Francesco Farioli, treinador do FC Porto — Foto: Catarina Morais/Kapta+
Francesco Farioli, treinador do FC Porto — Foto: Catarina Morais/Kapta+

Farioli e a polémica das arbitragens: «Estivemos envolvidos em casos difíceis de compreender»

Treinador do FC Porto concedeu entrevista à Sport TV e assumiu que gostaria de falar mais sobre os jogos

Francesco Farioli, treinador do FC Porto, falou sobre a polémica em torno das arbitragens que ganhou novos contornos nas últimas semanas.

«Com certeza que é um tópico. Como disse, eu tive nas minhas experiências anteriores, eu diria um pouco de anticorpos porque também em Itália os árbitros são sempre um tópico quente. Na Turquia, acho que podes imaginar e viste também recentemente o que está a acontecer ou o que aconteceu. Então, sim, acho que tenho um passado bastante forte sobre esta parte. Do meu lado, eu nunca me coloquei numa situação polémica. Acho que em quase 200 jogos que fiz como treinador principal, acho que tive dois cartões amarelos ou talvez três, não sei. Então, acho que me estou a comportar bastante bem e respeito e recebo respeito dos árbitros. E isto é o que eu gosto e o que eu quero. Mas com certeza em Portugal é um tópico. Quando cheguei, desde o dia 1, comecei a ver nas redes sociais, começando pela Supertaça e tudo isso. Então, é claro que é um tópico quente. Como eu disse numa conferência de imprensa anterior: eu acredito que é uma responsabilidade de toda a gente baixar um pouco as coisas. E isto vai, talvez, com algumas decisões que precisam de ser tomadas a um nível diferente. E depois do nosso lado... o nosso lado falo das pessoas que estão a falar muito durante a semana, porque acho que não é possível que assim que o jogo acaba já existam dois, três programas de TV que mais do que falar sobre os jogos, estão a analisar o desempenho dos árbitros. No jornal há páginas e páginas de, sabes, análise dos árbitros. Acho que seria ótimo para um país como Portugal ter... que com tanto talento e tantos bons jogadores e tantos bons treinadores e boas equipas, falar um pouco mais sobre futebol. Mas mais uma vez, claro, o que é importante e acho que o que todos queremos é ter justiça na competição. Mencionei outro tópico que para mim é muito relevante, que é o uso do VAR. E isto não é apenas para Portugal, é em geral no mundo. Acho que, como anos atrás, quando o VAR apareceu, supunha-se ser um instrumento para ajudar o árbitro a tomar melhores decisões e a tornar o jogo mais justo e com menos erros. A realidade é que hoje o VAR é um instrumento para julgar os árbitros. Se eles recebem uma chamada do VAR, eles vão ter, digamos, dedução de pontos no seu ranking... se eles vão lá e mantêm a decisão... então, sabes, tudo vai num sistema ou numa forma que tudo é, em vez de ajudar e facilitar a vida dos árbitros, de alguma forma estamos a criar, na minha opinião, monstros na forma de que há um pânico sobre cada decisão. E para ser honesto, porque durante a sessão de treino... não eu, mas um dos meus colegas está a arbitrar... é muito difícil de gerir porque o jogo cada dia está a ficar mais rápido. A velocidade do jogo é louca. Tens ações de contra-ataque de 80 metros com jogadores a sprintar a 37, 38 quilómetros por hora... não é fácil estar lá. Então acredito que, como sistema, o árbitro, o árbitro assistente, o quarto árbitro e também o VAR e o AVAR precisam de estar lá para apoiar, com a prioridade que é ter um jogo justo, uma competição honesta e tentar minimizar os erros», referiu, em entrevista à Sport TV, realizada no Dragão, assumindo que gostaria de falar mais sobre os jogos.

«Do meu lado, adoraria falar mais sobre os jogos. Depois, claro, estivemos envolvidos nalguns casos que são realmente difíceis de compreender. Dou-te um exemplo: acho que foi um dos últimos jogos aqui no Dragão, foi uma ação do Pepê que foi falta fora da área, mas na realidade foi dentro da área. Podemos discutir se foi falta ou não. Eu fui para perto do quarto árbitro e disse: 'Ok, basta ir ao VAR porque se é falta, é dentro da área e se não é falta, é falta contra nós e cartão amarelo para o Pepê. Sem problema. Mas não podemos aceitar ter um livre direto fora da área enquanto toda a gente viu que a falta foi dentro da área. E depois é uma questão: é falta sim ou não?'. Eu prefiro, mais uma vez, receber um cartão amarelo e um livre direto contra nós do que ter um livre fora da área enquanto é penálti. Então para mim esta é a parte onde... quando falo sobre justiça, para mim justiça é isto», acrescentou, sendo questionado se pensa que os erros acontecem pela qualidade dos árbitros ou condicionamento.

«Há tantas coisas. Honestamente, acho que não é fácil ser árbitro aqui porque a pressão está acima do céu. Então definitivamente há algo que eu acredito... e eu já tenho tantas coisas para fazer como treinador, então acho que não é o meu trabalho julgar ou ir lá. Como disse, acredito que há algumas coisas como o uso do VAR que precisam de ser avaliadas não em Portugal, mas em geral no mundo, e ser usado de uma forma diferente. E pronto. E para mim libertar um pouco a pressão que está no sistema e esperançosamente, mais uma vez, ter uma competição mais justa e mais honesta que acho que é o que toda a gente, adeptos e todos os clubes, gostaria de ter», completou.