FC Porto: Villas Boas só sente «alívio» e fala na festa inspirada no Athletic
André Villas Boas falou sobre a festa que o FC Porto organizou para celebrar o título nacional conquistado, que este ano teve um desfile pelo rio e acabou junto ao edifício da Câmara. Mas antes falou sobre o que considera ter levado de diferente à presidência do clube, sucedendo a Pinto da Costa.
«Eu não transformei o clube, foram as pessoas que se transformaram na forma como se começava a relacionar com o clube. Fruto também de muitos passos que demos, desde logo a transformação digital, que permitiu o acesso a um mundo sem fim de sócios, algo que não se dava por inação, de certa forma, na parte da gestão, e por ser desvalorizado, que seria uma parte da transformação digital que era absolutamente fundamental na expansão do clube a nível nacional e internacional. Portanto, isso tornou-o imediatamente uma forma diferente de o novo sócio se relacionar com o clube», disse num painel do festival Eco, ao lado do presidente da Câmara do Porto, Pedro Duarte.
Villas-Boas falou então das emoções diferentes que sentiu na festa do título em relação ao passado. «Sim, sente-se diferente porque o formato também foi diferente. O objetivo foi unir rio e Aliados, foi bem conseguido. Foi inspirado nos festejo do Athletic Bilbao, que usa precisamente o rio como veículo canalizador para chegar ao estádio, e só esse movimento trouxe mais pessoas às ruas. Foi um São João de azul e branco, uma simbiose perfeita entre Porto e FC Porto», comentou, depois de muitos anos em que clube e edilidade estiveram de costas voltadas, mas foi mais fundo:
Foi um São João de azul e branco, uma simbiose perfeita entre Porto e FC Porto
«Eu senti alívio. Como presidente deixei de sentir felicidade, agora sinto alívio pela responsabilidade. Enquanto treinador vivi a vitória e vivi a felicidade na vitória, agora como presidente vivo alívio. Os meus dias são como as vitórias do FC Porto, jornada após jornada, de alívio por obtenção de um objetivo. Foi sobretudo uma excelente organização e a possibilidade de as pessoas soltarem as suas emoções. O FC Porto não era campeão há 4 anos e quando assim é, é uma explosão, uma festa única. Portanto temos novo portismo, novas emoções, excelente organização.»
Pedro Duarte falou nas mudanças que houve nas lideranças de Porto e FC Porto, mantendo equilíbrio.
«No Porto há muita gente que apoia outros clubes, são adeptos do Benfica, do Sporting, para além de outros clubes da cidade, da região, e vivem e convivem muito bem na cidade, não temos nada contra, pelo contrário, a diversidade até é bom, até para podermos, às segundas-feiras, às vezes, termos com quem nos metermos, não é? Mesmo aqueles que não são adeptos do FC Porto, sabem que é uma marca da cidade, reconhecem e respeitam isso. Nos últimos tempos, por um conjunto de circunstâncias diferentes, reviveu-se de uma forma que ajudou a criar uma unidade, uma coesão, uma respeitabilidade, que a cidade beneficia imenso disso, não tenho dúvidas nenhuma. Naquela festa, o mais relevante foi o que se sentia nas ruas, a energia que se sentia nas ruas, que era algo extraordinariamente positivo, as pessoas juntaram-se por alguma coisa que estava acima delas», disse. Diferente da celebração dos outros títulos? Acho que sim, a opinião generalizada é essa. Pelo menos não havia uma mobilização total, poderia dizer-se. Era de mobilizar mais umas partes do que outras na cidade, vamos por as coisas dessa forma. Hoje, isso não acontece, graças a esta direção.»