Mohammed Ben Sulayem e Kimi Antonelli após o Grande Prémio de Miami, ganho pelo italiano      Fotografia Imago
Mohammed Ben Sulayem e Kimi Antonelli após o Grande Prémio de Miami, ganho pelo italiano Fotografia Imago

FIA pondera proibir posse de múltiplas equipas, mas trocar motores V6 por V8 já tem data

Presidente da federação internacional diz que ter duas equipas da mesma da mesma marca a competir na mesma prova e temporada «não é o caminho certo». FIA pressiona para 2030, com o apoio da Mercedes, novos motores. Diz que, no máximo, mudança acontecerá em 2031

A Federação Internacional do Automóvel (FIA) está a analisar a possibilidade de proibir a posse de múltiplas equipas na Fórmula 1, uma questão que poderá ter implicações significativas para a Red Bull e para uma recente proposta da Mercedes.

Mohammed Ben Sulayem, presidente da FIA, afirmou que o organismo regulador está a investigar se a posse de mais do que uma equipa deve ser permitida. «Ter duas [equipas] não é o caminho certo», declarou Ben Sulayem, citado pelo London Times, sinalizando uma possível mudança de posição sobre o assunto.

Esta tomada de posição pública surge num momento crucial. Recorde-se que a Red Bull detém duas equipas há cerca de duas décadas — a Red Bull Racing e a Racing Bulls — numa era em que a modalidade se encontra numa posição financeira muito mais robusta. Rumores que circulam há vários meses sugerem que uma alteração nas regras por parte da FIA ou da F1 poderia forçar a Red Bull a vender a Racing Bulls.

A discussão ganha ainda mais relevância com o interesse na equipa Alpine. A Mercedes apresentou recentemente uma proposta para adquirir a participação de 24% da Otro Capital na Alpine, sendo que a Renault detém os restantes 76%. Esta potencial mudança de regras por parte da FIA poderá afetar diretamente a proposta da Mercedes.

A corrida pela participação da Otro Capital na Alpine conta com vários interessados. Uma das propostas é liderada por Christian Horner, antigo chefe de equipa da Red Bull. Outra oferta foi submetida pela Mercedes e pelo seu CEO e chefe de equipa, Toto Wolff, o antigo rival de Horner.

A Renault tem o poder de decidir a quem a participação da Otro Capital é vendida, mas esse privilégio expira em setembro. Fontes indicam que a proposta da Mercedes é vista com bons olhos pela Renault, devido à sinergia que poderia surgir entre os dois construtores automóveis através de um acordo desta natureza.

Motores V8 de volta à F1 em 2030

A FIA parece igualmente determinada a substituir os controversos motores V6 híbridos por unidades V8, mais simples e ruidosas, até 2030 ou, o mais tardar, 2031. O plano já recebeu o apoio inicial da Mercedes, atual líder do campeonato.

Neste caso, Ben Sulayem garantiu que, se necessário, forçará a alteração em 2031, mas mostra-se otimista em conseguir um acordo com os fabricantes de unidades de potência (PUMs) para antecipar tudo em 2030. «Está a chegar. No final de contas, é uma questão de tempo», afirmou Ben Sulayem à Reuters antes do Grande Prémio de Miami. «Em 2031, o V8, a FIA terá o poder de o fazer, sem qualquer votação dos PUMs. São os regulamentos. Mas queremos antecipá-lo um ano, que é o que todos pedem agora».

Recorde-se que os monolugares de F1 são movidos por motores V6 turbo-híbridos desde 2014. A atual geração de unidades motrizes, que este ano viu a potência elétrica aumentar para quase 50 por cento da potência máxima, tem sido alvo de fortes críticas. O tetracampeão Max Verstappen classificou-os como «anti-competição», e vários pilotos compararam as corridas com o impulso da bateria ao jogo Mario Kart.

A necessidade de recarregar a bateria várias vezes durante as voltas de qualificação também se revelou impopular. O campeão mundial Lando Norris considerou que as alterações feitas antes do GP de Miami para resolver o problema não foram suficientes.

Ben Sulayem já tinha sugerido o regresso aos motores V10 ou V8 de aspiração natural, mais alinhados com os motores de alta rotação dos anos 2000, e agora parece decidido pela opção V8 e prometeu motores mais simples e com melhor som, embora com a manutenção de um pequeno elemento híbrido.

«Ganha-se o som, menos complexidade, menos peso», disse Mohammed Ben Sulayem sobre os V8. «Ouvirão falar sobre isto muito em breve e será com uma eletrificação muito, muito pequena. Estou otimista, eles [os fabricantes] querem que aconteça. Mas digamos que os fabricantes não o aprovam [para 2030]. No ano seguinte, acontecerá. Em 2031, está feito de qualquer maneira. Vai ser feito. O V8 está a chegar», reforçou.

A mudança poderá ser antecipada para 2030 se quatro dos seis fabricantes de unidades de potência da F1, incluindo a futura Cadillac, concordarem. Toto Wolff, cuja equipa Mercedes teve o início mais forte sob os regulamentos atuais, mostrou-se aberto à alteração, mas alertou para o risco de a F1 parecer «ridícula» se abandonar completamente a componente elétrica.

«Do ponto de vista da Mercedes, estamos abertos a novos regulamentos de motores. Adoramos os V8, só temos ótimas memórias e, na nossa perspetiva, é um motor Mercedes puro, de altas rotações», afirmou Wolff. «Mas como lhe damos energia suficiente da bateria para não perder a ligação com o mundo real? Porque se mudarmos 100% para a combustão, pode parecer um pouco ridículo em 2031 ou 2030».

O chefe da Mercedes acrescentou: «Temos de considerar isso, torná-lo mais simples e fazer dele um mega motor. Talvez possamos extrair 800 cavalos de potência do motor de combustão interna e adicionar 400 ou mais em termos de energia elétrica. Estamos absolutamente dispostos a isso, desde que essas discussões ocorram de forma estruturada. Reconhecemos as realidades financeiras dos fabricantes de equipamento original (OEMs) hoje em dia. Não temos a vida facilitada. Mas se for bem planeado e executado, nós, na Mercedes, ficaremos felizes por voltar com um verdadeiro motor de corrida».

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