Sucesso dos dragões foi transversal a todos os escalões, como já não se via há quase 30 anos - Foto: FC PORTO
Sucesso dos dragões foi transversal a todos os escalões, como já não se via há quase 30 anos - Foto: FC PORTO

FC Porto: a metamorfose profunda na formação que resultou em... pleno

Estrutura liderada por André Villas-Boas operou revolução na fábrica de talentos do Olival. O resultado? Jejum quebrado, pleno de títulos e vários craques na forja

A época 2025/26 foi, como categorizou André Villas-Boas, o «ano do Dragão». Depois de conquistar o título de campeão nacional de seniores, o FC Porto repetiu a façanha nos escalões de sub-19, sub-17 e sub-15, concretizando um pleno que não se via em Portugal desde 1997/98. Em simultâneo, os dragões quebraram um persistente jejum de troféus na formação, que durava há sete anos — o último título datava de 2018/19 —, reafirmando-se de forma convicta no panorama nacional. Uma mudança de paradigma iniciada assim que AVB assumiu a presidência, promovendo uma revolução na estrutura formativa. José Tavares regressou ao Olival para assumir o cargo de diretor — Filipe Ribeiro é o coordenador técnico — e tanto o vice-presidente, Tiago Madureira, como o gestor executivo, Henrique Monteiro, assumiram papéis de relevo na engrenagem da fábrica de talentos portista.

A ligação entre o futebol profissional e a formação foi revitalizada, com a articulação entre os diversos plantéis mais solidificada — não é raro ver jogadores jovens atuarem no escalão imediatamente acima. Em termos de equipas técnicas, as apostas em Sérgio Ferreira, José João e Manuel Prata deram rostos à procura de perfis de treinadores jovens, ambiciosos e metodologicamente muito competentes. Além de João Brandão, claro, que guiou a equipa B até à melhor pontuação de sempre na Liga 2, no segundo ano ao leme. Houve, também, espaço para melhorias nas condições de infraestrutura e logística enquanto o CTFD Jorge Costa não fica exclusivamente à disposição das equipas de formação.

O resultado? Para lá dos títulos, a emancipação e capacidade reforçada de segurar os talentos da casa. Além dos jogadores que já estão em fase final de maturação na equipa B, que passou a ter a média de idades mais baixa de sempre, a ponte entre escalões permitiu que diamantes em bruto como André Miranda, Tiago Silva, Bernardo Lima, Duarte Cunha, Yoan Pereira, Mateus Mide e Eduardo Ferreira ganhassem desde logo espaço no patamar profissional, com apenas 17 e 18 anos. Os três primeiros, aliás, chegaram mesmo a estrear-se pela equipa principal.

Na forja estão já outros craques em potência. Nos juvenis, Tcherno Jamanca deu nas vistas pela veia goleadora apresentada, tal como Gustavo Guerra e João Brito (já jogaram pelos bês). Já nos recém-sagrados campeões de sub-15, o destaque vai para o avançado Tiago Portugal, o extremo Paulo Leite e o médio Rodrigo Seca. A perspetiva é que o filão de ouro da casa não esgote tão cedo, até porque já há outras promessas à espreita e o FC Porto não pretende deixar nada ao acaso. Por isso, A BOLA sabe que há uma aposta vincada em planos de desenvolvimento e acompanhamento individual, trabalhados em articulação com variados setores — departamento de desenvolvimento de técnica individual, performance, análise e psicologia.

Da esquerda para a direita: Filipe Ribeiro (coordenador técnico da formação), José João (treinador sub-17) e José Tavares (diretor da formação)

Equipa A já com núcleo jovem cimentado

Levantar troféus não é o objetivo primordial das equipas jovens, mas, num clube como o FC Porto, formar a ganhar é desígnio assumido. Elevar talento até ao patamar do plantel principal é algo que os dragões querem tornar habitual e, nesse sentido, haverá vários jovens da formação a integrar a pré-temporada às ordens de Francesco Farioli, a partir de 1 de julho.

Os campeões do Mundo de sub-17 são fortes candidatos a esse lote, tal como os já mencionados André Miranda e Tiago Silva. A segunda etapa da missão, mais complicada, será guardarem lugar entre os graúdos no decorrer da época, até porque já há um núcleo jovem assinalável na equipa A portista. Alberto Costa (22 anos), Martim Fernandes (20), Froholdt (20), Rodrigo Mora (19), William Gomes (20), Samu (22) e Oskar Pietuszewski (18) são exemplos claros deste rejuvenescimento sustentado dos campeões nacionais. Uma tendência que não é, de resto, alheia ao trabalho do departamento de scouting liderado por Paulo Araújo, que entrou na estrutura do FC Porto em julho de 2025, após três anos no Barcelona. Uma coisa é certa: o futuro dos dragões parece estar assegurado... e em boas mãos.

Sabe onde andam os campeões da Youth League pelo FC Porto?

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