Farioli revela conselho de Villas-Boas sobre Samu: «Fui analisar e aceitei»
Francesco Farioli assumiu que André-Villas-Boas, presidente do FC Porto, é a pessoa com quem «fala menos» sobre tática.
«Acho que é uma situação muito estranha porque, com certeza, ele tem sido, de longe, o diretor ou o presidente com o maior conhecimento de futebol. Acho que o que ele fez na sua carreira como treinador fala por si. Então... e para ser honesto, é a pessoa com quem eu falei menos sobre tática. Porque a realidade... na minha primeira reunião, como sempre, preparei algumas coisas para mostrar... ele já sabia tudo. Então, era mais sobre a situação, o ambiente, como gerir as coisas. Então, acho que a primeira vez que abri um computador para lhe mostrar algo foi quando eu já estava aqui no Porto. Então, isso diz muito sobre a sua preparação e, especialmente, acho que o respeito que ele tem pelo trabalho. E por um trabalho que ele fez e fez muito bem. A nossa comunicação é muito aberta, muito direta. Claro, há... nós vemos as coisas claramente de dois ângulos diferentes e acho que isto torna a conversa mais rica. Ele está muito presente, vindo ao Olival pelo menos uma ou duas vezes por semana. Antes, em cada Matchday, ele está lá, ele aparece, ele aperta as mãos, sempre com... com uma energia importante. Então, para ser honesto, eu não poderia pedir um melhor... um melhor presidente ou uma pessoa que esteja mais presente do que ele. E acima de tudo, mais do que o papel e o que ele representa, acho que estamos... estamos a ter uma ligação humana muito boa. Normalmente, nós mandamos mensagens um ao outro, claro para falar sobre... sobre futebol, bastante tarde à noite. Às vezes às 6 horas, quando acordo, já há uma mensagem dele para falar sobre um jogador, para falar sobre uma situação ou como podemos fazer as coisas melhor. Sabes, eu vim para aqui com a... com o... com o rótulo de ser um treinador que trabalha muito e, de alguma forma, aqui sinto que... sim, há pessoas que são iguais ou até mais. Então isso é inacreditável e eu falo pelo Presidente, mas também falo pelo Tiago, Henrique, as pessoas que estão mais perto dele. Acho que é muito claro quem eles são, quem nós somos, para onde queremos ir. E acho que, sabes, não há melhor maneira de liderar do que liderar pelo exemplo, para voltar à tua pergunta anterior.», apontou, em entrevista à Sport TV.
«Nós falamos sobre o desempenho da equipa, como vemos os jogos, o sentimento, em que momento estamos... às vezes se há coisas que sentimos que temos de melhorar ou de sermos melhores. Eu sou uma pessoa que gosta de ouvir, gosta de receber feedback. Dou-te um exemplo: na primeira... numa das nossas primeiras reuniões, o Presidente disse que, para ele, o Samu não pode... não pode defender no lateral, no canto, na marcação zonal, sabes, no primeiro poste. E para ser honesto, eu fui rever algumas coisas, recebi o conselho e, como sabes, o Samu nunca esteve lá. Então, às vezes há sentimentos e especialmente quando chegas, se tu... se tu acreditas nas pessoas e se tens fé no que as pessoas te estão a dizer, pode ajudar a acelerar, de alguma forma, o processo. Depois, acho que é sempre importante ser... chegar com uma mente fresca, ter também a nossa própria avaliação, mas também, sabes, receber algumas dicas de algum lado... acho que é realmente importante. Como te disse, sou uma pessoa que gosta de ouvir, gosta de... de criar e de gerar uma forma de trabalhar colaborativa. Eu acredito muito nisso, porque se não, também não faz sentido ter um staff técnico tão grande e cada dia está a ficar maior e maior e maior, e toda a gente precisa de acrescentar algo. Claro, com o respeito pelo seu papel, mas acredito que toda a gente pode contribuir no grande puzzle para acrescentar a peça certa na posição certa», afirmou.
O FC Porto terminou a primeira volta da Liga na liderança e Farioli confessou que dá grande importância à questão física, sendo uma preocupação para a segunda metade da temporada.
«É fundamental. Sou um bocado paranóico com a fisicalidade do jogo e a trajetória para onde o futebol vai. Em todos os jogos corremos sempre mais do que o adversário. Às vezes superámos o adversário por 3, 4, 5 ou até 8 e 9 quilómetros. É quase como jogar com mais um jogador. Rimo-nos muito sobre o facto de que, quando jogas com o Froholdt, tens um output incrível. Os centrais correm muitas vezes mais de 11km para espremer a equipa e estar alto no terreno. Os avançados pressionam muito e quando é preciso recuar trabalham sem bola. Acredito na rotação do plantel para manter todos frescos e competitivos», disse.