunal que se oponha ao pedido da UEFA até ao final do mês. O organismo mundial alega que a argumentação da UEFA «sofre de um defeito fundamental» e de «deficiências legais».
«A UEFA procura obter provas para um processo-crime no estrangeiro que não existe e que a UEFA admite não ter autoridade para iniciar. Apesar desse problema liminar, a UEFA pede a este tribunal que autorize uma investigação abrangente sobre o FFE», pode ler-se no documento da FIFA.
O organismo que rege o futebol a nível mundial reitera que a criação do FFE era «apenas uma proposta» e que só avançaria com o apoio da maioria das federações-membro e com «as devidas aprovações do Conselho da FIFA». «Em vez de participar nesse processo democrático, a UEFA emitiu um comunicado de imprensa – o início de uma campanha de difamação de semanas contra a FIFA e a sua liderança», acusa a organização.
Além disso, a FIFA alega que a «motivação económica» da organização europeia é impedir que países mais pequenos tenham a «força financeira para competir com a elite europeia». Segundo a FIFA, «se o futebol for fortalecido no mundo em desenvolvimento, a competição global aumenta, o que, em última análise, reduz o poder de mercado da UEFA e cria mais concorrência para os seus principais torneios».
A UEFA recusou-se a comentar, embora fontes internas, citadas pela BBC Sport, acreditem que, se a FIFA não tem nada a esconder, deveria divulgar os documentos para acelerar o processo legal. Recorde-se que a UEFA lidera a oposição a Infantino, que enfrenta pedidos de demissão de três confederações.
O organismo europeu também solicitou a um tribunal de Nova Iorque que ordene a divulgação de testemunhos e documentos do investidor de capital de risco Joshua Kushner, da sua empresa Thrive Eternal, e do financeiro americano Greg Maffei. Kushner, cunhado do genro do ex-presidente dos EUA Donald Trump, seria o principal investidor no FFE, enquanto Maffei foi um conselheiro-chave no negócio.
A Thrive Eternal manteve conversações com Infantino para liderar um investimento de 4,2 mil milhões de dólares (3,1 mil milhões de libras) por 20% de uma nova subsidiária comercial da FIFA. O plano foi abandonado em julho, após uma forte reação negativa. Na altura, a FIFA defendia que o FFE aumentaria o financiamento distribuído a cada federação nacional de 5,9 milhões para 14,7 milhões de libras no ciclo 2027-2030.
No domingo, Kushner lamentou o desfecho do FFE: «Embora defendamos as motivações do FFE, não conseguimos avaliar a dinâmica política do futebol mundial e até onde alguns iriam... se soubéssemos no que isto se transformaria, não nos teríamos envolvido».
Os advogados da UEFA argumentam ainda que o Campeonato do Mundo foi deliberadamente subavaliado em cerca de 15 mil milhões de libras, um valor que, segundo eles, «não resultou de um leilão aberto e competitivo, nem foi testado por qualquer avaliador independente». A UEFA alega também que Infantino não consultou a hierarquia da FIFA sobre o plano.