FC Porto dobrou o cabo da Boa Esperança
É muito cedo, mas também é certo que já muita coisa foi vista nesta temporada do futebol nacional. E o que já foi visto permite deduzir que se o líder da Liga não foi surpreendido em Guimarães dificilmente o será daqui para a frente. Não quer isto dizer, evidentemente, que o FC Porto chegue ao final do campeonato sem perder mais pontos, ou até que não possa perdê-los em situação menos previsível que a do Estádio D. Afonso Henriques no domingo à noite. Mas parece claro que depois de vencer um jogo como este, à entrada para a segunda metade da prova, qual cabo da Boa Esperança entre o Atlântico e o Índico, a sensação de sucesso à vista vai inflamar ainda mais os azuis e brancos e deixar menos esperançosos os adversários.
O muito bom jogo de Guimarães, para lá de todas as suas incidências particulares e que provavelmente indicariam uma vitória do Vitória, constitui um daqueles jogos que fazem parte do percurso de um campeão. É quando se joga menos bem, ou quando não se consegue impor a superioridade tão facilmente como de costume, que se vê a fibra de um vencedor. É ganhando num detalhe, aguentando as marés contrárias e testando a união de uma equipa que se ganham títulos.
Aconteceu tudo isto no FC Porto de domingo. E os adversários estiveram a ver. Sabem, porque andam todos há muitos anos nisto, que o que escrevi atrás é verdade.
Está o campeonato decidido? Seria irresponsável afirmá-lo, quanto mais não seja por respeito à matemática e à imprevisibilidade do Melhor Jogo do Mundo. Mas vá lá, convenhamos: o primeiro lugar só fugirá ao FC Porto perante hecatombe cada vez mais improvável (sim, eu sei que Farioli viveu algo parecido há um ano em Amesterdão) e perante uma irrepreensível campanha dos dois adversários diretos, o que também não se adivinha muito previsível pelos sinais já dados. Pelo contrário, numa noite feliz do dragão até o facto de o penálti que decidiu o jogo ter sido cometido sobre o mais recente reforço serve de sinal a apontar o caminho da felicidade.
Uma nota para o Vitória e, na sequência, para Luís Pinto: ao fim de cinco ou seis jornadas da Liga já se falava de falhanço do treinador resgatado ao Tondela após excelente trabalho que conduziu os beirões à Liga. Entretanto saiu um título nacional para os vimaranenses, com as vitórias conhecidas, e o jogo em que um adversário mais perto esteve de derrotar o FC Porto no atual campeonato. O tempo é sábio.