Patrice Beaumelle, selecionador de Angola
Patrice Beaumelle, selecionador de Angola - Foto: IMAGO

Federação angolana faz balanço da participação na CAN 2025

Beaumelle deve ter confiança reforçada

A Federação Angolana de Futebol-FAF justifica esta terça-feira, 6 de janeiro, através de uma conferência de Imprensa, o fracasso dos Palancas Negras na edição 35 da CAN, que ainda decorre em Marrocos.

Num comunicado tornado público na passada sexta-feira, o órgão reitor do futebol angolano deu a conhecer, por intermédio da sua Direção de Comunicação Institucional, Tecnologia de Informação e Imprensa, que irá realizar uma conferência de imprensa com o objetivo de apresentar o balanço da prestação dos Palancas Negras na CAN de Marrocos.

A referida CI está marcada para as 10 horas desta terça-feira, na sede da FAF, sita na Urbanização Nova Vida, na capital angolana.

Apesar das tentativas de contacto a elementos da direção da FAF, todos rejeitam tecer qualquer comentário, dizendo que preferem aguardar pelas palavras de Alves Simões, presidente do organismo, numa altura de elevada tensão após o afastamento prematuro do conjunto angolano da maior montra do futebol continental.

Entretanto, fontes ligadas à direção da Federação Angolana de Futebol dizem que a conferência está a ser preparada ao pormenor, sendo que, de modo a diminuir consideravelmente as duras críticas levadas a cabo nos últimos dias, o Presidente da FAF pondera tão somente assumir o fracasso sem grandes argumentos, evitando o reacender das chamas por parte da massa crítica de Cabinda ao Cunene.

Sabe-se também que, não obstante de assumir o fracasso da seleção na prova continental, o elenco liderado por Alves Simões vai manter o treinador Patrice Beaumelle no comando técnico da seleção nacional, justificando que três meses de trabalho é pouco tempo para o antigo adjunto de Hervé Renard montar uma equipa coesa, que possa alcançar bons resultados.

Sobre a FAF, recai a acusação de culpa pelo fracasso de Angola, pelo facto de ter trocado de treinador a três meses da CAN.

Já sobre o treinador, algumas figuras de proa, ex-atletas, alguns dirigentes e os adeptos angolanos acusam-no de não conhecer os atletas, montar mal o 11 inicial e tardar em fazer substituições, o que contribuiu para o fraco desempenho dos Palancas Negras (dois pontos em nove possíveis, fruto de uma derrota e dois empates, dois golos marcados e três sofridos).

Angola ficou no terceiro lugar do grupo C, que acabou liderado pelo Egito, atrás da África do Sul e à frente do Zimbabué, mas com apenas dois pontos.

Os angolanos ainda torceram até à última por uma vitória da Tunísia sobre a Tanzânia, mas o jogo terminou empatado a um golo. Assim, passou a seleção da Tanzânia como o último melhor terceiro classificado, por ter marcado mais um golo do que Angola.

Recorde-se que Beaumelle sucedeu ao português Pedro Gonçalves, que orientou a seleção angolana desde outubro de 2019, tendo não só alcançado os quartos-de-final do CAN da Costa do Marfim em 2024, como também conseguido a qualificação de Angola para a fase final da Taça Africana das Nações que decorre no reino de Marrocos, sem derrotas, mas terá pesado a seu desfavor o facto de não ter conseguido apurar Angola para o Mundial 2026, que terá lugar nas Américas.

Vale ainda frisar que o francês de 47 anos orientou os Palancas Negras em cinco jogos antes da CAN, dois de apuramento ao mundial (Eswatini, empate a dois golos e Camarões, empate a zero), três particulares (Argentina, derrota por 0-2, Zâmbia, vitória por 3-1, e Moçambique, vitória por 4-1), este último, 5 dias antes da estreia no africano.