Plantel encarnado está fechado - Foto: Miguel Nunes
Plantel encarnado está fechado - Foto: Miguel Nunes

Da revolução central à luta titânica no ataque: raio-x ao 'novo' Benfica

Entrada de Echeverri e saída de Ríos foram os últimos retoques no plantel das águias, cuja profundidade é ponto forte. Fechado o mercado, é tempo de lutar

O plantel do Benfica para atacar a primeira metade de 2026/27 está fechado. As oficializações da contratação de Claudio Echeverri e da saída de Richard Ríos, na quarta-feira, foram as últimas movimentações de relevo na equipa principal dos encarnados, que conta com mais de 25 jogadores.

As águias contrataram oito atletas e despediram-se de outros oito que disputaram 10 jogos ou mais na temporada passada. Um setor não sofreu alterações. Anatoliy Trubin, Samuel Soares e Diogo Ferreira mantêm-se na defesa das redes encarnadas, apesar das notícias que ligaram o guardião ucraniano a uma eventual saída.

Trubin vai continuar de águia ao peito, mas enfrenta uma situação praticamente inédita na Luz. Samuel Soares assumiu o posto que foi do ucraniano dos últimos três anos, tendo sido titular em oito dos dez jogos disputados pelo Benfica esta temporada.

Além da baliza, os encarnados também não reforçaram o corredor direito defensivo. A posição, ainda assim, sofreu alterações. Dedic, que foi dono e senhor do lugar na temporada passada com mais de 3.500 minutos disputados, rumou ao Newcastle por 35,9 milhões de euros.

Alexander Bah subiu na hierarquia e já somou mais minutos neste início de época do que em 2025/26. O lateral de 28 anos vai ter a concorrência de Daniel Banjaqui, de 18. O campeão da Europa e do Mundo de sub-17 ainda não somou qualquer minuto oficial pela equipa principal esta temporada, também devido a problemas físicos.

No corredor oposto, o jovem José Neto já foi opção de Marco Silva, diante do Hearts, na Escócia, a 13 de agosto, mas tem missão bem mais complicada do que Banjaqui para somar minutos daqui para a frente. O lateral esquerdo de 18 anos tem a concorrência de peso de Samuel Dahl e Soffian El Karouani.

O internacional sueco é o dono da posição desde a saída de Álvaro Carreras para o Real Madrid, no verão de 2025, enquanto o lateral marroquino chegou nos últimos dias do mercado à Luz por empréstimo dos sauditas do Al Qadsiah.

Galeria de imagens 9 Fotos

As mexidas cirúrgicas nas laterais contrastam com a revolução no eixo da defesa. Clément Lenglet, Alessandro Circati e Gabriel Índio foram contratados para colmatar as saídas de Otamendi, que terminou contrato, e António Silva, transferido para o Bournemouth no início de agosto.

O defesa francês pegou de estaca, com dois golos em dez jogos, e até já envergou a braçadeira de capitão do Benfica, na casa do Hearts. Circati é o terceiro na hierarquia, enquanto Gabriel índio, de 18 anos, é uma aposta encarnada a médio/longo prazo.

Em sentido contrário, no miolo, encontra-se uma das contratações com maior efeito imediato. João Palhinha regressa a Portugal aos 31 anos como um dos reforços mais sonantes do futebol português. O internacional luso somou a primeira titularidade de águia ao peito na casa do Marítimo, no sábado. Enzo Barrenechea, que tinha sido opção inicial nos oito jogos anteriores, oferece soluções diferentes para a mesma posição. Há ainda Manu Silva que poderá ser opção, tanto a 6 como no centro da defesa.

Pérolas à espreita

E no Seixal moram ainda potenciais alternativas fora da caixa. Miguel Figueiredo, de 18 anos, até foi titular no primeiro jogo oficial do Benfica, em St. Gallen, mas regressou à equipa B face à subida do número de opções para o meio-campo. O campeão europeu e mundial continua, ainda assim, a trabalhar sob a alçada do técnico. A afirmação de Echeverri pode também potenciar a utilização de Gonçalo Moreira na equipa B

Fredrik Aursnes chegou a ocupar a função de médio mais defensivo anteriormente, mas, no sistema de Marco Silva, deve assumir a posição 8. Barreiro tem ocupado com eficácia a vaga nos primeiros jogos do técnico na Luz, devido à indisponibilidade do internacional norueguês. O excesso de opções precipitou a saída de Richard Ríos, por empréstimo, para o Al Ittihad, da Arábia Saudita.

A função de terceiro médio, encarregue de ligar setores de frente para o jogo, está entregue a Sudakov. Marco Silva tem defendido com unhas e dentes o criativo ucraniano, cujo impacto ainda não se refletiu em golos, mas admitiu o peso da escassez de alternativas. Gonçalo Moreira somou minutos em dois dos últimos três jogos, mas o verdadeiro concorrente de Sudakov chegou a Portugal nos últimos dias, emprestado pelo Manchester City. Claudio Echeverri, de 20 anos, acrescenta irreverência à posição.

A maior diversidade de perfis encarnados encontra-se, ainda assim, nas alas. Prestianni já fixou novo máximo de golos marcados de águia ao peito numa temporada a jogar no corredor esquerdo... onde mal tinha jogado até à chegada de Marco Silva. A pérola argentina, que pode pisar os três corredores, deverá travar uma luta titânica com Andreas Schjelderup pela vaga de extremo esquerdo.

No corredor oposto, Rafa tem sido praticamente indiscutível, apesar de Marco Silva de ter frisado que «não é um jogador de corredor». Dodi Lukebakio dá soluções diferentes, nomeadamente no 1x1 e no remate exterior, para a mesma posição.

À espreita para está Jakub Kaminski, que custou 17 milhões de euros às águias este verão. Marco Silva utilizou a concorrência de peso de Prestianni e Schjelderup para justificar a parca utilização do polaco a extremo. O polaco foi surpreendentemente aposta a lateral direito diante do Marítimo, no sábado,após a lesão de Alexander Bah.

O caso de Bruma

O mercado de verão fechou na grande maioria das ligas, mas um dossier encarnado ainda não foi resolvido. Bruma não conta para Marco Silva e ainda aguarda colocação. O extremo de 31 anos foi contratado ao SC Braga em janeiro de 2025, por cerca de 6,5 milhões de euros E assinou um golo e duas assistências em 17 jogos em ano e meio de águia ao peito. Tem contrato com o Benfica até junho de 2028.

A rotação de extremos poderá ainda contar com Jaden Umeh. O extremo irlandês de 18 anos foi aposta à esquerda de Marco Silva no início da pré-época, mas lesionou-se com gravidade na coxa esquerda diante do Flamengo, a 29 de julho, e iniciou um período de recuperação de cerca de 3 meses.

A hierarquia também está bem definida no ataque, que sofreu uma mexida. Vangelis Pavlidis, goleador indiscutível das águias, e Anísio Cabral, jovem de apenas 18 anos que tem ganho ritmo competitivo no Benfica B, têm agora a companhia de Jhon Durán. O avançado colombiano chegou à Luz por empréstimo do Al Nassr para render Ivanovic, que se encontra cedido ao Lens.

Marco Silva tem à disposição, no mínimo, dois jogadores por posição para gerir em quatro competições durante a primeira metade de época. O plantel profundo permite «fazer gestão física e não perder qualidade», como admitiu antes da visita à Madeira. «Se queremos ter sucesso no final da temporada, vamos precisar de toda a gente a um nível muito bom», frisou.

A iniciar sessão com Google...