Um morto e dois mil deslocados: ataque destrói acampamento de Carlos Queiroz em Moçambique
Pelo menos uma pessoa morreu e cerca de duas mil foram deslocadas na sequência de uma incursão de insurgentes que devastou um acampamento turístico associado a Carlos Queiroz, na província moçambicana de Niassa. O ataque aconteceu na quinta-feira, na Coutada de Marangira, e deixou um rasto de destruição, com o espaço da Mozambique Wild Adventures (MWA) a ser saqueado, vandalizado e incendiado.
«Temos mais de 2.000 pessoas, como nós dissemos, no local de acolhimento», revelou o secretário de Estado em Niassa, Silva Livone, citado pela comunicação social. O responsável descreveu uma noite de grande tensão e admitiu surpresa pelo reduzido número de vítimas mortais face à dimensão da incursão. «Deixaram-nos avultados danos materiais, relativamente poucos danos humanos, mas ainda estamos no terreno a trabalhar. Tivemos muita pressão durante a noite de ontem, não dormimos», afirmou.
Os insurgentes terão chegado da vizinha província de Cabo Delgado, onde a violência armada se prolonga desde 2017. Segundo Livone, o objetivo da incursão terá passado pelo reforço da logística do grupo. «Do 'modus operandi', do comportamento que tiveram, literalmente, conduziu-nos a esta conclusão de que os terroristas vieram à procura de reforçar a sua base logística em termos de mantimentos», explicou.
Além do acampamento da MWA, foram incendiados veículos, um centro de saúde e um posto policial, segundo as autoridades. A área permanece sem comunicações desde o ataque, enquanto decorrem trabalhos para avaliar a totalidade dos prejuízos.
O espaço turístico está ligado a Carlos Queiroz, cuja concessão foi atribuída pelo Governo moçambicano em 2014. A organização ambientalista Mozambique Bio estima que tenha sido destruído um investimento de cerca de 3,5 milhões de dólares, realizado ao longo de mais de uma década pelo empresário e professor.
No momento do ataque encontravam-se no local três turistas estrangeiros, todos em segurança, embora tenham perdido documentos pessoais e dinheiro durante o assalto. Cerca de 15 trabalhadores terão abandonado as instalações e procurado refúgio no mato.